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DEZEMBRO VERDE: CAMPANHA CONSCIENTIZA CONTRA O ABANDONO DE PETS

Abandonar um animal, bem como cometer qualquer crueldade, é crime

Cláudia Guimarães, em casa

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O verde, nessa época do ano, te remete àquela árvore de natal tradicional, que vai ganhando outras cores com os enfeites escolhidos para decorar a sala? Ou, então, te faz ter esperança para o próximo ano, já que, segundo crenças populares, essa é a cor para te deixar mais esperançoso? Neste mês, a cor também remete a outra coisa: o combate ao abandono de animais de companhia, já que é fomentada a campanha Dezembro Verde.

Dezembro foi o mês foi escolhido, justamente, por conta das férias e comemorações de fim de ano, período em que cresce o número de casos de abandono e maus-tratos aos animais. De acordo com a médica-veterinária Mestranda em Medicina e Bem-Estar Animal e psicóloga, Renata Bottura, é possível definir maus-tratos aos animais, do ponto de vista técnico, quando são realizadas ações diretas ou indiretas que se caracterizam como agressão, abuso ou negligência, colocando em risco a saúde ou mesmo a vida do animal.

Segundo a profissional, os autores que estudam mais a fundo o assunto fazem uma classificação mais didática, para facilitar nosso entendimento: “Os maus-tratos podem ocorrer por uma ação mais agressiva por parte do indivíduo (como o bater, chutar ou qualquer outra forma de lesão física intencional contra o animal) ou mesmo pela ausência de uma ação, em que se caracteriza a negligência (quando o tutor não supre todas as necessidades daquele animal, sejam elas alimento, atenção, espaço adequado, meios de socialização, abrigo ou afeto). De modo geral, basta pensar que as características e comportamentos próprios de cada espécie precisam ser respeitados”, salienta.

Renata menciona que os casos de maus-tratos por negligência são menos óbvios, portanto, mais difíceis de serem notados. “Mas, infelizmente, os estudos conduzidos mostram que, tanto no Brasil, como no exterior, são bastante frequentes”, lamenta e lembra que, este ano em especial, o risco de abandono e crueldade contra animais esteve presente em todos os meses, por conta da pandemia.

Veterinários devem questionar tutores sobre o comportamentodos animais e orientá-los para evitar o abandono(Foto: reprodução)

“Motivos” de abandono. Renata destaca alguns: “Assim como a época de festas de final de ano são propícias para esses atos, a pandemia pode ter deixado algumas pessoas assustadas com a nova situação, cuja própria vida poderia estar em risco. Além disso, a falta de informação para muitos (que acreditaram que cães e gatos poderiam transmitir o vírus que está circulando – o que sabemos ser incorreto até o presente momento) também pode ter somado à decisão de abandonar pets. Sem falar na falta de recurso financeiro para prover a alimentação do animal ou medo de faltar para si e sua família caso gastasse com ‘supérfluos’. Esses ingredientes podem ter criado o pior cenário possível para os animais de estimação”, avalia.

Renata expõe que, nos abrigos americanos um dos grandes motivos para os tutores entregarem seus animais para adoção são os problemas comportamentais (destruir objetos, latir excessivamente e casos de agressão contra outros animais da família ou membros humanos) ou os que envolvem micção fora do lugar esperado (principalmente em se tratando de felinos para este último). “Portanto, não é algo que deva ser menosprezado por nós, médicos-veterinários, em nossas consultas de rotina. Além do exame físico completo, dados da queixa que leva o tutor até a clínica, incluir, também, inquérito sobre dados nutricionais, como já é recomendado pelos novos protocolos, e porque não sabermos se o tutor está tendo dificuldades com seu animal no âmbito comportamental?”, indaga.

Na visão da profissional, os veterinários são capazes de dar orientações básicas sobre algum problema de comportamento. “Entretanto, se o profissional estiver inseguro, ele pode encaminhar o tutor para um especialista, sugerir leituras, enfim, temos recursos a recorrer. Precisamos encontrar maneiras de estarmos mais ‘presentes’ na vida dos tutores, para que esta relação seja benéfica para ambos: teremos os clientes fidelizados e eles, por sua vez, estarão bem orientados sempre. Todos ganham, principalmente, o paciente”, assegura. No entanto, confessa que encontrar esse equilíbrio, na rotina, não é fácil, ainda mais com o agravante de que poucos animais são bem socializados quando filhotes.

Em contrapartida, Renata acredita que o tutor bem consciente deverá sempre consultar o seu médico-veterinário de confiança para cada dúvida que tiver ou problema de saúde que seu animal de estimação apresentar. “Esta será sempre a melhor alternativa”, frisa. E em relação a esse período de fim de ano, a profissional cita que os motivos de abandono costumam ser as viagens de férias e comenta sobre o sofrimento de um animal abandonado: “É semelhante a quando nós, humanos, sofremos, especialmente porque, seja pelo tempo que o animal tenha passado com a família, ele cria laços com as pessoas com quem convivia e o afastamento pode ser arrebatador ao pet”, declara.

O abandono de qualquer espécie animal configura crimede acordo com a Lei Federal nº 9.605/98(Foto: reprodução)

Atenção ao negligente! Como dito por Renata, certamente, todo caso de maus-tratos comove qualquer amante de animais, mas existem casos em que a pessoa não oferece tudo aquilo que o pet precisa por pura falta de conhecimento. Aqui, cabe ao médico-veterinário assumir sua faceta de “educador”, e usar de um tempo importante da consulta para orientar o tutor sobre questões diversas, não se atendo apenas ao motivo que o trouxe ao consultório: “Muitos ainda desconhecem que existem vacinas polivalentes para serem incluídas no calendário vacinal, por exemplo, acreditando que, aplicando somente a vacina antirrábica, o animal esteja plenamente imunizado. Ou até pela falta de recursos, incluindo financeiros. Acredito que caiba, nestes casos, avaliações personalizadas e medidas idem”, comenta.

A veterinária informa que o Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP) realizou uma parceria com o Instituto de Criminalística de São Paulo, em outubro de 2019, com o intuito de se criar um IML Veterinário. “Esse serviço auxiliará a Medicina Veterinária Legal e seus técnicos a aprimorar todo o trabalho desenvolvido nos casos de crueldade animal. Ou seja, aos poucos, estamos progredindo em termos de políticas voltadas para o bem-estar animal e que abarquem o conceito de Saúde Única”, pondera.

Para o profissional que precisar acolher uma denúncia de maus-tratos, ou suspeitar, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) já disponibiliza no site da instituição um guia com as principais condutas a serem seguidas pelo médico-veterinário, disponível neste link.

É válido lembrar nessa reportagem que o abandono de qualquer espécie animal configura crime de acordo com a Lei Federal nº 9.605/98, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, alterada em set/2020, de acordo com o PL 1095, aumentando as penas cominadas aos crimes de maus-tratos em se tratando de cães e gatos.

E, se você, leitor, presenciar algum caso de abandono ou maus-tratos aos animais, os contatos indicados para realizar uma denúncia são: Ibama (0800 61 80 80), Disque Ambiente (0800 11 35 60), Disque Denúncia (181), Polícia Militar (190) e a Delegacia de Crimes contra Animais de SP (3337-5746 e 3331-8969).

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