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DIA DA SAÚDE E NUTRIÇÃO LEVANTA DEBATE SOBRE ALIMENTAÇÃO COMO PROPULSOR DE BEM-ESTAR E LONGEVIDADE

Médico-veterinário lembra que o fator da humanização acaba prejudicando a vitalidade dos pets

Cláudia Guimarães, da redação
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Boa alimentação vai além de satisfazer a fome. A dieta saudável deve incluir nutrientes essenciais para o bom funcionamento de todas as partes do corpo, o que influencia, também, no bem-estar e longevidade dos animais.

Os alimentos proporcionam elementos básicos para a vida dos humanos e com os pets não é diferente. Segundo o médico-veterinário da Clínica Alimentar Vet (São Paulo/SP) e especialista em nutrição, Leandro Zaine, com a falta de determinados nutrientes na alimentação, a função de todos os órgãos estará abaixo do ideal. “São, aproximadamente, 40 nutrientes diferentes que precisam ser atendidos na dieta e daí a importância de uma refeição completa. Antigamente falava-se que o alimento serve como remédio para evitar doenças ou até ajudar na cura de algumas enfermidades. Com uma alimentação adequada, esse dito torna-se real”, declara o profissional.

Para o animal manter a saúde em dia, o especialista diz que é importante o consumo de aminoácidos em geral, como a taurina que é especificamente para gatos e está relacionada à função do coração e da visão; a vitamina B, o cálcio e o fósforo para a composição dos ossos, além das vitaminas A e E para a saúde da pele. “É importante lembrar que todos os aminoácidos são responsáveis pela produção de proteína para o músculo e desenvolvimento do coração, por exemplo”, pontua.

O médico-veterinário ainda lembra que a humanização, comum nos dias atuais, acaba prejudicando a saúde dos pets. “Eu sempre falo que as pessoas têm facilidade de se colocar no lugar do outro quando é com um animal, mas quando é com outra pessoa, elas encontram dificuldades e isso não faz nenhum sentido, já que são espécies, comportamentos e necessidades fisiológicas diferentes”, expõe. Para o especialista, quando o tutor prepara a alimentação do pet, inconscientemente, pensa no que é bom para ele mesmo, como pessoa, e não para o animal. “Os erros mais comuns são: dar os alimentos para humanos ou adotar maus hábitos, como achar que o pet precisa comer toda hora, dar muitos petiscos e deixar que o animal controle os horários de refeições”, frisa Zaine, que destaca como alimentos mais tóxicos aos animais a cebola e o alho, temperos comuns, mas que podem causar anemia aos bichos, assim como a uva, por causar insuficiência renal, e o chocolate, capaz de causar problemas graves e levar o animal a óbito.

A Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet, São Paulo/SP), por sua vez, julga importante destacar que as rações industrializadas são chamadas de alimento completo por ter todos os nutrientes que os animais precisam. Já os alimentos humanos não são compatíveis com os pets e podem mexer com a flora intestinal dos mesmos.

A Abinpet também comenta que a falta de alimentação adequada, em quantidade e qualidade, pode causar diversas doenças aos animais e destaca a obesidade, diabetes, doenças cardíacas, renais, de pele, dificuldades no trato intestinal, baixa de imunidade e, em decorrência disso, a suscetibilidade a outras tantas doenças causadas por vírus e bactérias, como as principais delas. A entidade ainda lembra que algumas enfermidades podem, inclusive, serem transmitidas ao ser humano através do contato, causando um problema de saúde pública.

Um item que preocupa os profissionais da Medicina Veterinária é o aumento da tributação de rações para cães e gatos, que começa a valer a partir de maio deste ano. Para Zaine, é importante os médicos-veterinários orientarem os tutores, pois o alimento é a base da saúde do pet e, então, um alimento de boa qualidade é essencial. “Os fabricantes sérios, que se comprometem a produzir uma ração boa, fazem pesquisas para testar essa qualidade do alimento, avaliam se a composição nutricional está bem planejada, procuram novos ingredientes que possam trazer benefícios maiores ainda para a saúde”, declara.

Para o profissional, não existe forma adequada de alimentação no geral, o paciente deve ser sempre considerado como único e as pessoas devem buscar informações com base cientifica. “Hoje, na internet, tem tendências, muitas coisas que não tem embasamento teórico e que são recebidas como recomendadas para pessoas, na medicina e nutrição humana, mas cães e gatos são muito diferentes e merecem um cuidado que se enquadre às suas características para, assim, ter a garantia de uma vida mais longa e saudável”.

Dia da Saúde e Nutrição. O dia 31 de março marca a importância de se discutir a saúde e a nutrição tanto humana quanto dos animais. A coordenadora de Comunicação da Royal Canin (Descalvado/SP), Carla Pistori, acredita que a data é significativa porque, embora todo mundo saiba da importância de uma boa nutrição, nem sempre está no dia a dia e na mente do proprietário do cão e do gato a importância de uma nutrição de qualidade. A gerente de Assuntos Científicos da empresa, Carolina Padovani, considera a data como uma oportunidade para os profissionais da Medicina Veterinária comunicar os tutores que os pets, essenciais na vida do ser humano, também possui como essencialidade essa nutrição com boas peculiaridades.

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