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Dia de Combate: câncer de próstata atinge cães e gatos de meia idade a idosos

Proporcionar qualidade de vida, alimentação saudável e atividade física ao pet são formas de prevenir a doença

Cláudia Guimarães, em casa

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A próstata é uma pequena glândula localizada perto da bexiga dos machos. Ela faz parte do sistema reprodutor e tem como objetivo produzir alguns dos fluidos encontrados no liquido seminal, protegendo e nutrindo os espermatozoides. O cão é a única espécie, exceto a humana, que desenvolve espontaneamente o câncer de próstata, tema de nossa reportagem especial de hoje, Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata.

De acordo com o médico-veterinário, especializado em reprodução, obstetrícia e neonatologia de cães e gatos, Vinicius Ribeiro da Silva, os carcinomas prostáticos são localmente invasivos e metastatizam rapidamente nos linfonodos regionais (ilíacos, pélvicos e sub-lombares), nos pulmões e nos ossos. “Eles invadem frequentemente os ossos, a bexiga, o cólon e os tecidos adjacentes por meio de extensão direta. Além disso, outras áreas podem ser alvos de metástase, como: fígado, baço, rins, coração e glândulas adrenais. Quando presentes no tecido ósseo, podem promover dor ou fraturas patológicas”, informa.

A médica-veterinária e professora Tempo Integral do curso de Medicina Veterinária, da Universidade São Judas, responsável pelo setor de Diagnóstico por Imagem do Hovet da instituição, Daniela de Alcântara Leite dos Reis, adiciona que esses tumores são invasivos e podem se desenvolver dentro da uretra prostática, causando obstrução urinária. “Podem, também, comprimir o reto, causando obstruções intestinais e outra possível complicação é a invasão tumoral para dentro da bexiga”. A docente ainda cita que as neoplasias prostáticas são, geralmente, malignas, sendo comuns metástases ósseas (nos ossos da pelve principalmente) e nos pulmões.

O veterinário menciona os sinais clínicos de neoplasia prostática, que podem incluir perda de peso, claudicação ou fraqueza de membros pélvicos, tenesmo, disquezia, retenção ou incontinência urinária, estrangúria, disúria, poliúria, polidipsia, hematúria, edema de membros pélvicos e dores abdominais ou lombares. “Em caso de metástase pulmonar, pode ocorrer a manifestação de dispneia”, elenca.

Para diagnosticar a doença, Daniela explica que, primeiramente, é preciso observar os sinais clínicos que o animal acometido por essa enfermidade pode apresentar, já mencionados por Silva. “Durante o exame físico, por palpação retal, a próstata pode apresentar aumento de volume, nódulo e o animal pode apresentar bastante dor durante essa avaliação. Os exames de imagem, como a ultrassonografia, são muito importantes na avaliação da próstata e podem sugerir a presença do tumor, porém, o diagnóstico definitivo é realizado mediante a biopsia e realização de exame histopatológico”, elucida.

As neoplasias do sistema reprodutivo masculino de gatos são raras, segundo profissional (Foto: reprodução)

Susceptibilidade e prevenção

A incidência de neoplasias prostáticas nos cães e gatos, de acordo com o profissional, é baixa, todavia podem ser observados adenocarcinoma, carcinoma das células de transição, carcinoma das células escamosas, leiomiossarcoma e fibrossarcoma. “De forma rara, o linfoma também é descrito. As afecções da próstata atingem cães e gatos de meia idade a idosos, aparentemente sem predileção racial e, dentre as prostatopatias, a hiperplasia prostática benigna (HPB) é a alteração mais comum”, explica.

Na visão de Silva, é importante ressaltar que o termo “câncer” está relacionado com um crescimento celular maligno, de evolução rápida, desorganizada e levando a metástase comprometendo outras regiões. “Não há causas específicas conhecidas para o desenvolvimento do câncer de próstata em cães e gatos. Sabe-se que alterações genéticas que ocorrem durante toda a vida dos pets e um fator genético associado à senilidade são os pontos desencadeadores das neoplasias. Para o câncer de próstata não há uma predisposição racial reconhecida”, assegura. Daniela incrementa afirmando que as neoplasias do sistema reprodutivo masculino de gatos são raras.

Por isso, o profissional acredita ser importante adotar hábitos saudáveis, exercícios, alimentação balanceada e visitas periódicas ao médico-veterinário. “Adotar a Medicina Preventiva é colaborar com a saúde do animal e auxiliar na prevenção do câncer”, garante.

O veterinário especializado em reprodução menciona que o tratamento da neoplasia prostática consiste, inicialmente, em castração, terapia com estrogênio e terapia com antibióticos e AINEs (anti-inflamatórios não esteroidais). “Embora a castração possa ter um efeito benéfico nos sinais clínicos devido à redução do tamanho das glândulas, em última análise, não impactam no tempo de sobrevivência do animal. A redução do tamanho da próstata e, posteriormente, a melhora dos sinais clínicos pode ser, principalmente, devido à presença concomitante de hiperplasia prostática benigna em cães não castrados com neoplasia prostática. Prostatectomia total e a prostatectomia subtotal mostrou um impacto benéfico no tempo de sobrevivência dos animais, mas, principalmente, se não apenas, em casos sem metástase”, discorre.

Em resumo, o profissional declara que a castração não previne o câncer de próstata, já que a afecção pode ocorre tanto em cães inteiros como os cães castrados. “Porém, a castração pode prevenir outras doenças, como o cisto prostático, a prostatite bacteriana (infecção na próstata), o abcesso prostático (acúmulo de pus na próstata devido a inflamação ou infecção anterior) e a hiperplasia prostática benigna (HPB), caracterizada pelo aumento da próstata na idade mais avançada. Essas doenças não podem evoluir para um câncer, no entanto, causam desconforto e podem levar a quadros mais graves, se não tratadas”, insere.

Adotar a Medicina Preventiva é colaborar com a saúde do animal e auxiliar na prevenção do câncer (Foto: reprodução)

Um pet diagnosticado pode ser curado?

Segundo Silva, o diagnóstico de neoplasia prostática em cães, geralmente, ocorre de forma tardia, o que limita as opções de tratamento, bem como o sucesso terapêutico. “A radioterapia tem sido empregada na redução do tamanho prostático, no entanto, não aumenta a sobrevida destes animais. Protocolos quimioterápicos também não são bem-sucedidos no controle da neoplasia prostática em cães”, cita.

Então, Daniela reforça que o único tratamento para a neoplasia prostática em cães é o tratamento cirúrgico, onde a próstata é retirada total ou parcialmente (prostatectomia). “Porém, infelizmente, o prognóstico não é favorável, porque, geralmente, já é observada a presença de metástase antes que ocorra o diagnóstico. Em relação à quimioterapia, ainda não há relatos sobre sua efetividade”, compartilha.

Caso não se obtenha a cura da doença, o prognóstico de cães com neoplasia prostática é reservado a mau, ou seja, a probabilidade de melhora é pequena. “No estudo realizado por Bell et al. (1991), foi relatada a ocorrência de 76% de óbitos em cães 10 dias após o diagnóstico de neoplasia prostática”, indica.

Daniela também cita que não há dados publicados que comprovem o aumento do tempo de sobrevida após o tratamento cirúrgico (prostatectomia) em cães afetados. “O tempo de sobrevida de um cão diagnosticado com câncer prostático depende da presença ou ausência de metástases”, alerta.

Tendo em mente que a prevenção pode ser o melhor remédio, o veterinário destaca: “Proporcionar qualidade de vida, alimentação saudável e equilibrada, atividade física, como jogar bolinhas e passeio no parque, e check-ups periódicos, que incluem palpação retal nos animais, são dicas valiosas para prevenção dos problemas prostáticos e um diagnóstico precoce das neoplasias prostáticas, aumentando as chances de sucesso no tratamento e prognostico”, encerra.

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