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Destaques, Clínica e Nutrição

Doenças articulares comprometem bem-estar dos pets, principalmente no inverno

Veterinárias comentam os sinais dessas doenças e como diminuir a dor nos animais
Por Equipe Cães&Gatos
doenças articulares
Por Equipe Cães&Gatos

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Só quem tem ou já teve um animal com dor por conta de doenças articulares pode entender a rotina aflita de atenção e cuidados com esse pet. A médica-veterinária Técnica do Hospital Veterinário, da Universidade Feevale, Camila Gottlieb Lupion, explica que essas doenças nada mais são que afecções inflamatórias, infecciosas, neoplásicas, traumáticas e, principalmente, degenerativas, sendo mais comuns as osteoartrites.

Camila explica que as articulações são divididas em três grupos: “As fibrosas, que são aquelas que não possuem movimentação como a união entre os ossos do crânio; as cartilaginosas, que possuem pouca movimentação, como as articulações das vértebras da coluna; e as sinoviais, que são aquelas que possuem movimentação completa, como o joelho e o cotovelo. O grupo que apresenta maior incidência de alterações varia de acordo com a predisposição racial. Exemplo: um cão de grande porte, como o pastor alemão, tem maior predisposição a ter alterações nas articulações coxofemorais, ou seja, na articulação entre os membros pélvicos (pernas) e pelve (quadril)”, exemplifica.

Existem diversas causas que predispõem às doenças articulares, de acordo com Camila, como a senilidade, a genética, traumas, sobrepeso e obesidade, sedentarismo, anomalias na conformação articular, processos infecciosos, processos autoimunes, entre outras.

A médica-veterinária cirurgiã geral de tecidos moles e atendimento especializado em Ortopedia do +Pet, rede de hospitais e planos veterinários, Karynne Castilho Pimenta, indica quais são as doenças articulares mais comuns em cães e gatos: “Osteoartrite, doença degenerativa crônica que provoca desgaste articular levando a um quadro de dor e dificuldade de locomoção; displasia coxofemoral, doença de fator genético e ambiental que leva a um desgaste das articulações do acetábulo e a cabeça do fêmur, podendo evoluir de forma degenerativa, causando dor crônica e incapacitando o animal de se locomover; luxações de patela e ruptura de ligamento cruzado cranial, são doenças ocasionadas por uma frouxidão ligamentar ou rupturas, que levam a uma instabilidade articular e, consequentemente, inflamações e artroses; doença do disco intervertebral, onde ocorre uma degeneração do disco intervertebral, levando à sua extrusão ou protrusão, provocando uma compressão medular, o que pode levar o animal a uma paresia ou paralisia, afetando um ou os quatro membros do animal, dependendo da localização e grau de lesão provocada”.

Sinais de problema!

A veterinária Karynne declara que os animais acometidos por doenças articulares podem apresentar vermelhidão e edema em articulações, hipertermia, além de mudança no comportamento.

Camila adiciona que esses sinais clínicos são consequência da dor provocada pela doença articular, sendo a manifestação singular a cada espécie ou indivíduo. “Os sinais podem ser evidentes como a apresentação de claudicação (mancar) ou não apoiar o membro no chão, mas nem sempre será tão perceptível, principalmente em gatos que mascaram os sinais clínicos. Muitas vezes, as alterações são mais discretas, pois os animais podem apenas diminuir sua atividade física, deixar de subir nos móveis, evitar os saltos sobre obstáculos, apresentar cansaço fácil nos passeios, ter dificuldade para levantar quando estão deitados, apresentar apetite seletivo, exercer lambedura excessiva em extremidades dos membros ou nos locais que tem dor, tornar-se mais reativo e agressivo pela dor crônica, procurar esconderijos ou afastar-se do convívio familiar”, enumera.

Os sinais das doenças articulares podem ser evidentes, como a apresentação de claudicação (mancar) ou não apoiar o membro no chão (Foto: reprodução)

Inverno, o inimigo

Karynne menciona que, no frio, as dores articulares podem piorar devido a um possível aumento na vasoconstrição, diminuindo a quantidade de sangue que chega nas articulações, aumentando as contrações musculares e levando a um acúmulo de líquido nas articulações. Eduardo Mori adiciona que, outro ponto é que o líquido sinovial, que preenche e nutre a articulação, tende a ficar mais viscoso (espesso), favorecendo a dor articular. “Essas considerações são da Medicina e, nos pets, se comportam de forma similar”, afirma.

Camila acrescenta que essas condições são favorecidas no inverno, pois dias frios estimulam os animais a ficarem mais parados, gerando rigidez e contratura muscular que agravam a dor articular. “Manter os pets ativos e incentivar os exercícios físicos é o melhor modo para diminuir o desconforto desses animais. Além disso, mantê-los aquecidos com roupinha, cobertas na caminha e dentro de casa, protegidos do frio, são métodos para evitar que os efeitos danosos do inverno os prejudiquem”, insere.

Tratamento para as doenças

Segundo Camila, o tratamento para as doenças articulares é multimodal, ou seja, a combinação de diversas terapêuticas. “A dor pode ser aliviada por meio de medicamentos alopáticos como antiinflamatórios, medicamentos utilizados para dor crônica e dor aguda. A fisioterapia, combinada com exercícios guiados, aumentam a proteção da articulação por meio do reforço muscular, além disso, a fisioterapia produz analgesia sem o uso de medicamentos. Existem inovações ao tratamento, recentemente chegou ao Brasil a imunoterapia com anticorpos monoclonais. Uma única administração da solução inibe os sinais da dor por até quatro semanas”, indica.

A suplementação com protetores articulares, que são os regeneradores de cartilagens e estimulantes da produção de líquido sinovial, também geram benefício a longo prazo para evitar a progressão da doença, como comentado pela profissional. “Além de uma alimentação equilibrada, oferecendo qualidade nutricional para manter a saúde geral do paciente”, adiciona.

Camila ainda salienta que o manejo a domicílio também faz parte do tratamento, independente da afecção patológica. “Modular o chão evitando que esteja escorregadio através de tapetes ou pisos antiderrapantes no dia a dia e até mesmo no momento do banho. Os potes de alimentação e bebedouros devem ser elevados para evitar o desnível da coluna. A utilização de rampas para evitar subir e descer degraus ou saltos aos sofás e camas, evitando assim a sobrecarga articular e o desnível da coluna”, destaca.

Para Karinne, o controle da dor destes pacientes é um desafio aos veterinários, pois, além da dificuldade em estadiar a dor no animal, muitas vezes, para um controle adequado, o veterinário precisa de uma terapia multimodal na associação de medicações, como mencionado anteriormente, para uma melhor resposta analgésica. “Dessa forma, podemos ter dificuldades tanto na administração das medicações, quanto na aceitação do pet. Outro fator também relevante é o custo que pode levar à uma não adesão do tutor ao tratamento, principalmente pensando em que, para um bom tratamento, uma equipe multidisciplinar é indicada por trazer grandes benefícios, associando terapias medicamentosas, especialistas em áreas diversas e terapias alternativas”, finaliza.

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