Muitos tutores de pets já se deparam com o roncar enquanto os animais estão dormindo. Essa condição, muitas vezes, considerada engraçada por alguns, na realidade, pode ser sinal de problemas de saúde.
A médica-veterinária especializada em cirurgia geral e cirurgia reconstrutiva da Hospital Veterinário Taquaral, Eliane Benati, explica que o ronco em cães e gatos é causado, principalmente, pela obstrução parcial das vias aéreas superiores, ou seja, nariz, garganta e faringe.
Segundo ela, em cães as causas mais comuns são:
- Síndrome braquicefálica: animais de focinho curto, como pugs, bulldogs e shih-tzus, têm uma anatomia peculiar que os predispõe ao ronco. Suas narinas são mais estreitas, o palato mole é mais alongado e a traqueia pode ser mais estreita que o normal, dificultando a passagem do ar;
- Obesidade: o excesso de peso causa acúmulo de gordura ao redor da garganta e pescoço, pressionando as vias aéreas e tornando a respiração mais difícil;
- Alergias e irritações: poeira, fumaça ou pólen podem irritar as vias aéreas e predispor a inchaço;
- Pólipos e tumores: crescimentos anormais no nariz ou garganta podem bloquear o fluxo de ar;
- Infecções respiratórias: infecções bacterianas ou virais podem causar inflamação e acúmulo de muco;
- Presença de corpo estranho: mesmo um objeto pequeno preso no nariz ou na garganta pode ser uma causa dos ruídos.
“Nos gatos as causas são semelhantes às dos cães, mas existem algumas particularidades. Neles problemas dentários, como inflamações ou abscessos nas raízes dos dentes, podem se estender para as cavidades nasais e causar inchaço. Os pólipos nasofaríngeos também são muito relacionados a ronco nos felinos”, esclarece.
O que é “normal” e o que não é?
Por mais que o ronco não seja algo esperado em cães e gatos, em algumas situações pode ser considerado normal.
Eliane comenta que o ronco regular, geralmente, é leve, ocasional e pode ocorrer, na maioria das vezes, durante o sono, não estando associado a outros sintomas.
“É comum em cães e gatos braquicefálicos, mas mesmo nesses casos, se for muito alto ou contínuo, pode ser um sinal de alerta”, relata.
Com isso, de acordo com a profissional, os tutores devem desconfiar que tem algo errado quando o ruído é alto e intenso, está acompanhado de engasgos, falta de ar, respiração ruidosa mesmo quando o animal está acordado ou apneia, que são paradas momentâneas da respiração.
“Se o animal estiver ofegante com facilidade ou mostrar intolerância a exercícios, mudar de comportamento, ficar mais letárgico, com pouco apetite e houver secreção nasal ou tosse é importante buscar orientação veterinária”, pontua.

Como diagnosticar?
Para chegar a uma conclusão dos motivos pelo qual o pet está roncando podem ser realizados alguns exames.
A médica-veterinária afirma que, para começar, deve-se fazer um exame físico completo, incluindo a observação da respiração, a ausculta do coração e dos pulmões e a inspeção da boca e garganta.
“Exames simples, como hemograma, são úteis para identificar possíveis quadros infecciosos, enquanto os de imagem, como a radiografia, são ótimos para uma triagem inicial. Por outro lado, exames avançados, como rinoscopia e broncoscopia ou até mesmo a tomografia computadorizada, são excelentes para a confirmação de diagnósticos em alguns casos”, exemplifica.
Além disso, essas técnicas ajudam a descartar diagnósticos diferenciais, como doenças metabólicas, quadros alérgicos, presença de tumores, infecções respiratórias, corpos estranhos e até colapso de traqueia.
É possível tratar?
Eliane explica que o tratamento do ronco em pets depende da causa. Se a condição estiver relacionada a obesidade, a principal medida é a perda de peso através de dieta adequada e exercícios.
“Se a causa for a Síndrome Braquicefálica o tratamento é cirúrgico. A cirurgia mais comum é a palatoplastia e a rinoplastia ou, em alguns casos, a correção concomitante da eversão dos sacos laríngeos. Por outro lado, se o motivo forem pólipos ou tumores, o tratamento pode ser a remoção cirúrgica do crescimento”, conta.
Para complementar, ela relata que em causas infecciosas o uso de antibióticos pode ser necessário e para as alérgicas é indicado eliminar o alérgeno da rotina do animal e administrar antialérgicos ou anti-inflamatórios para alívio dos sintomas.
“É importante ressaltar que o ronco nunca deve ser ignorado, principalmente se houver outros sintomas associados. O ideal é sempre buscar a orientação de um médico-veterinário para um diagnóstico correto e um plano de tratamento adequado”, finaliza.
FAQ sobre o roncar dos pets
É comum que os pets comecem a roncar mais conforme ficam idosos?
Sim, conforme os cães e gatos vão envelhecendo é comum que ronquem mais ou comecem a roncar. Isso acontece por vários motivos, como progressão de doenças periodontais, surgimento de pólipos ou tumores nasais, perda de tônus muscular e aumento do peso.
Por que pets que não roncavam podem começar a roncar?
Sempre que um pet que não roncava começa a roncar é indicativo de que algo mudou em seu organismo. As possíveis causas para essa mudança são ganho de peso, desenvolvimento de alergias, início de infecções ou inflamações respiratórias, crescimento de pólipos ou tumores oro nasais e até mesmo progressão da idade.
Existem raças mais predispostas a roncar?
Por conta das características anatômicas, cães e gatos braquicefálicos são os mais predispostos a roncar.
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