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ENSINO À DISTÂNCIA TAMBÉM APRESENTA PONTOS NEGATIVOS PARA A FORMAÇÃO DE MÉDICOS-VETERINÁRIOS

Algumas instituições utilizam o EAD para diminuir os custos com professores presenciais

Cláudia Guimarães, da redação

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O uso de tecnologias e meios de informação e comunicação sustentam a aprendizagem à distância. O acesso é flexível e estudantes e professores desenvolvem atividades em lugares e tempos diversos, porém com o mesmo objetivo: a conclusão de um curso com o melhor aproveitamento possível de seu conteúdo.

Porém, considerando que uma boa formação é essencial para a qualidade do exercício profissional do médico-veterinário, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV, Brasília/DF) defende que algumas disciplinas dos cursos de graduação em Medicina Veterinária devem ser ministradas exclusivamente sob a modalidade presencial dentro das universidades.

O professor de Clínica Veterinária, na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, da Universidade Estadual Paulista, (FMVZ, Unesp, Botucatu/SP), e membro da Comissão Nacional de Educação da Medicina Veterinária do CFMV, Rogério Martins Amorim, conta que o CFMV enxerga como uma ferramenta pedagógica, que quando bem utilizada, pode agregar qualidade para a formação do médico-veterinário. Ele encara como pontos positivos o fato de ser possível destacar a capacidade de difusão do conhecimento, atingindo um maior número de estudantes, além da transposição de barreiras geográficas e custos mais baixos. “Por outro lado, existem limitações inerentes, como o desenvolvimento de habilidades manuais, dos órgãos do sentido, da percepção, interação social presencial, dentre outras”, insere. O problema, para ele, é quando o EAD é utilizado incorretamente sem um número adequado de orientadores para esclarecer as dúvidas ou sem um bom sistema de avaliação do aprendizado.

Outra questão destacada por Amorim é que os membros da Comissão Nacional de Educação têm observado a intenção de algumas instituições de ensino em utilizar o EAD como forma de diminuir os custos com professores presenciais. “Não podemos abrir mão de tecnologias com potencial de modificar a difusão do conhecimento, mas temos que entender que é um processo de transição que deve ser realizado gradativamente e sempre com o objetivo de melhorar a qualidade do ensino”, defende.

Para o profissional, atualmente, no Brasil, a maioria das disciplinas dos cursos de Medicina Veterinária não deveria ser ministrada exclusivamente à distância. De um modo geral, para ele, toda disciplina que objetiva desenvolver habilidades práticas deveria ser presencial, por exemplo, semiologia/clínicas, técnica cirúrgica/cirurgia, anestesiologia, patologia clínica, entre outras. “Contudo, consideramos fundamental a discussão deste tema com os professores das diversas disciplinas dos cursos para elaborarmos uma proposta de quais disciplinas poderiam ser oferecidas exclusivamente em forma de EAD”.

Fundamental é como Amorim encara a presença da figura de um professor experiente em um mesmo ambiente de atividades dos alunos. “Um dos principais objetivos de um bom professor é estimular o aluno. Presencialmente ele tem mais chances de atingir este objetivo”, pondera.

Além da necessidade de priorizar algumas disciplinas como presenciais, o CFMV também acredita que as diretrizes de educação devem ser atualizadas, já que novos paradigmas da formação profissional foram incorporados e muitas graduações ainda não dispõem deste avanço. O professor diz que na proposta de atualização do Conselho, os cursos deverão estabelecer ações pedagógicas com base no desenvolvimento de condutas e de atitudes com responsabilidade técnica e social.

O profissional ainda cita os princípios básicos que as aulas devem apresentar: “O respeito ao bem-estar animal, a sustentabilidade ambiental, a observância da ética e o atendimento às expectativas humanas e sociais no exercício das atividades profissionais”. Já em termos de competências e habilidades, a proposta de atualização explicita a necessidade do médico-veterinário ter formação em áreas de atuação como bem-estar animal, meio ambiente, zoonoses, epidemiologia, defesa animal, inspeção de produtos de origem animal, psicultura, apicultura (envolvendo, principalmente, o diagnóstico e tratamento das enfermidades que acometem estas espécies), animais de laboratório, entre outras.

Amorim enumera o que, para o CFMV, está em falta e deve ser incorporado dentro das graduações de Medicina Veterinária durante os próximos anos: “Temas relacionados com zoonoses, doenças emergentes e exóticas, bioterrorismo, saúde alimentar e ambiental, patologia de peixes, abelhas, bioterismo e biotecnologia em geral”.

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