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Etapa do método CED, marcação na orelha de gatos não se configura mutilação

Profissionais defendem técnica que é alvo de ativistas da causa animal: “Falta educação ambiental”

Cláudia Guimarães, em casa

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A castração é um procedimento muito importante para a saúde de cães e gatos, que contribui para a prevenção de doenças, diminuição do hábito de marcar território, gestações indesejadas, entre outras coisas que também impactam a Saúde Pública. Mas, e quanto aos animais em situação de rua, como é possível identificar os que já estão esterilizados? É aí que entra um dos procedimentos realizados dentro do método CED.

Já falamos sobre o método por aqui, mas, se você ainda não viu, a sigla CED significa capturar, esterilizar e devolver os animais aos ambientes urbanos e, na maioria das vezes, o procedimento visa gatos semi-ferais e abandonados. A fim de evitar que o mesmo animal já castrado passe por todo o estresse – novamente – de captura, ida à clínica e sedação, os médicos-veterinários que realizam a castração dentro do CED fazem um “picote” em uma das orelhas, enquanto o animal ainda está inconsciente. Essa “marcação” serve para identificar os que já passaram pelo procedimento, mesmo que à longa distância.

O gestor ambiental, especialista em tratamento ecologicamente correto de ambientes com presença de gatos domésticos de vida livre, Eduardo Pedroso, comenta que cada etapa do método CED cumpre um protocolo. “A marcação de orelha está inserida na segunda etapa: a esterilização. É durante esse procedimento que o médico-veterinário utiliza uma tesoura cirúrgica para fazer um corte reto de meio centímetro na orelha do gato, esse corte deve ser feito do topo para a base da orelha. Essa é a convenção internacional para gatos de vida livre que passam pelo processo de captura, esterilização e devolução”, aponta.

“Marcação” serve para identificar os gatos que já passaram pelo método CED, mesmo que à longa distância (Foto: reprodução)

Marcação é mutilação?

O profissional destaca que, apesar de alguns ativistas da causa animal apontarem o procedimento como maus-tratos e mutilação, o animal não sente nenhuma dor. “Ele está anestesiado para a cirurgia de castração. Além disso, o corte é feito em área pouco vascularizada e a cicatrização é muito rápida”, esclarece.

Na opinião do profissional, essa etapa ainda gera polêmica por falta de educação ambiental. “O método CED, apesar de ter ganhado notoriedade nos últimos anos, ainda é desconhecido por uma boa parte da proteção animal. Algo engraçado: as pessoas que acusam a marcação de orelha de mutilação não percebem que a castração consiste na extirpação de útero e ovário das fêmeas e as ‘bolinhas’ do macho. Não seria isso, também, para eles, uma forma de mutilação?”, compara.

Para ele, criminalizar o método CED significa ter um aumento substancial da população de gatos de vida livre, impactando negativamente a Saúde Pública, a vida silvestre e o bem-estar animal. “Um exemplo disso foi, em maio deste ano, um ofício que a Prefeitura de Ilhabela (SP) recebeu de um deputado estadual, cobrando explicações a respeito de suposta mutilação causada por procedimentos efetuados pelo Centro de Referência Animal (CRA) do município. Não se trata de mutilação, mas, sim, do protocolo do método CED em sua segunda etapa. É muito triste observar que um político eleito com votos da proteção animal faça um desserviço desse tamanho para o meio ambiente”, lamenta.

O corte, na visão dos profissionais, é valido, porque inibe o estresse de capturar o animal mais de uma vez sem necessidade (Foto: reprodução)

A médica-veterinária Keila Jimenez Torrico também observa que, geralmente, qualquer coisa relacionada aos animais é apontada, pelos protetores, como maus-tratos, mesmo que não tenham conhecimento da técnica envolvida nos procedimentos. “Também sou a favor da marcação na orelha de gatos, principalmente em cidades pequenas, onde não há divulgação de trabalhos de ONGs fortes. Por exemplo, em Osasco (SP), onde estou, raramente, vejo casos de gatos que são castrados pelas ONGs e que voltam para a rua. A maioria é castrada, vacinada e vai para adoção, além de receberem microchip”, compartilha.

Mas, em casos que os animais precisam voltar para as ruas, a veterinária reforça considerar válida a marcação. “Principalmente em comunidades mais carentes onde não há muito recurso e que são muito distantes dos grandes centros, até porque, não há outro tipo de identificação para o gato que vai voltar para a rua, sem passar por uma sequência de processo de adoção. O corte é valido, porque inibe o estresse de capturar o animal mais de uma vez sem necessidade. Mesmo que ele seja microchipado, precisa ser capturado e sedado para passar o leitor no implante”, frisa.

Como destacado pela profissional, os cortes para marcação dentro do procedimento CED são muito pequenos, finos e suaves e são feitos com animal sedado. “Por isso, não entraria em maus-tratos nem mutilação, tanto que essa técnica e feita em vários países. No Japão, por exemplo, existe um tipo de marcação em formato de triângulo. Há vários tipos de demarcação e todas trazem o mesmo benefício aos gatos e para quem realiza o CED”, finaliza.

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