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GATO DOENTE? ESPECIALISTAS MOSTRAM QUAL O MELHOR MANEJO TERAPÊUTICO

No Dia Mundial do Gato, lembramos que comunicação e confiança valem ouro

No Dia Mundial do Gato, lembramos que comunicação e confiança valem ouro

Cláudia Guimarães, da redação

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Não se trata mais de um fato desconhecido: todos sabemos que gatos apresentam particularidades físicas e, principalmente, emocionais. Portanto, neste Dia Mundial do Gato, a C&G VF conversou com profissionais que orientam como os médicos-veterinários devem instruir os tutores para realizar o manejo adequado do animal em casa, propiciando, assim, em felinos adoentados, por exemplo, uma melhora rápida.

O veterinário mestre e doutor em Ciências Veterinárias, além de sócio proprietário da Clínica Exclusiva para Gatos: The Cat from Ipanema (Rio de Janeiro/RJ), Carlos Gabriel Dias, comenta que as técnicas reconhecidas em revistas e publicações científicas mostram que todas as abordagens que envolvem a captura, transporte do animal em viagem, permanência na clínica e o retorno para casa são situações potencialmente ameaçadoras para os gatos.

Segundo Dias, dotados de grande impulso para o controle ambiental, diante de situações desafiadoras, os felinos reagem de forma importante por meio da ativação do sistema nervoso simpático. “Gatos experienciam emoções negativas diante do desafio do desconhecido. Perante essas situações, passam a apresentar mudanças hemodinâmicas que o capacitam para a fuga ou o enfrentamento”, disserta.

O profissional menciona que os gatos, quando doentes, tornam-se pacientes felinos e explica: “Sob o ponto de vista neurobiológico, gatos ameaçados, física ou emocionalmente, tornam-se vítimas vulneráveis de seus astutos predadores. O que passa pela cabeça do animal quando ele está doente é uma preocupação. Contudo, a imobilização, procedimentos acompanhados de sondas e cateteres, curativos imobilizantes, objetos perfurantes, entre outros, podem modificar seu comportamento habitual”, cita.

Imobilizações de articulações também são estressantes a essa espécie, ou seja, cirurgias que “mutilam” o pet, roupas cirúrgicas, colar elisabetano e outras situações, como luzes fortes e barulhos altos, causam grandes desconfortos ao animal, conforme descrito por Dias. “Portanto, dicas de ouro ao tutor: não perseguir ou capturar os gatos para oferecer medicação, fazer um curativo ou qualquer outro manejo que tenha sido terapeuticamente sugerido.  Aplicação de produtos devem ser sempre cautelosas, principalmente aqueles que é reconhecido o seu desconforto de uso, como spray (por conta do barulho), álcool 70% (pelo cheiro e temperatura) e esparadrapo micropore (para evitar um desconforto desnecessário)”, argumenta.

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Tutor não deve tirar as quatro patas de apoio da superfícieno momento de administrar um medicamento (Foto: reprodução)

Como oferecer um comprimido? Diante da necessidade de oferecer um medicamento a esses animais, a acadêmica de Medicina Veterinária, da Universidade do Grande Rio (Unigranrio, Duque de Caxias/RJ), Bruna Oliveira, afirma que o veterinário deve avaliar individualmente o perfil emocional e comportamental de cada paciente para repassar ao tutor. “Muitos gatos irão tolerar muitas coisas, quando comparados a outros que comportam-se de maneira pouco colaborativa e até agressiva diante dos desafios da terapêutica no domicílio. Podemos sempre adaptar o veículo da medicação para que o animal possa se ajudar em acordo com suas limitações emocionais ou mesmo levando em consideração a experiência dos responsáveis pelos pets”.

Sendo assim, Bruna considera que as farmácias de manipulação representam um importante aliado na prescrição de princípios ativos em veículos que possam ser mais individualizados (textura, odor e sabor). “Por exemplo, antibiótico ou anti-inflamatório com veículo líquido sabor carne ou, o preferido da minha primeira gata, azeitona”, adiciona.

Dias também lembra que o proprietário, prestes a oferecer o remédio, deve estar atendo à angulação do trato gastroentérico inicial e ter o auxílio de água ou lubrificação. “Lembrando da importância de não utilizar óleo azeite por conta da possibilidade de aspiração crônica de microgoticulas, causando pneumonia lipídica no paciente”, destaca.

Manejo domiciliar. Para isso, como ensina Dias, é necessário descartar tudo que representa ameaça ao animal, sendo que o proprietário deve evitar segurar vigorosamente o gato todo por conta da ameaça da perda de controle, retirar os quatro apoios do pet de uma superfície segura e estável. Os gatos acima de 11 anos, segundo ele, também podem apresentar dor articular, aumentando o desconforto da manipulação “bem intencionada”.

Os curativos também não devem ser colocados com muita tensão para não causar garroteamento e desconforto. “Outro ponto: misturar remédios na comida e na água é, definitivamente, um tiro no pé, pois, assim, o tutor está deixando uma lembrança ruim sobre coisas importantes para o animal que são os atos de se alimentar e se hidratar. O proprietário acredita que conseguirá enganar o felino, mas eles possuem sensibilidade sensorial acima de 8 vezes mais que os seres humanos”, revela.

Desta forma, tudo se trata de discutir a melhor forma de conduzir as tomadas de decisão entre veterinário, tutor e animal, na visão de Bruna: “Um gato pouco colaborativo ou mesmo feral (aquele que sente-se muito ameaçado na presença de seres humanos) deve ser avaliado quanto ao impacto emocional de medidas que deverão representar importantes ameaças. Tais como limitação, dor, compressão, odores e manipulações excessivas que poderão aumentar a chance de episódios de agressividade e desconfortos emocionais que repercute na saúde física e, consequentemente, na recuperação do quadro clínico e ou cirúrgico”, discorre.

A importância do manejo adequado oferecido pelo tutor na recuperação de um animal adoentado depende, também, da construção emocional do indivíduo, para o acadêmico de Medicina Veterinária, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ, Seropédica/RJ), George Souto. “Tudo varia diante da blindagem emocional, física e farmacológica do paciente por meio das técnicas cat friendly e manejo domiciliar. Gatos confinados em ambientes superpopulosos ou com qualidade higiênica sanitária ruim poderão ter mais chances de vivenciarem desconfortos importantes”, indica.

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Veterinários ensinam a não perseguir o gato, para que ele nãotenha medo e, então, demonstre agressividade (Foto: reprodução)

Confiança é o x da questão. Se o animal confia e sente-se seguro próximo ao tutor, todas as manipulações e prescrições deverão ser aceitas com tranquilidade pelo paciente, de acordo com Souto. “Gatos que já estão predispostos para frustração, ansiedade e emoções negativas, frente a ameaças representadas pelas condutas veterinárias e do domicílio, poderão se comportar de forma agressiva. Já aqueles portadores de doenças subclínicas ou microrganismos que estão em fase quiescente, poderão aumentar sua população e potencial de causarem danos após um episódio do estresse”, assegura.

Essa segurança também deve ser passada do veterinário ao tutor, como pensa o acadêmico, que ainda considera de extrema importância abordar este tema em consultas não só nos dias comemorativos em relação à espécie, mas, sim, em todas as visitas do cliente e paciente. “A divulgação de informações, o que estamos chamando de educação continuada, para os responsáveis pelos gatos poderão aumentar a chance de cuidarem e se relacionarem com seus gatos de uma maneira mais proveitosa, com maior chance de qualidade de vida para ambos. Isso, então, é um presente para os gatos”, pondera.

Carlos

Bruna

George

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