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ESPECIALISTA EM COMPORTAMENTO ANALISA PERFIS DE TUTORES DE GATOS

Segundo Daniela Ramos, os responsáveis por felinos são muitos mais atentos às mudanças de comportamento dos animais

Segundo Daniela Ramos, os responsáveis por felinos são muitos mais atentos às mudanças de comportamento dos animais

Wellington Torres, em casa

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Adotados como animais de companhia desde o antigo Egito, os gatos, mesmo que não recebam o título de melhor amigo do homem, sempre se mostraram presentes ao desenrolar de nossa história. Contudo, nessas transições, alguns estereótipos foram criados popularmente para definir quem são os cuidadores destes animais. Mas qual seria a funcionalidade disso?

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Culturalmente, a importância felina no Egito era tão grande que uma das principais divindides era representada por um animal da espécie  (Foto: reprodução)

De acordo com a especialista em comportamento animal, Daniela Ramos, a análise de possíveis perfis para os tutores de gatos vêm sendo muito debatida na área da Medicina Veterinária comportamental. Segundo ela, isso tem ocorrido, pois, identificar, de alguma maneira prévia características do tutor, facilitará os desdobramentos na relação entre profissional e cuidador na busca pelo melhor à saúde do felino.

“Embora não sejamos psicólogos dos cuidadores, podemos dizer que, de alguma maneira, somos psicólogos ou psiquiatras dos pets, então, precisamos ter uma proximidade e desenvolver uma intensa conexão com o tutor”, explica a especialista.

Para ela, ao contrário do que possam imaginar ao ouvir o termo “veterinário comportamentalista”, os animais não são postos em um divã, onde, dali, será extraído causas e problemas. Por isso, estar caminhando lado a lado ao cuidador do animal se faz necessário. “Toda informação sobre como aquele animal está se comportando, como provavelmente ele está se sentindo, vem do tutor. Então, em uma consulta, realizada geralmente na residência do pet, conheceremos o tutor e o animal pela primeira vez. Nisso, temos que desenvolver uma afinidade num curto período de tempo para entender o gato e a vida dele e só o tutor poderá relatar tudo”, afirma a veterinária.

Segundo os dados mais recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os gatos se tornaram os animais de estimação com maior crescimento populacional ao passar dos anos em território brasileiro, com uma taxa de 8% ao ano.  Número que representa um pouco mais que o dobro ao comparado à população de cães, o que intensifica essa necessidade exposta pela especialista.

Aos estereótipos, Daniela Ramos brinca que, durante muito tempo, o tutor de gato foi reconhecido, erroneamente, por aquelas personagens caricatas de filmes, comumente representadas por senhoras sozinhas e acompanhadas por inúmeros animais, as “crazy cat mom’s”. No entanto, o possível perfil vai muito além de uma mera idealização. De acordo com a comportamentalista, que utiliza como base novos estudos produzidos acerca do tema em países, como os Estados Unidos e Inglaterra, as análises revelam algumas curiosidades muito importantes sobre esse grupo.

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Crazy cat mom’s foi um estereótipo criado comodefinição aos tutores de gatos (foto: reprodução)

“Cada vez mais nós vemos famílias compostas por mulheres sozinhas (um número maior do que o de homens), famílias mistas, com crianças e grandes grupos. Assim como maior representatividade de cuidadores em faixas etárias menores do que 60 anos, ao contrário do estereótipo”, relata, complementando que um nível educacional superior também foi consideravelmente notado, o que é importante para as tratativas dadas aos animais de companhia.

Ainda segundo a especialista, o atual tutor do gato também disponibiliza mais tempo ao animal, ação que auxilia no temperamento do felino, já que vários estudos apontam que a principal causa de abandono de gatos é decorrente de peculiaridades comportamentais. “Os tutores de gatos são muito mais pacientes quando comparados aos tutores de cães. É provado por estudo que o período de tolerância no tratamento com as espécies chega e diferir por anos. Assim como o atual tutor tem apresentado características bem pontuais, se mostrando atento aos diversos comportamentos, com uma tendência maior na organização dentro da residência para tratá-lo. Coisas que facilitam o nosso atendimento”, comenta.

Entre as características, uma pesquisa foi publicada em 2010, segundo Daniela, e o material concluiu que um perfil específico seria impossível de ser viabilizado, mas levantou alguns pontos facilitadores ao compreendimento. Nessa pesquisa, foram atribuídos cinco aspectos característicos aos tutores, como a abertura ao novo, extroversão, conscienciosidade (quão autoconsciente o indivíduo é), instabilidade ou neuroticismo, que, segundo relata a comportamentalista, “infelizmente isso caiu na mídia como o quanto neurótico você é e não tem nada a ver com isso, e, sim, sobre como você trabalha com as suas emoções” e, por último, a amigabilidade.

Mas e no atendimento. Como eles (os tutores), se comportam? De acordo com a especialista em comportamento animal, a conversa com um tutor de gato tem sido muito mais detalhada. “Quando perguntamos como está o animal, é muito mais fácil identificar detalhes, pois são expostos com clareza, junto de observações. Há muita paciência e persistência atribuída ao relacionamento entre as partes”, levanta.

Tutores de gatos se mostram mais atentos às mudanças de comportamento do animal (Foto: reprodução)

“Uma curiosidade dos tutores de gatos aqui no Brasil, é que eles consideram os médicos-veterinários como as primeiras fontes a serem consultadas, seguindo da internet e, para alguns assuntos, tais como nutrição, controle de peso, educação animal e comportamento, a procura pela internet chega a ser quase maior que pelo veterinário. Isso demonstra que está faltando espaço para a conversa entre o profissional e o tutor, o que nós comportamentalistas devemos dar prioridade”, lembra Daniela.

Para ela, os tutores de gatos não querem só conversar, a forma em que a comunicação se dá com o veterinário se mostra muito importante. “Para o tutor de felinos é necessário que haja sempre a conversa olho no olho, que a forma de se falar seja mais direta e de fácil compreendimento. Isso faz toda a diferença na adesão e no quanto ele vai enxergar a capacidade do profissional que atenderá o seu companheiro de quatro patas”, finaliza. 

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Diante da necessidade de integração entre o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) e o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), foi criado Grupo de Trabalho (GT) com o objetivo de mapear, analisar e sugerir a revisão ou a edição de legislação relacionada ao uso de animais em laboratórios nas atividades de ensino e pesquisa. Para organizar os trabalhos, o GT realizou sua primeira reunião dia 26 de maio e agendou o próximo encontro para o dia 10 de junho. O Concea é um órgão integrante do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, responsável por formular as regras para a utilização humanitária de animais com finalidade de ensino ou pesquisa científica, assegurando tratamento digno e ético. O GT do CFMV conta quatro membros do Concea, inclusive sua coordenadora, a médica-veterinária Ekaterina Akimovna Botovchenco Rivera. Bem-estar animal. Para propor diretrizes de regulamentação relacionadas ao bem-estar animal, o CFMV recriou a Comissão Nacional de Bem-Estar Animal (Cobea), que também deverá revisar e propor a atualização e harmonização da legislação sobre o tema. A comissão ainda deverá apresentar posicionamento técnico e analisar demandas e necessidades dos Conselhos Regionais de Medicina Veterinária (CRMVs). Relacionamento político. Para assessorar a diretoria e a plenária, o CFMV recriou, ainda, a Câmara Técnica de Medicina Veterinária. Seu papel é político-institucional, propondo políticas de atuação profissional e regulamentações relacionadas ao ensino da Medicina Veterinária. O grupo tem, além disso, a missão de sugerir a formalização de parcerias com entidades públicas ou privadas, nacionais e internacionais, relacionadas à Medicina Veterinária. Fonte: CFMV, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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