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Aproximação de brasileiros com cães e gatos é algo cultural e remete às necessidades passadas

Médico-veterinário comenta sobre a importância dos animais de companhia e outros no Brasil

Wellington Torres, de casa

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O apreço pela companhia dos animais é algo que discorre a história humana. Seja os mais comuns, como cães e gatos nas Américas, as vacas na Índia e, até mesmo, os felinos de grande porte no Oriente Médio, eles estão sempre por perto. Para lembrar a importância disso, de acordo com as respectivas culturas, no dia de hoje, 14 de março, é comemorado o Dia Nacional dos Animais.

Em território brasileiro, como destaca a Comissão de Animais de Companhia (Comac), do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), em sua mais recente pesquisa Radar Pet, referente ao ano de 2020, cerca de 53% dos domicílios brasileiros contam com cães ou gatos. Dentro desse percentual, 44% são habitados por cães e 21% por gatos, contudo, o número referente aos felinos tende a crescer – e bem depressa. Mas como surgiu essa aproximação por aqui?

De acordo com o médico-veterinário, Junior Soares, especializado em Clínica e Cirurgia de Animais Exóticos, a relação da população brasileira com os pets, ao todo, por exemplo, tem se tornado cada vez mais próxima por conta de alguns motivos. “Ao que consigo ver pela vivência clínica, os pets vêm ocupando lugares de aproximação e afeto, às vezes, de um filho, de um irmão e de próprio pet, mas de maneira muito mais ampliada, quando comparamos há anos. O animal de companhia passou a ter muita prioridade dentro das famílias”, explica.

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Segundo pesquisa, expressão “cão de guarda” surgiu no início da relação entre homens e lobos (Foto: reprodução)

Perante os cães e gatos, o profissional destaca que há duas coisas que podem ser responsáveis pela maior quantidade das espécies no País. Primeiro de tudo, é o tipo de carinho que esses animais retribuem aos cuidadores. “Acredito que isso é muito importante, pois, assim, temos um animal com expressão afetuosa que é muito mais característica da espécie, como receber o tutor com o rabo abanando e a excitação em ouvir sua voz. Esses atos geram a sensação de carinho e amor”, conta Soares.

Por segundo, a questão da vivência. “Estamos num País onde é muito cultural você ter cães, em especial, os nossos avós, por exemplo, tinham o pensamento de tê-los para cuidar da casa, assim como para um gato, que era lhe dada a função de ajudar a evitar alguma praga, algum roedor que poderia entrar na residência”, informa o profissional, pautando que ações e pensamentos como estes, de certa forma, moldaram a preferência dos brasileiros.

Além de fazer companhia, ter um animal possui importância, segundo o médico-veterinário, comprovada cientificamente. Ter um animal por perto, criar essa responsabilidade, é uma ação benéfica para diversas fases da vida. Quando criança, estimula responsabilidade e cuidado; quando adulto, sana a necessidade de uma companhia; e quando mais velho, sana a necessidade de uma companhia compreensível, já que o animal tende a fazer parte de um círculo que ele compreende, do qual ele cresceu, sendo assim, lidará melhor com um idoso”, informa o veterinário, complementando que os benefícios de ter pets “estão ligados ao prazer e à qualidade de vida”.

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Recente levantamento do Instituto Pet Brasil aponta que presença de gatos em lares brasileiros deve superar a de cães (Foto: reprodução)

Barreiras chamadas cultura. Quando questionado sobre outros animais, como àqueles que, aqui no Brasil, são considerados de consumo ou ‘criação’, ele destaca que a diferença está na imagem que estes animais possuem perante a sociedade. “Normalmente, eles são criados, desde a gestão, com a finalidade de produção, por isso, acabamos por criar um bloqueio que impossibilita ter um apego pet”, salienta o médico-veterinário ao reforçar o que a função deles, que é suprir as necessidades populacionais, é tão nobre quanto de cães e gatos.

Segundo Soares, tais animais como vacas, porcos e frangos, não devem ser tratados unicamente como animais de produção. “Mesmo que aqui, possuam essa função social importante, eles continuam sendo animais. Por isso, hoje existe uma onda que exige manejos mais racionais e criações mais humanizadas, com enriquecimentos ambientais e utilização de tempo adequado e com qualidade de vida”, ressalta.

Ainda dentro desse debate, mas de um olhar comparativo, se sobressai pautas como o não consumo de carne bovina na Índia, pela relação com a espécie e o consumo de carne canina em algumas regiões da China que, de acordo com o médico-veterinário, são questões 100% culturais.

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Apenas 7% da população indiana consome carne bovina, de acordo com o governo do país (Foto: reprodução)

“Tudo que é cultural nós não temos direito de intervir ou questionar com um ar que não seja envolvido naquela cultura. O não comer carne bovina na Índia ou comer carne canina em algumas regiões da China, são exemplos disso, do mesmo jeito que nós, aqui, comemos a carne bovina, ovina, suína e afins. Por isso, não existe uma relação formada. Em cada região do mundo foram estabelecidas suas culturas de acordo com o que tinha à disposição na época e isso precisa ser respeitado”, afirma.

Para ele, nós devemos lutar sempre pelo melhor ambiente para se criar os animais citados e não a ideia de que se proíba. “Essa é, de fato, uma questão muito delicada e particular, mas as técnicas de maus-tratos, em qualquer lugar do mundo, são erradas e precisam ser combatidas”.

Além dos pets convencionais. Existem várias outras espécies que vêm ganhando muito espaço no Brasil, como aves, roedores, primatas e répteis. E, como prova disso, como aponta os números coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e atualizados pela inteligência comercial do Instituto Pet Brasil, em 2018, foram contabilizados no País 39,8 milhões de aves; 19,1 milhões de peixes e 2,3 milhões de répteis e pequenos mamíferos.

Soares explica que, atualmente, existem vários criadouros legalizados que vendem animais exóticos para serem criados como pets. “Essa forte demanda está criando um mercado em expansão, mas estes animais se comportam e procriam de maneiras diferentes, o que deve ser levado em consideração”, pontua.

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Paro o médico-veterinário, as aves devem acompanhar a mesma popularidade de cães em gatos no Brasil (Foto: Reprodução)

Se atente à data. Muito além de uma data comum e corriqueira, o médico-veterinário destaca o Dia Nacional dos Animais como um lembrete a se ter, sempre, em destaque.  “A importância dessa data é conscientizar e mostrar, ou reforçar, para as pessoas que o animal é um ser vivo, então, levar um deles para casa é uma responsabilidade. Ele terá que comer bem, ter tratamentos e cuidados, além de alguns zelos que irão gerar custos e demandarão tempo e muita atenção”, finaliza.

Sejam eles pets, silvestres, selvagens ou de consumo, o dia de hoje é sobre responsabilidade para com todos!

(Foto: redação C&G)

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