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INSERÇÃO DE INSETOS NA ALIMENTAÇÃO DE SILVESTRES E EXÓTICOS OFERECE BENEFÍCIOS NUTRICIONAIS

Para aderir à prática, é importante consultar um profissional da área de nutrição, pois este deve avaliar as necessidades da espécie a ser alimentada

Cláudia Guimarães, da redação
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O melhor amigo do homem não precisa ser necessariamente um cão ou um gato. Bichos diferentes, como iguanas, lagartos, pássaros exóticos, entre tantos outros, têm conquistado cada vez mais espaço nos lares brasileiros. Porém, antes de adotar um animal exótico ou silvestre é preciso que o tutor oriente-se com profissionais da Medicina Veterinária especializados na espécie. Assim, é possível tirar todas as dúvidas sobre o manejo nutricional adequado.

Como conta a médica-veterinária especialista nestes animais, Ariane Parra, para realizar uma nutrição correta, o profissional deve levar em consideração as necessidades nutricionais e comportamentais da espécie animal. “Por exemplo, um psitacídeo como o papagaio: seu hábito alimentar é frugívoro e costuma comer segurando o alimento com a pata. Assim, deve-se oferecer uma grande variedade de frutas, cortadas de forma que ele consiga pegá-las”, orienta a especialista que ainda diz que hoje existem rações específicas para este tipo de animal que também são recomendadas e facilitam uma dieta balanceada e fácil de ser oferecida aos pets.

Além de rações industrializadas, outro tipo de alimentação pode ser fonte de vitaminas. É o caso dos insetos, que podem ser oferecidos vivos ou, até mesmo, desidratados, a répteis e aves. Segundo a profissional, no Brasil ainda não existe grande disponibilidade de ração para estes grupos de animais. “Há espécies de lagartos que são insetívoros e é para essas que a alimentação deve-se incluir bastante inseto variado”, orienta lembrando que é sempre interessante acrescentar suplementos polivitamínicos à dieta. “Para algumas espécies, como saguis, os insetos podem ser oferecidos como complemento”, adiciona.

A empresa Safari (Campinas/SP), especializada na criação de insetos, disponibiliza ao mercado pet algumas opções para alimentação destes animais. São grilos, baratas e tenébrios, comercializados vivos nos pet shops. Os insetos são oferecidos em pequenas embalagens que garantem a possibilidade de consumo em até 30 dias. O sócio proprietário da Safari, Eduardo Matos, conta que os insetos são produzidos em uma fazenda em Piracicaba (SP) e a criação possui Título de Estabelecimento Relacionado, com aprovação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Segundo Matos, o sistema de produção é simples, mas há cuidados específicos para manter o ambiente limpo e sem exposição a dejetos. “A alimentação dos insetos é preparada com farelo de trigo, milho, cevada e vegetais, como legumes e folhas, de onde eles também retiram a água que necessitam”, explica e menciona que os insetos ficam guardados em ambiente controlado, a fim de evitar contaminação ou contato com espécies de fora.

O médico-veterinário deve avaliar as condições e necessidades dos pets antes de recomendar os tipos de inseto em uma dieta, já que, como explicado por Ariane, cada um possui um valor energético distinto, que varia, significativamente, conforme a espécie, o tipo de alimentação que recebeu durante o desenvolvimento e o estágio de vida. “Por exemplo, os tenébrios são ricos em gordura, já os grilos possuem índice de proteína elevado. A barata é o que mais tem proteína. Todos são indicados, mas devem ser diversificados”, aconselha.

No caso da opção desidratada o processo trata-se de uma tecnologia de secagem, que constitui na remoção de água através de sua evaporação. “Os insetos vivos são melhores, já que hoje existem biotérios confiáveis que oferecem este produto com qualidade. Com a desidratação, os insetos perdem algumas vitaminas e proteínas”, explica Ariane que orienta, caso o tutor opte por inserir insetos desidratados na dieta do pet, proporcionar a mesma quantidade em números dos dois tipos de alimento.

A má alimentação ou excesso dela também é uma realidade comum na vida de pets exóticos e silvestres. Ariane conta que sempre se depara com faltas e exageros, sendo uma rotina na clínica a entrada de animais subnutridos, com problemas na constituição óssea, distúrbios respiratórios e problemas de pele. “Também há excessos por uma dieta rica em gordura, com a oferta de alimento específico ou por conta de alimentos que os humanos consomem, que levam esses animais à obesidade”, relata.

O empresário e estudante de Medicina Veterinária, Breno Martins Jancowski, é criador de, aproximadamente, 40 animais exóticos, como: jiboias, iguana, jabutis, tartarugas, jacaré, papagaio do Senegal, entre outros, e utiliza os insetos como complemento na alimentação da maioria dos bichos. “Optei por inserir este tipo de alimentação à dieta deles, junto a um profissional, para suprir as necessidades das espécies, a fim de mantê-los os mais saudáveis possível. Percebi que eles ficam mais instintivos e se exercitam comendo insetos, o que não acontece com rações ou outros alimentos”, expõe.

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