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    Leptospirose: zoonose urbana que exige abordagem de saúde única

    Doença que acomete humanos e animais, a Leptospirose tem como principal vetor os roedores e é, muitas vezes, fatal

    Leptospirose: zoonose urbana que exige abordagem de saúde única
    Equipe Cães&Gatos
    Equipe Cães&Gatos
    22 de agosto de 2025

    Em 2021, a cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos, enfrentou um surto de Leptospirose canina, que colocou o sistema de saúde pública local em alerta. Pelo menos 200 cães foram diagnosticados com essa zoonose, um número anormalmente alto para uma cidade de clima temperado. Embora o episódio tenha sido marcante, não se trata de uma situação isolada.

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    Conforme a população de roedores nas grandes cidades cresce, também aumentam os riscos associados a doenças como a leptospirose.

    Globalmente, estima-se que 30% dos roedores urbanos (Rattus norvegicus), o principal reservatório desta enfermidade, possam estar infectados com a bactéria Leptospira spp. – chegando a 80% em algumas regiões.

    O aumento de casos de leptospirose em regiões tropicais reflete como o calor e as fortes chuvas criam condições ideais para a propagação desta zoonose.

    A doença

    A Leptospirose é uma zoonose bacteriana, que afeta animais e humanos. Ela é transmitida pelo contato com a urina de animais infectados, principalmente roedores, que podem contaminar solo, água parada, poças d’água e superfícies.

    Em cães, os sinais clínicos incluem febre, vômitos, letargia, insuficiência renal e, em casos graves, morte. Em animais, algumas cepas de Leptospira podem formar biofilmes, estruturas que lhes permitem aderir a superfícies e se proteger de antibióticos, o que dificulta a erradicação da bactéria.

    Isso também ocorre no ambiente, o que favorece sua persistência, explicando por que alguns surtos de Leptospirose ocorrem muitos meses após períodos de chuvas intensas.

    Ao contrário da crença popular, todos os cães estão em risco, independentemente de viverem em áreas urbanas ou rurais ou terem acesso a áreas externas. A exposição pode ocorrer em caminhadas, parques públicos, quintais e até mesmo por contato indireto com fontes de água contaminadas.

    Já a Leptospirose em humanos pode evoluir de uma infecção leve ou assintomática para uma doença grave e até fatal. No entanto, evidências científicas mostram que o risco de transmissão direta da doença de cães infectados para humanos é baixo.

    Estima-se que a doença afete mais de 1 milhão de pessoas em todo o mundo a cada ano, embora esse número possa estar subestimado.

    Como prevenir?

    A prevenção da leptospirose requer uma combinação de ações, são elas:

    • Vacinação regular de animais de companhia, especialmente cães;
    • Controle de populações de roedores em ambientes urbanos;
    • Educação pública sobre os riscos da exposição à água parada;
    • Vigilância epidemiológica integrada entre setores.

    Fonte: World Organisation For Animal Health, adaptado pela equipe Cães e Gatos.

    FAQ sobre a Leptospirose

    Como ocorre a transmissão da doença?

    A transmissão da Leptospirose ocorre a partir do contato com a urina de animais infectados, principalmente roedores, que podem contaminar solo, água parada, poças d’água e superfícies.

    Quais são os sintomas da Leptospirose?

    Nos cães a enfermidade pode causar febre, vômitos, letargia, insuficiência renal e, em casos graves, morte.

    É possível prevenir a doença?

    Algumas formas de prevenir a Leptospirose incluem controle populacional de roedores e vacinação nos animais de companhia.

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