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Médica-veterinária tem palestra interrompida por “sons de primata”

Especializada em pets exóticos, Talita Santos conta que não foi a primeira vez que sofreu racismo

Vez ou outra, testemunhamos casos de racismo, um discurso nas redes sociais e nada além. Os casos se repetem sempre e, dessa vez, a vítima foi uma médica-veterinária especialista em pets exóticos. Ela declara ter sofrido um ataque racista depois que sua palestra on-line para um grupo de estudos da Unesp de Botucatu (SP) foi invadida.

Talita Santos, que atende em São Paulo, estava ministrando a palestra para o Grupo de Estudos de Animais Selvagens (GEAS), da universidade no dia 18 de março e, cerca de uma hora depois de começar o conteúdo, foi interrompida por um áudio.

“Abriram os microfones, como se fosse entrar uma dúvida, mas eu não estava entendendo. Começou uma poluição sonora muito grande, barulho, música, sons de primatas, falas do presidente Bolsonaro”, lembra Talita.

Segundo a veterinária, outras pessoas que estavam na chamada de vídeo relataram que também foram exibidas imagens de primatas e do presidente durante a palestra, mas ela não conseguiu ver, já que estava com a tela aberta nos conteúdos que ensinava.

“Eu fiquei tentando falar porque eu não entendia, achei até que fosse um vírus do meu computador, aí a palestra sumiu. Depois, o organizador me falou que a palestra tinha sido invadida”, conta a veterinária.

Segundo a especialista, o link da palestra era aberto e qualquer pessoa poderia ter acesso. No entanto, ela não conseguiu identificar quem entrou na chamada e fez o ataque. “O organizador até tentou tirar as pessoas da sala, mas tinha muita gente entrando e ele acabou fechando”.

“Achei até que fosse um vírus do meu computador”, declara Talita (Foto: divulgação)

Depois do ocorrido, Talita disse que recebeu bastante apoio do grupo de estudos da Unesp e que vai registrar um boletim de ocorrência para que a polícia tente encontrar os responsáveis e puni-los. “Sinceramente, não é diferente de outros ataques racistas. Não é a primeira vez que acontece, nunca é agradável, mas a vida já calejou bastante. É sempre uma situação ruim, mas, ao mesmo tempo, não foi algo que me afetou emocionalmente ou me fez duvidar da minha capacidade de trabalho”, disse.

Nas redes sociais, a Afrovet, que é uma rede de graduandos e médicos-veterinários negros, publicou uma nota de repúdio ao ataque sofrido por Talita. “Viemos por meio dessa nota, primeiramente, manifestar toda nossa solidariedade e apoio à veterinária Talita Santos e repudiar de forma veemente os atos racistas praticados, lembrando que racismo é um crime gravíssimo e deve ser punido como tal”.

A Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) do campus da Unesp de Botucatu divulgou uma nota de repúdio à ação contra a médica-veterinária. No texto, a FMVZ reforça que “tal ação, claramente organizada, além do seu caráter criminoso, tem as marcas da intolerância, da covardia e do ódio à disseminação e à promoção do conhecimento, único caminho possível para a construção de uma sociedade mais justa e democrática”.

Informou, também, que a “Diretoria da FMVZ se solidariza com a palestrante ofendida e os participantes agredidos durante essas lamentáveis ocorrências e informa que seguirá colhendo informações que possam embasar providências concretas em relação a tais delitos, além de medidas que previnam ações dessa natureza”.

A Reitoria da Unesp, por meio da sua assessoria de imprensa, também reforçou o repúdio da universidade a essas ofensas e destacou que está empenhada em identificar os autores.

Fonte: G1, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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