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Médicas-veterinárias de felinos explicam acometimento por Síndrome de Pandora

Nome, em referência à mitologia grega, é devido à alta complexidade do problema

Wellington Torres, em casa

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Na mitologia grega, a Caixa de Pandora, quando aberta, traz à tona todo o mal do universo, representando insegurança e incerteza sobre o que virá a partir daquele momento. Em referência ao cenário mitológico, dentro da Medicina Veterinária de felinos, devido à alta complexidade, uma síndrome leva o mesmo nome.

De acordo com as médicas-veterinárias e pós-graduandas em medicina clínica de felinos, Roberta Cavalcante e Nayara Cristina de Oliveira Fazolato, “é comum nomear uma determinada doença com base no órgão que apresenta sintomas antes de conhecer sua etiologia ou patogênese e, às vezes, a nosologia pode nos enganar, pois é possível que a doença em questão não tenha origem no referido órgão ou, ainda, que possa afetar outros completamente diferentes”, como é o caso da Síndrome de Pandora.

“O conceito de ‘Síndrome de Pandora’ corresponde à cistite idiopática (doença que não tem relação com outra e que se manifesta ou existe sozinha) em gatos domésticos além do trato urinário inferior. É uma forma de nomear uma patologia ou conjunto de patologias crônicas, recorrentes e idiopáticas que afetam a função e não exclusivamente a estrutura do órgão ou órgãos envolvidos”, explicam as profissionais.

Referente à cistite intersticial felina, é destacado por elas que o problema é uma inflamação idiopática da bexiga de origem desconhecida. “O que se sabe é que esses animais têm deficiência na barreira de glicosaminoglicanos e fatores estressantes desencadeiam a síndrome. A deficiência nessa barreira faz com que a urina entre em contato com a bexiga causando inflamação”, pontuam.

Para realizar o diagnóstico, é exigido que alguns pontos, apresentados pelas médicas-veterinárias, sejam levados em consideração. São eles: sinais de natureza crônica e outros que remetem ao envolvimento de demais órgãos, além daquele observado em consulta.

Micção em pequenas quantidades e várias vezes ao dia podem ser sinais de problema (Foto: reprodução)

Mas quais seriam os sinais da doença? Para que os tutores fiquem atentos e possam relatar aos médicos-veterinários, de maneira pontual, o que está se passando com o felino, as pós-graduandas apontam os sinais clínicos da doença: “Micção em pequenas quantidades, várias vezes ao dia (polaciúria), podendo ser em local inapropriado (periúria) fora da caixinha de areia; dor ao urinar (disúria); dor à palpação (algia) e sangue na urina (hematúria)”.

“Por conta da dor, é comum o animal vocalizar ao urinar. Em casos mais graves, principalmente nos machos, pode ocorrer a obstrução uretral devido a uretra peniana do gato macho medir aproximadamente 0.07 mm de diâmetro, sendo estreita demais, facilitando a obstrução por debris celulares, plugs, cristais e cálculos.  Também podem surgir sintomas inespecíficos como prostração, anorexia e apatia”, complementam.

Como confirmar o quadro? Para realizar o diagnóstico, as veterinárias pautam a necessidade de alguns exames. “Hemograma, para avaliação geral do paciente; Uréia e Creatinina, que podem estar alteradas caso o paciente tenha processo obstrutivo associado (azotemia pré-renal); Ultrassonografia abdominal, para avaliação da imagem da bexiga, para checar se a parede está normal ou espessada, regular ou irregular e se há presença pólipos, coágulos, cristais, debris celulares ou cálculos e Urinálise, para análise física, química e de sedimento, o que ajuda observar a composição da urina”, afirma.

Já no caso do RPCU, análise da relação proteína-creatinina urinária, elas pontuam certa controvérsia na utilização, visto que a descamação da parede da bexiga, devido ao processo inflamatório, pode causar aumento no resultado, “pois as células não têm proteína em sua composição. Então, o recomendado seria a realização desse exame após o controle da inflamação”.

A escolha por medicamentos e ração terapêutica para balancear a urina e adequar o pH deve ser feita pelo veterinário (Foto: reprodução)

Tratamento. Entre medicamentos (que só podem ser indicados por profissionais hábeis) e ações que estão ao alcance dos tutores, a Síndrome de Pandora pode e deve ser tratada. Para isso, as profissionais comentam a eficácia do AINES, tratamento com anti-inflamatórios não esteroidais, recomendado para diminuir o processo inflamatório da bexiga e controle da algia; a medicação mais utilizada é o Meloxicam.

Assim como o AINES, elas também comentam a eficácia do Cloridrato de Amitriptilina. “É um antidepressivo com propriedades anti-histamínicas que diminui a inflamação da bexiga, controla a dor e reduz a ansiedade do paciente. É um tratamento longo, que dura meses”, ressaltam, também apontando o uso de Dipirona que, no início do tratamento, quando o paciente estiver com algia intensa, pode ser utilizador para auxiliar no controle da dor.

Além dos medicamentos, escolher uma ração terapêutica é recomendado para balancear a urina e adequar o pH, assim como evitar situações estressantes; utilizar feromônio facial felino, substância ajuda o paciente a se manter mais relaxado diminuindo a ansiedade e o estresse, assim como a Catnip e manter a limpeza regular da caixa de areia para evitar que se acumule fezes e urina.

Por fim, ambas ressaltam que, tristemente, “para essa Síndrome não há cura, podendo o animal ter apenas um episódio ou recidivas”, o que exige um acompanhamento adequado e especializado em medicina felina. 

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