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Médico-veterinário militar comenta desafios da profissão

Vocação e dedicação são itens fundamentais para o ingresso na carreira, de acordo com o major Fabiano
Por Equipe Cães&Gatos
Por Equipe Cães&Gatos

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Além das funções mais corriqueiras atribuídas aos médicos-veterinários, como clínica de pequenos animais, saúde pública, comportamento, inspeção de alimentos, dentre tantas outras, há uma opção de caminho a seguir dentro da carreira. Hoje, Dia da Medicina Veterinária Militar, damos ênfase a essa atribuição.

Conversamos com o major médico-veterinário do Exército Brasileiro, diretor do Hospital Veterinário, da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), Rubens Fabiano Soares Prado, cujo nome de guerra é apenas Fabiano. Para quem não conhece a Academia, o major Fabiano explica que se trata da escola de formação superior de Oficiais Combatentes do Exército Brasileiro. “É a maior Academia Militar da América Latina e a segunda maior do mundo. Possui uma imensa estrutura física de ensino, uma estação de tratamento de água, uma estação de tratamento de esgoto, três bairros acadêmicos, uma área de, aproximadamente, de 67 km² de Campo de Instrução, contando com, aproximadamente, 12 mil pessoas, entre civis e militares, convivendo, diariamente, numa verdadeira ‘Cidade Acadêmica’”.

Fabiano serve na AMAN desde 2011 e conta que a oportunidade surgiu por meio de um convite que lhe foi feito para compor a equipe de médicos-veterinários. “A AMAN, dado sua grandiosidade, complexos processos executados, enorme volume de alimentos e água consumidos diariamente, além de seu grande efetivo de animais de emprego militar, possui uma demanda de variadas tarefas logísticas às quais o médico-veterinário militar apoia, colaborando com a atividade finalística da AMAN, que é a formação dos Cadetes, futuros líderes do Exército Brasileiro”, compartilha.

Atualmente, ele exerce o cargo de diretor do Hospital Veterinário da AMAN, mas já atuou nas diversas atividades e funções dos médicos-veterinários no Hospital Veterinário. “O HVet tem um enorme leque de atuação, o que nos proporciona exercer todas as frentes possíveis da Medicina Veterinária Militar na AMAN. A Divisão de Clínica e Cirurgia atua no monitoramento e prevenção de zoonoses, diagnóstico e tratamento clínico, cirúrgico e profilático dos equinos de uso militar e dos cães de guerra; já a Divisão de Biossegurança tem seu enfoque voltado à preservação da saúde humana, praticando conceitos de Saúde Única para proteção da saúde e manutenção do poder de combate da tropa. Sua atuação é direcionada às atividades de Vigilância Sanitária e ambiental, monitoramento e controle de vetores e sinantrópicos, defesa e segurança dos alimentos e água utilizados para consumo humano em toda a área acadêmica. Ademais, ainda participa instruindo a tropa quanto às medidas de higiene e saúde em campanha”, discorre.

Segundo o major, o HVet tem um enorme leque de atuação, o que nos proporciona exercer todas as frentes possíveis da Medicina Veterinária Militar na AMAN (Foto: divulgação)

É preciso mão de obra!

Na visão do médico-veterinário militar, para muito além da atuação em prol da saúde e bem-estar dos animais de emprego militar, nobre missão que mantém a disponibilidade e aptidão dos caninos e equinos, a Medicina Veterinária Militar tem seu foco principal na biossegurança e proteção à saúde das tropas. “O médico-veterinário, com sua ampla e holística formação em parasitologia, doenças zoonóticas, entomologia médica, ecologia, bioquímica, biologia molecular, Medicina Preventiva, saúde pública, inspeção de alimentos, saneamento, vigilância sanitária e ambiental, entre outras competências, é um profissional extremamente capacitado para praticar os conceitos da Saúde Única”, observa.

Como destacado pelo major, as zoonoses têm representado mais de 80% das doenças infecciosas emergentes e reemergentes na atualidade, muitas dessas com potencial pandêmico, que podem impactar a economia e a segurança nacional. “A recente pandemia de Covid-19 e a potencial pandemia de Influenza Aviária são exemplos disso. As doenças transmitidas por alimentos e água – e zoonoses transmitidas por vetores – também são uma grande ameaça às tropas em treinamento ou desdobradas em operações, podendo causar impactos ou falhas no cumprimento das missões se negligenciadas”, elucida.

Desta forma, Fabiano frisa que os médicos-veterinários militares têm sido profissionais requisitados e fundamentais na estrutura multidisciplinar de apoio de saúde das Forças Armadas, atuando, ativamente, na Medicina Preventiva e Inteligência em Saúde, “Esses profissionais contribuem decisivamente para a manutenção da saúde dos militares e do poder de combate das tropas. Os médicos-veterinários militares, em tempos de paz ou de guerra, colaboram na preservação do principal ativo das Forças Armadas: a sua dimensão humana”, argumenta.

O major médico-veterinário do Exército Brasileiro, Rubens Fabiano Soares Prado, é diretor do Hospital Veterinário, da Academia Militar das Agulhas Negras (Foto: divulgação)

Rotina fora de padrão

O major Fabiano revela que a vida militar é repleta de desafios. Não há monotonia e sempre apresenta novas experiências e oportunidades, estimulando a proatividade, criatividade e fazendo com que os profissionais evoluam pessoal e profissionalmente. “Há muitas passagens marcantes em todas as fases de minha carreira, mas uma experiência recente, em especial, me marcou bastante. No ano de 2020, fui convidado a integrar uma equipe multidisciplinar de saúde que levou atendimento humanitário às diversas comunidades indígenas do País, em diferentes e remotas regiões, onde somente as Forças Armadas possuem logística para acessar com tal intensidade e nível de apoio. Integrei, com mais de 30 profissionais de saúde, a equipe multidisciplinar que atuou na Operação Roraima II, onde pude exercer a Medicina Veterinária de uma forma humanitária, realizando pesquisas, atendimentos e assessorias em apoio ao povo Ianomâmi em diversas comunidades nas distantes fronteiras de Roraima”, narra.

Segundo ele, todas essas regiões eram de difícil acesso, sendo possível chegar somente de aeronaves nos Pelotões de Fronteira e nas comunidades, onde somente as Forças Armadas têm a capilaridade de atuar. “Nesta ocasião, pude exercer a Medicina Veterinária e a Saúde Única na prática, colaborando na prevenção de zoonoses que impactam seres humanos e animais nas áreas de tais comunidades, como verminoses, malária, leishmaniose, riquetsiose e tungíase”, relembra.

Aos interessados em seguir a carreira de médico-veterinário militar, Fabiano menciona que o concurso nacional realizado pela Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) abre vagas, anualmente, para médicos-veterinários, visando seleção de Oficiais de carreira, sendo bastante concorrido. “Disciplina e dedicação são fundamentais na vida militar e na aplicação aos estudos. Há, também, seleções de candidatos para as vagas de Oficiais Veterinários Temporários (OVT), realizadas pelas Regiões Militares, sendo estas as duas formas do médico-veterinário ingressar e servir ao Exército”, esclarece.

A profissão militar, de acordo com o profissional, é muito exigente, no aspecto profissional, intelectual e, também, de preparo físico. “Por outro lado, é repleta de oportunidades diversas, desenvolvimento pessoal e profissional constantes e experiências únicas, que não são proporcionadas em nenhuma outra profissão. Desta forma, pendor, vocação e dedicação são itens fundamentais para o ingresso na carreira”, garante.

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