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NÍVEL DE DISSEMINAÇÃO DA ELETROQUIMIOTERAPIA NO BRASIL CRESCE DENTRO DA MEDICINA VETERINÁRIA

Profissional acredita que a técnica veterinária no País se consolidará como um dos grandes polos no mundo

Profissional acredita que a técnica veterinária no País se consolidará como um dos grandes polos no mundo

Cláudia Guimarães, da redação

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Incidência de câncer em animais vem aumentado por conta da longevidade dos pets e pela exposição a agentes cancerígenos (Foto: reprodução)

Depois de quase duas décadas de estudos, no fim do ano de 2006 houve a padronização da técnica de elotroquimioterapia para a medicina humana. Em Medicina Veterinária, o procedimento vem ganhando cada vez mais espaço e reconhecimento no Brasil, além de também ser utilizado em países como Itália, Inglaterra e Eslovênia.

A eletroquimioterapia lança mão de um princípio chamado eletropermeabilização, que, segundo o físico, médico-veterinário e sócio-proprietário da Vet Câncer (São Paulo/SP), Marcelo Monte Mór Rangel, se trata de aumentar a permeabilidade das membranas das células mediante aplicação de campos elétricos específicos. Como ele conta, acredita-se que esse aumento de permeabilidade aconteça por conta da formação de poros nas membranas das células submetidas ao campo elétrico, por isso o nome eletroporação também pode ser utilizado para classificação da técnica. “Em Medicina Veterinária o procedimento é sempre utilizado com o paciente sob anestesia geral. Digo isso porque, em humanos, é possível a realização do procedimento sob anestesia local”, mensura.

Rangel cita como um dos avanços mais significativos a possibilidade de a eletroquimioterapia hoje em dia ser realizada em neoplasias de quaisquer origem histológica cutâneas e subcutâneas. “A abordagem realizada diretamente em ossos é específica e não muito comum, mas viável. Em órgãos dentro de cavidades ainda está no início em nossa área, mas isso em virtude de algumas peculiaridades da própria aplicação”, conta o profissional que ainda lembra uma das grandes contribuições e progresso da eletroquimioterapia no Brasil: “Quando associada à cirurgia, torna os procedimentos mais conservativos e evita, por exemplo, amputações ou diminui mutilações”.

Assim como em outros países adeptos a esta técnica, a Medicina Veterinária brasileira pode considerar este tipo de tratamento como um redutor de alguns problemas que outras técnicas de combate ao câncer em animais poderiam causar. O especialista conta que, com a eletroquimioterapia, os efeitos colaterais são reduzidos ao local da aplicação. A alta eficiência em tumores de qualquer origem histológica também é destacada por ele. “Com a técnica, também há a possibilidade de procedimentos mais conservativos, além do alto índice de resposta para diferentes tumores”, frisa e afirma que 80% dos pacientes têm retorno positivo a este tipo de tratamento.

Como limitação da técnica exercida em pets aqui no Brasil, Rangel, que também é diretor da clínica, cita o fato de que ela precisa ser realizada sob anestesia. “Porém, o número de pacientes onde isso inviabilizaria a realização da técnica é bem reduzido. A anestesia em Medicina Veterinária hoje em dia já está em um excelente nível e também merece ser destacada”, menciona.

Apesar deste ponto, a eletroquimioterapia chegou ao Brasil e vem sendo bem realizada, como opina o médico-veterinário, para substituir ou complementar técnicas de controle localizado de tumores que se resumem a cirurgia, quimioterapia, criocirurgia e radioterapia. Para ele, assim, os profissionais alcançam melhores desfechos nos casos. “Além de cães e gatos podemos citar como exemplo a realização da técnica em equinos, bovinos, caprinos, serpentes, tigres, tartarugas, furões, aves, entre outros”, revela.

Rangel também cita um fato importante: o Brasil, em Medicina Veterinária, possui a maior casuística do mundo com eletroquimioterapia. “Além de existirem diversos profissionais espalhados pelo País realizando a técnica de maneira coerente, a Vet Câncer desenvolveu um equipamento para aplicação da técnica que segue todos os critérios da literatura científica para realização”, expõe o especialista que julga como uma das grandes contribuições da eletroquimioterapia o fato de que ela amplia as possibilidades para os pacientes oncológicos, quando associada a outras terapias. “Nisso podemos destacar que a associação da técnica com a cirurgia tem dado desfechos mais felizes para diversos pacientes. Muitos que chegam até nós sem perspectiva ganham novas possibilidades e conseguem até o controle absoluto da doença com a introdução da técnica dentro da conduta oncológica”, inclui.

Para o diretor da Vet Câncer, o único fator que falta ao Brasil, neste momento, para ser reconhecido mundialmente, é marcar mais presença perante a comunidade científica, por meio de publicação de trabalhos. “Porém, muitos enfrentam obstáculos para conciliar a rotina clínica em uma instituição privada”, reconhece.

Em suma, o profissional acredita que, nos próximos anos, a eletroquimioterapia veterinária no Brasil se consolidará como um dos grandes polos no mundo. “Creio que nem mesmo a comunidade de veterinária em nosso País tenha tomado consciência disso ainda, mas isso acontecerá naturalmente”.

Oncologia veterinária global. O médico-veterinário Marcelo Monte Mór Rangel participou de um evento recente, ocorrido em Foz do Iguaçu (PR), em maio deste ano. Trata-se do World Veterinary Cancer Congress (WVCC).

O encontrou ligou as principais sociedades de oncologia veterinária globais a fim de mesclar esforços mundiais no estudo de tumores de origem animal. O principal objetivo da iniciativa, que é realizada todos os anos em diferentes países, é fornecer um futuro melhor a animais de companhia com câncer.

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