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Oftalmologista precisa de conhecimento e empatia em casos de perda de visão dos pets

Médico-veterinário atuante da área destaca que pet pode ter uma vida normal se receber os devidos cuidados do tutor

Cláudia Guimarães, em casa

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Acredito que a maioria das pessoas já consiga entender a importância do médico-veterinário para a saúde preventiva e tratativa dos animais de companhia, mas, além de enaltecer o trabalho e atendimento do clínico veterinário, é preciso destacar a atuação dos especialistas. São esses profissionais que são capazes de ir a fundo no problema do pet e, assim, estipular o tratamento mais adequado a ser seguido, sempre visando qualidade de vida e longevidade ao animal.

Neste Dia do Oftalmologista, é ele nosso protagonista, o médico-veterinário que atua em oftalmologia veterinária da rede de hospitais veterinários Pet Care (unidades Pacaembu e Tatuapé, em SP), Eduardo Perlmann. O tema escolhido para ser abordado pelo profissional é um tema delicado: a perda de visão dos animais de estimação. Difícil para o pet, para o veterinário e, também, para o tutor.

Ele nos conta que as doenças oftálmicas são muito frequentes entre cães e gatos. “Algumas causam desconforto apenas, outras podem causar perda de visão como catarata, glaucoma, descolamento de retina ou complicações úlcera de córnea. Isso pode acontecer em qualquer animal, cão ou gato, de qualquer raça. Apesar disso, algumas raças apresentam predisposição para determinadas doenças, como glaucoma primário (exemplo, Samoieda) ou úlceras de córnea (exemplo, Shih Tzu)”, revela.

Segundo o veterinário, a principal maneira de prevenir a cegueira é levar em um oftalmologista veterinário no primeiro sinal de alteração nos olhos. “Muitas doenças tratadas em sua fase inicial podem ser curadas sem risco de perda visual como, por exemplo, uveítes e úlceras de córnea. Outras doenças que levam à cegueira, como catarata, assim como no ser humano, é possível reverter com cirurgia”, destaca.

Vale lembrar que algumas doenças que levam à cegueira podem ser revertidas com cirurgia, como é o caso de catarata, ou com tratamento à base de medicação, como é o caso de ceratites.

Na hora de dar o diagnóstico, é preciso pensar nos tutores, que têm um envolvimento emocional muito grande com os animais (Foto: reprodução)

Adaptação à nova condição.

Em geral, Perlmann afirma que os animais têm uma vida boa após a perda da visão, mas depende muito, também, da personalidade do próprio animal. “O pet mais dócil pode ter uma adaptação melhor. Quando a perda da visão é progressiva, o contrário de súbita, a adaptação é muito melhor. Mas em tempo, o animal aprende a depender, principalmente, do olfato e da audição. Treinos não são necessários, mas não mudar os móveis de lugar para facilitar a adaptação e sempre que for mexer no animal, avisar antes e fazer sons para ele não se assustar são fatores que ajudam nesse processo”, explica.

Além disso, o médico-veterinário aponta que piscinas e lugares altos são um perigo ao pet cego, por isso, ele não deve ter acesso sozinho a esses locais. “Toda brincadeira deve ser realizada com sons para o animal se localizar. Brinquedos que façam barulho podem (ou não, depende do animal) ajudar”, indica.

O profissional ainda declara que é importante que os tutores saibam que não é necessário parar de passear na rua porque o pet perdeu a visão. “No começo, na fase de adaptação, é indicado sempre fazer o mesmo percurso, sempre na coleira e ampliando com o passar do tempo”, orienta.

Oftalmologista indica ferramenta para diagnóstico de cegueira

Piscinas e lugares altos são um perigo ao pet cego, por isso, ele não deve ter acesso sozinho a esses locais (Foto: reprodução)

Bom profissional, bom atendimento!

Segundo Perlmann, falar para o tutor que seu pet ficou cego irreversivelmente é algo muito doloroso e difícil e o oftalmologista também sofre. “Principalmente quando a cegueira é súbita, e não a progressiva, na qual o animal tem mais tempo para se adaptar. A fase de adaptação para o tutor também é importante. Aos poucos, o tutor vai se acostumando ao ver que a vida de seu pet, apesar das mudanças, vai continuar e ele continua o mesmo”, frisa.

O oftalmologista veterinário, como comentado pelo profissional, trabalha, principalmente, para salvar ou recuperar a visão, assim como deixar o animal sem dor ou desconfortos, sempre focando na melhoria da qualidade de vida. “Às vezes, precisamos correr contra o tempo em casos de emergências para evitar a perda da visão de um olho. É muito satisfatório quando devolvemos a visão e a qualidade de vida do animal melhora muito. A felicidade de todos envolvidos é nítida”, compartilha.

Perlmann afirma que a visão nos animais é importante para a qualidade de vida, mas também é preciso pensar nos tutores, que têm um envolvimento emocional muito grande e, muitas vezes, os veterinários não prestam atenção nisso durante as consultas. “As pessoas, frequentemente, se colocam no lugar dos pets e sempre tento explicar que o animal cego tem a vantagem de ter olfato e audição muito mais aguçados que o ser humano e que podem, também, se guiar por eles e, em muitos casos, ter uma vida normal”, expõe.

O profissional finaliza a entrevista reforçando que o oftalmologista veterinário deve ser consultado sempre que o animal apresentar alterações nos olhos: “Não apenas pensando na visão, mas, também, em outras doenças sistêmicas importantes que podem, primeiro, acometer o olho, como hipertensão arterial, doenças infecciosas ou alterações endócrinas”.

(Foto: C&G VF)

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