A ceratoconjuntivite seca, popularmente conhecida como olho seco, foi tema de destaque durante o Congresso Brasileiro da Anclivepa (CBA) 2026. Na palestra “Os desafios do olho seco em cães”, a médica-veterinária oftalmologista Adriana Lima Teixeira apresentou os principais fatores envolvidos na doença, além da importância do diagnóstico correto para definir o tratamento mais adequado.
Segundo a palestrante, o olho seco pode ter diferentes origens, incluindo causas imunomediadas, neurogênicas, traumáticas, infecciosas, metabólicas e iatrogênicas. Entre os pontos de maior atenção, Adriana destacou que casos de otite média e interna podem desencadear o chamado olho seco neurogênico.
“O tratamento depende da causa. Nem todo olho seco deve ser tratado da mesma forma”, explicou.
Otite pode afetar a produção lacrimal
Durante a apresentação, Adriana explicou que o olho seco neurogênico ocorre quando há comprometimento das vias nervosas responsáveis pela produção de lágrimas. Nesses casos, a redução lacrimal costuma acontecer de forma rápida, deixando a córnea ressecada, sem brilho e mais suscetível ao desenvolvimento de úlceras profundas.
Entre os sinais clínicos mais comuns estão secreção ocular espessa, hiperemia, blefaroespasmo e ressecamento da narina do mesmo lado do olho afetado. De acordo com a palestrante, a maioria dos casos é unilateral, característica que auxilia no diagnóstico clínico.
A médica-veterinária também detalhou que lesões no sistema nervoso central, no canal do nervo facial, na fossa pterigopalatina e na órbita podem interferir na inervação das glândulas lacrimais.
“Quando o nervo facial é afetado, o paciente pode apresentar paralisia facial associada ao olho seco neurogênico”, afirmou.
Tratamento deve ser individualizado
Ao falar sobre as abordagens terapêuticas, Adriana reforçou que o tratamento deve ser direcionado à causa primária da doença. Entre as opções citadas estão imunomoduladores, substitutos da lágrima, anti-inflamatórios, pilocarpina nos casos neurogênicos e suplementação com ácidos graxos.
A palestrante destacou ainda que doenças infecciosas, como cinomose e leishmaniose, além de endocrinopatias, diabetes mellitus e hiperadrenocorticismo, também podem estar associadas ao desenvolvimento da doença.
Nos casos imunomediados, medicamentos como ciclosporina e tacrolimus podem ser utilizados de forma contínua para controle da inflamação e estímulo da produção lacrimal. Já nos quadros neurogênicos, a pilocarpina pode auxiliar na recuperação da secreção lacrimal, desde que haja confirmação diagnóstica.
Além do tratamento medicamentoso, Adriana ressaltou a importância do diagnóstico precoce para preservar a superfície ocular e evitar agravamento do quadro clínico.
“Quando a produção lacrimal cai muito, especialmente abaixo de 5 mm/min, a resposta ao tratamento tende a ser mais difícil”, alertou.


