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Clínica e Nutrição, Destaques

Outubro Rosa: oncologista veterinário fala sobre o câncer de mama em pets e a importância do diagnóstico precoce

Por Equipe Cães&Gatos
outubro rosa
Por Equipe Cães&Gatos

Gabriela Couto, da redação 

gcouto@ciasullieditores.com.br 

Outubro é conhecido como o mês de prevenção ao câncer de mama. A campanha Outubro Rosa alerta e relembra as mulheres sobre a importância de se conhecer e se cuidar. O câncer de mama também atinge os animais, sendo mais frequente nas fêmeas de cães e gatos. E, além do mês todo ser dedicado para essa campanha, nesta quarta-feira (19), é celebrado o Dia Internacional de Combate ao Câncer de Mama. 

A doença é a mais frequente em cadelas e a terceira mais comum em gatas, por isso, é tão importante usar o Outubro Rosa para conscientizar, também, os tutores. O oncologista veterinário do E+ Especialidades Veterinárias e diretor da Associação Brasileira de Oncologia Veterinária (ABROVET), Rodrigo Ubukata, conta que essa doença é muito silenciosa e, na maioria dos animais, a única manifestação é a presença de um ou múltiplos nódulos na região das mamas. “Sinais como emagrecimento, perda de apetite, êmese, diarreia e febre são inespecíficos e podem ser sinais de outros problemas também que podem, ou não, ser associados aos tumores de mama. Alguns pacientes podem apresentar lesões ulceradas, formações em placa, edema local ou de membros e dor”, explica.  

O tutor deve se atentar a qualquer mudança de comportamento do pet, porque pode ser o sinal de alguma doença, mas, no caso do câncer de mama, o toque é muito importante. Então, se o tutor sentir ou observar a presença de qualquer nódulo em região de mamas, é um alerta que deve ser investigado. A presença de secreções ou feridas que não cicatrizam também são importantes sinais de alerta. 

De acordo com Ubukata, o diagnóstico precoce é a chave para maiores sucessos no tratamento da doença. Portanto, assim que o tutor evidenciar qualquer suspeita de tumor de mama, é recomendado que busque a avaliação de um especialista para realizar o estadiamento, diagnóstico, condutas de tratamento e prognóstico. “A literatura na Medicina Veterinária já é bastante clara sobre a diferença dos resultados quando um paciente é assistido primariamente por um especialista versus generalista”. 

O oncologista veterinário explica, ainda, que o fato de a fêmea já ter reproduzido não aumenta e nem diminui o risco para tutores de mama. “Essa doença é uma característica de animais de meia-idade a idosos, mas não impede que animais jovens também desenvolvam. Existem descrições de pacientes com menos de um ano de idade acometidos pela doença, embora sejam mais raros, assim como também podem ocorrem em machos”, comenta. 

Outro fator importante é que as cadelas e gatas castradas precocemente podem ter menor risco de desenvolver tumores de mama. E, segundo Ubukata, estudos mais recentes estão questionando a idade ideal e, também, as consequências da castração, mas, independente disso, para tumores de mama ocorre esse benefício. 

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A doença é a mais frequente em cadelas e a terceira mais comum em gatas (Foto: Reprodução)

Como tratar? 

A principal modalidade de tratamento para o câncer de mama é a cirurgia. Ela é a modalidade que apresenta as maiores taxas de controle e sucesso da doença. Ubukata reforça que nenhum tratamento, atualmente, substitui a cirurgia quando ela ainda é possível. Dependendo da espécie, estadiamento e tipo de tumor, outros tratamentos podem ser indicados como adjuvantes ou, até mesmo, paliativos (para casos avançados em que a cirurgia é contraindicada), como quimioterapia e radioterapia. E a duração do tratamento varia muito, pois depende da característica de cada paciente e doença. E o tutor precisa se atentar, pois mesmo com o tratamento existe o risco de recidiva e principalmente das metástases. 

Como prevenir?  

Segundo Ubukata, se o paciente estiver bem clinicamente e o médico-veterinário indicar um tratamento, este deve ser seguido corretamente. E, além disso, controles periódicos clínicos e com exames devem ser realizados para detecção precoce de qualquer suspeita de recidiva ou metástases. O oncologista reforça que o diagnóstico precoce é o fator mais importante para uma boa evolução.  

Cuidados com alimentação e manejo 

As fêmeas diagnosticadas com câncer exigem alguns cuidados, como avaliações clínicas regulares, e o médico-veterinário deve ensinar os tutores a detectarem nódulos, esclarecer a importância de obedecer aos prazos de reavaliações e manter alimentações de boa qualidade, sejam elas industrializadas ou alimentação natural. Esses pontos são fundamentais para o bem-estar de maneira geral de qualquer pet, não apenas àqueles que foram diagnosticados com câncer. 

Ubukata esclarece que a sobrevida é algo que pode variar muito de acordo com a espécie, estadiamento e o tipo de tumor. Tumores de mama em gatas, geralmente, possuem comportamento mais agressivo e maior risco de metástases. “Infelizmente, a maioria das gatas com tumores de mama evolui para metástases, principalmente pulmonares, e, com isso, a maioria pode apresentar sobrevida menor que um ano. Por esse motivo, quanto mais precoce e correto for o diagnóstico e tratamento, maiores as chances de que a paciente não evolua desta forma. Já com relação às cadelas, o comportamento dos tumores de mama costuma ser menos agressivo, e podem apresentar sobrevidas superiores a um ou dois anos. Mas nem todos são assim, existem tumores extremamente agressivos e com alto potencial de metástases”, finaliza.  

O câncer de mama é algo sério e que pode prejudicar muito a vida dos pets, então, é importante que o tutor esteja sempre atento e procure ajuda de um profissional em qualquer sinal de alerta. O Outubro Rosa serve para conscientizar, mas devemos prestar atenção nos sinais em todos os meses do ano e nunca esperar para “ver se cresce”. 

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