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Destaques, Clínica e Nutrição

Parasitas intestinais fazem parte de grupo de zoonoses que devem ser prevenidas

Veterinária aponta que verminoses ganham destaque preocupante e explica as consequências que podem trazer aos cães e gatos
Por Equipe Cães&Gatos
gato no veterinário
Por Equipe Cães&Gatos

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Zoonoses são aquelas doenças que, naturalmente, podem ser transmitidas dos animais para os seres humanos. Essa transmissão pode ser por contato direto com o animal infectado ou doente, ou, ainda, por meio de vetores, como pulgas, ácaros, carrapatos, mosquitos, por exemplo, que estão em contato com o animal infectado e a pessoa próxima. As verminoses são consideradas zoonoses por serem parasitas causadores de doenças por meio da infecção no animal e, deste, ser transmitida às pessoas do convívio. E é sobre isso que falaremos neste Dia Mundial das Zoonoses.

A médica-veterinária doutoranda no Programa Sociedade, Tecnologia e Políticas Públicas em saúde SOTEPP-UNIT-AL, diretora Técnica da Secretaria Do Bem-Estar Animal-SEBEA-Maceió-AL, membro da Comissão de Saúde Pública do CRMV-AL e conselheira no Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), Evelynne Hildegard Marques de Melo, explica que verminose é o nome popular para os parasitas gastrointestinais, que, nos animais, apresentam grande importância ao nível de saúde pública pelo potencial de ser transmitido ao homem, resultando nas denominadas zoonoses. “Isso acontece devido ao estreito contato no convívio, uma vez que há um vínculo afetivo homem-animal e, facilmente, os estamos tocando, abraçando, dividindo ambiente, sofá e até dormindo na mesma cama”, comenta.

Diarreia, perda de peso, pelo seco ou áspero, vômito, sangue nas fezes, abdome inchado, letargia, dentre outros, são sinais de verminoses (Foto: reprodução)

Atenção aos parasitas do intestino de cães e gatos!

Em felinos domésticos, Evelynne declara que os principais grupos de parasitas intestinais são protozoários e verminoses. “Em cada grupo, há um elevado número de microrganismos e vamos destacar os mais prevalentes que são: no grupo dos protozoários, Giárdia e Coccidioses; no caso dos vermes: vermes do tipo achatados (que fixam nas paredes dos intestinos) e vermes redondos (que formam aglomerados capazes de causar obstruções no intestino). Os vermes mais prevalentes em gatos são Ancylostoma tubaeforme ou Ancylostoma braziliense, Toxocara cati ou Toxascaris leonina e Dipylidium caninum. Alguns parasitas são comuns nas duas espécies: cães e gatos”, discorre.

Já nos caninos domésticos, Evelynne cita que sabe-se que cães estão envolvidos involuntariamente na transmissão de mais de 60 infecções zoonóticas, sendo que quase 50 zoonoses são verminoses. “Há um número elevado de parasitas capazes de acometer os cães, sendo registrado cerca de 17 espécies de trematódeos, 17 de cestódeos, 20 de nematódeos e um acantocéfalo, além de um grande número de protozoários. Em cães, recebem maior atenção, os seguintes parasitas: Ancylostoma spp., Toxocara canis, Giardia sp. e Cryptosporidium spp., que infectam o homem também”, elenca.

Sinais

De acordo com a veterinária, as doenças e os sintomas mais comumente observados nos cães e gatos parasitados são sinais inespecíficos, ou seja, sinais de animal muito debilitado e que podem ser confundidos com outras doenças, mas que um médico-veterinário consegue fazer suspeita clínica adequada. “De modo geral, os animais apresentam diarreia, perda de peso, pelo seco ou áspero, vômito, sangue nas fezes, abdome inchado, letargia, vermes visíveis nas fezes ou ao redor do ânus”, expõe.

A médica-veterinária salienta que a prevenção deve ser o maior objetivo entre veterinários e população, pois, se não tratadas, as verminoses podem até levar o animal a óbito. “Tomemos como exemplo um verme comum que é Ancylostoma caninum. Em cães jovens, a passagem de larvas pelo leite pode ter consequências fatais ou ser responsável pela produção de quadros de anemia hemorrágica aguda ou crônica, acompanhada de diarreia que pode conter sangue e muco. Em cães adultos, podem causar deficiência de ferro e anemia severa o que leva o corpo a várias complicações de difícil reversão”, reporta.

A Giardiase, segundo Evelynne, também é outro exemplo de acometimento intestinal complicado para reverter em muitos casos. “O animal sofre com muita lesão intestinal e muito sangue nas fezes é observado, além da dificuldade de absorção dos nutrientes pelo intestino parasitado, o que leva o animal a complicações nutricionais, além do risco zoonótico aproximado”, elucida.

Outro exemplo que, de acordo com a profissional, embora seja comum, pode resultar em gravidade na vida do animal, é Toxocara canis, encontrado, frequentemente, no intestino delgado de cães, cuja principal via de infecção é pela passagem transplacentária de larvas que se encontram encistadas nos tecidos das cadelas prenhes. “Essa é uma das explicações para que, aproximadamente, 80% dos cães com menos de seis semanas de idade possuem exemplares de Toxocara em seus intestinos, podendo ou não eliminar os ovos nas fezes. Além disso, muitos animais podem morrer em consequência do parasitismo”, alerta.

Nos cães, a administração de vermífugos na forma de comprimidos é bem aceita pelo animal (Foto: reprodução)

Prevenir com prescrição médica

Para evitar que os animais sejam acometidos por verminoses, é importante administrar fármacos que protegem o organismo desses pets contra estes problemas. Mas Evelynne frisa: “Tanto vermífugos quanto qualquer outro medicamento, somente deve ser administrado em animais por meio de orientação veterinária. Precisamos sempre dar ênfase a este quesito, que, para nós, parece óbvio, contudo, observamos a prática de uso indiscriminado de medicação muito presente aqui no Brasil e, com isso, também observa-se muita consequência de mal estar nos animais, como intoxicações medicamentosas, com resistência microbiana e parasitária ou, até mesmo, com insucesso na cura e controle de doenças por protocolos inadequados”, denuncia.

Em uma de suas pesquisas de Mestrado, Evelynne conta que foi encontrado que 54,25% das pessoas entrevistadas utilizavam medicação em seus cães e gatos sem prescrição do veterinário, concluindo que, dentre vários motivos, “as razões para essa prática podem ser por dificuldade financeira para custear consulta veterinária, mas, também, por ausência de compreensão da necessidade deste serviço como forma preventiva. Campanhas instrutivas, exigência de receitas e fiscalização para comercialização de medicação de uso veterinário podem modificar essa conduta” (MARQUES DE MELO et al., 2019).

“Isso nos evidencia e nos explica porque ocorrem tanto descontrole parasitário com doenças sérias manifestadas em animais que têm um histórico de uso profilático de vermífugos, contudo, ao debruçar sobre os protocolos, descobrimos doses, intervalos e entendimentos quanto ao uso inadequados, o que gera uma falsa sensação de proteção ao animal”, diz e adiciona que a vermifugação é uma medida preventiva super simples, mas, quando falha, resulta em doenças muito sérias, com tratamentos caros e até óbito envolvido, além de transmissão zoonótica.

Nos cães, a administração de vermífugos na forma de comprimidos, segundo Evelynne, é, normalmente, bem aceita pelo animal, que consegue ser distraído, por exemplo, escondendo o medicamento em algum alimento. “Já os felinos têm particularidades que merecem ser respeitadas na hora de fazê-los ingerir medicamentos. Então, buscamos praticidade, rapidez e técnicas de manejo. É o nosso desafio diário na clínica e precisamos ensinar aos tutores também (para evitar acidentes, como estresse no animal, mordidas e arranhaduras nos tutores). A melhor opção terapêutica é líquido/suspensão e com auxílio de seringa/aplicadores oral (como Baskem suspensão), e em pasta, que pode ser misturado ao alimento (como Mectal Pasta). Outras soluções tópicas, que podem ser aplicadas na nuca do animal ou, até mesmo, comprimidos palatáveis (para gatos que se permitem ser mais facilmente manipulados)”, recomenda.

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