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    Pensando em ter uma ave como pet? Saiba quais cuidados são essenciais

    Sensíveis, inteligentes e exigentes, as aves domésticas precisam de ambiente adequado, alimentação equilibrada e manejo correto

    Pensando em ter uma ave como pet? Saiba quais cuidados são essenciais
    Rebecca Vettore
    Rebecca Vettore
    21 de novembro de 2025

    Cada vez mais populares nos lares brasileiros, as aves domésticas são coloridas, comunicativas e cheias de personalidade.

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    Mas antes de sair adotando um pet alado, é importante entender a diferença entre aves domésticas, silvestres e exóticas.

    Segundo a Dra. Fernanda Battistella Passos Nunes, médica-veterinária e docente da UniMAX Indaiatuba, as aves domésticas são aquelas que passaram por processo de domesticação, convivendo com o ser humano e reproduzindo-se em cativeiro sem necessidade de captura, como as galinhas, patos e periquitos-australianos.

    Já as aves silvestres são nativas da fauna brasileira, pertencentes a espécies encontradas naturalmente em território nacional, como papagaios, araras, maritacas, tucanos, canários-da-terra e corujas.

    E a criação, reprodução e comercialização dessas aves só podem ocorrer em criadouros legalizados e registrados no Sistema Integrado de Gestão Ambiental da Fauna Silvestre do estado de São Paulo (GEFAU/SP) ou no Sistema Nacional de Gestão da Fauna Silvestre (SISFAUNA) do IBAMA, com emissão de nota fiscal, anilha individual e autorização de transporte.

    Já as aves exóticas são espécies que não ocorrem naturalmente no Brasil, como ringnecks, agapornis, cacatuas e periquitos ingleses.

    Mesmo sendo comuns como pets, também devem ter origem legal e documentação comprobatória emitida por criadouros regularizados.

    “Animal domesticado é um conceito mais amplo, que abrange qualquer espécie que, ao longo de gerações, foi adaptada à convivência humana e perdeu o comportamento selvagem, reproduzindo-se sob cuidados humanos. Todos os animais domésticos são domesticados, mas nem todos os animais criados em casa são. Por exemplo, uma arara criada desde filhote continua sendo uma ave silvestre, e não doméstica”, explica a médica-veterinária.

    Ainda conforme ela, essas distinções são importantes para o bem-estar animal e para a legalidade da posse, evitando o incentivo ao tráfico de fauna.”

    Com isso, de acordo com Fernanda, o primeiro passo para quem quer ter esse pet diferente é adquiri-lo de forma legal e responsável.

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    Se for comprar uma ave doméstica, sempre busque criadouros legalizados (Foto: Reprodução)

    Ambiente adequado e cuidado com a alimentação

    Aves são extremamente sensíveis a mudanças e substâncias tóxicas, por isso, o ambiente deve ser seguro, tranquilo e bem ventilado.

    “É fundamental evitar fumaça de cozinha, teflon aquecido, perfumes, sprays e incensos. Tudo isso pode causar intoxicações graves”, alerta a veterinária.

    Outro cuidado indispensável é a rotina de higiene. Água e alimentos precisam ser trocados diariamente, e a limpeza do viveiro deve ser feita com produtos neutros ou clorexidina diluída, sem odores fortes.

    Além disso, estimular o comportamento natural da ave é essencial para sua saúde emocional.

    Contato diário, brinquedos, galhos naturais, poleiros variados e atividades de forrageamento ajudam a prevenir estresse e distúrbios comportamentais, como gritos excessivos e automutilação.

    A base da dieta das aves domésticas deve ser a ração extrusada específica para a espécie, complementada com legumes, verduras e pequenas porções de frutas.

    “Alface, chocolate, abacate, café e alimentos gordurosos não são recomendados. E é sempre importante consultar um veterinário especializado para ajustar a alimentação ao tipo de ave”, reforça.

    O ambiente também precisa estar dentro de uma faixa adequada de temperatura. “Entre 20°C e 30°C é o ideal, com boa iluminação natural e ausência de correntes de ar”, orienta a médica-veterinária.

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    Antes de comprar, fique atento ao tamanho da gaiola para sua ave (Foto: Reprodução)

    Espaço certo e manejo adequado evitam doenças

    A Instrução Normativa IBAMA nº 7/2015 determina o tamanho mínimo dos recintos para aves, que deve permitir voo, abertura total das asas e deslocamento confortável.

    Viveiros amplos e horizontais são sempre preferíveis às gaiolas estreitas. Escolhas inadequadas também podem prejudicar a saúde do animal.

    Poleiros de lixa, por exemplo, causam calosidades; materiais galvanizados podem levar à intoxicação por zinco; e ambientes úmidos favorecem fungos e problemas respiratórios.

    “Observar sinais como penas arrepiadas, apatia, alterações nas fezes, respiração difícil ou diminuição da atividade é importante. As aves mascaram sintomas, então qualquer mudança exige atendimento imediato”, finaliza Dra. Fernanda.

    E antes de adotar fique atento:

    • Somente aves de origem legal podem ser mantidas em ambiente doméstico;
    • As espécies mais comuns no Brasil que exigem licença incluem periquitos-australianos, calopsitas, agapornis, ringnecks, canários e papagaios verdadeiros;
    • Antes de adquirir uma ave, o responsável deve avaliar o espaço, tempo disponível, expectativa de vida (que pode ultrapassar 40 anos em algumas espécies) e assistência veterinária especializada.

    FAQ sobre ter uma ave doméstica como pet

    Como escolher a ave ideal para o meu estilo de vida?

    É essencial considerar tempo disponível, espaço, expectativa de vida e necessidade de interação. Algumas aves vivem mais de 40 anos e precisam de estímulos diários.

    Qual é o tamanho ideal de gaiola ou viveiro?

    O recinto deve permitir que a ave abra completamente as asas e realize pequenos voos.

    Como manter a higiene para evitar doenças?

    Troque água e comida todos os dias, faça limpeza semanal e mantenha o ambiente seco, iluminado e ventilado. Evite mofo, fezes acumuladas e locais próximos à cozinha ou lavanderia.

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