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Pequenas mudanças na rotina dos gatos devem ser consideradas sinais de alerta

Veterinária especializada em felinos descreve os comportamentos mais comuns da espécie e o que eles indicam

Cláudia Guimarães, da redação

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“Fantásticos e singulares” são os adjetivos mais apropriados para eles, que têm o dia de hoje todo voltado à sua majestade, o gato. Portanto, neste Dia Mundial do Gato e, como essa jornalista que vos escreve é chamada de “louca por gatos”, não poderíamos deixar essa data passar em branco – assim, bem imparcial mesmo. A questão é que, além de mim, são inúmeras as pessoas fascinadas pelos felinos domésticos. O número desses animais cresceu três vezes mais do que os cães, segundo dados da pesquisa Radar Pet, da Comissão de Animais de Companhia (Comac) de 2019.

A quantidade de tutores apaixonados por gatos nem sempre corresponde ao número de informações sobre saúde e comportamento que eles têm sobre a espécie. Por isso, entrevistamos a médica-veterinária especializada em Medicina Felina, Mayara Maeda, sobre algumas atitudes desses pets que, nem sempre, podem ser traduzidas pelo tutor.

O ronronar, por exemplo, segundo a profissional, não é somente uma expressão não verbal de conforto e bem-estar. “Os gatos também podem ronronar quando não estão se sentindo confortáveis em alguma situação. Eles utilizam deste artifício para se auto acalmar, um jeito de tentarem manter a calma em situações estressantes”, explica.

Em resumo, ela declara que os gatos ronronam quando estão se sentindo bem e confortáveis. “Por exemplo, ao receber um carinho e ao se preparar para dormir, enquanto afofam algum cobertor. Mas, é importante lembrar que também podem ronronar quando estão com dores ou quando estão em uma situação desconfortável. Para ter uma boa interpretação do ronronar, é preciso olhar para todo contexto da situação”, pontua.

Os movimentos da cauda podem nos ajudar a identificar como este felino está se sentindo em determinado momento (Foto: reprodução)

Como citado pela veterinária, o famoso “amassar pãozinho” é o comportamento de afofar e se inicia logo quando recém-nascidos, no período da amamentação. “O afofar traz a sensação de tranquilidade e relaxamento. Vários hormônios são liberados neste contato próximo com sua mãe e seus irmãos, que trazem a sensação de bem-estar e prazer. Conforme crescem, esse comportamento tende a diminuir aos poucos. Sendo mais vistos quando estão se preparando para tirar um cochilo, como se estivessem ativando seu ‘modo relaxamento’”, discorre. 

Mas, além desses períodos de descanso, outros modos dos gatos também dizem muito sobre suas intenções, como, por exemplo, o ato de se esfregar. “As principais áreas do corpo que os felinos utilizam para se esfregar nos móveis, no ambiente e nas pessoas, são as áreas onde existem suas glândulas produtoras de feromônios, como a cabeça (queixo e laterais da face), cauda e patas. Sendo assim, quando o gato está se esfregando nestes locais, ele está fazendo marcações com suas glândulas como se estivesse ‘carimbando’ cada local como sendo propriedade dele”, desvenda.

Dessa forma, eles depositam seu cheiro para que outro felino compreenda que aquela área pertence a ele. “É importante dizer que estas áreas são, muitas vezes, na periferia do ambiente, como portas, quinas das paredes e áreas externas. Eles fazem como se fosse um halo de proteção ao redor do seu território. Limpar e esfregar essas áreas, retirando toda essa marcação, é frustrante para os gatos, pois, assim, perderão seu senso de controle e precisarão demarcar tudo novamente. Quem tem gato precisa entender que isto é parte do comportamento natural do felino e deve ser respeitado”, recomenda.

Outra coisa que logo chama atenção do tutor quando faz um carinho no gato são os movimentos do rabo e a posição das orelhas. “Os movimentos da cauda podem nos ajudar a identificar como este felino está se sentindo em determinado momento. Essas expressões existem para que os gatos se comuniquem entre eles. Sabemos que a comunicação entre os gatos é realizada pelas expressões faciais, corporais e vocalizações – e não por miados”, revela.

Quando a cauda está elevada ou dobrada, Mayara afirma que a postura sinaliza calmaria e “amistosidade”. “Mas, se for mantida reta para baixo ou perpendicular ao chão, indica uma postura mais agressiva. Quando o gato bate a cauda de forma intensa de um lado para o outro, também conhecido como ‘chicotear de cauda’, ele se encontra muito agitado, incomodado ou, até mesmo, prestes a entrar em um conflito. Se este sinal for ignorado, o comportamento seguinte poderá ser agressivo”, alerta.

Em relação às orelhas, assim como a cauda, elas dizem muito a respeito do que o felino está sentindo. É preciso, conforme orienta a profissional, estar atento para detectar as informações que elas transmitem. “Quando um felino está com as orelhas eretas, ele está alerta ao ambiente. Quando elas estão eretas e apontando para frente, este gato está mais focado e curioso com alguma movimentação ou som”, descreve.

No entanto, se as orelhas estão viradas para trás e apontadas para baixo, é preciso atenção: este felino está mais nervoso ou se sentindo ameaçado com alguma situação, seja uma pessoa ou animal se aproximando sem que ele permita essa aproximação, por exemplo. “A posição das orelhas descrita anteriormente mostra um gato ameaçado e amedrontado, porém, em frações de segundos, ele pode se tornar agressivo como um modo de proteção. Então, as orelhas tendem a permanecer viradas para trás, porém, com a face interna mais virada para fora”, narra.

Toda essa mudança no padrão das orelhas, segundo a veterinária, acontece de forma muito rápida e é preciso respeitar cada sinal. “Se um gato está amedrontado, em poucos segundos, poderá ser agressivo para sua própria proteção, então, não avance os sinais. Respeite o que o felino está tentando dizer: ‘Se afaste, não quero essa interação. Posso me tornar agressivo se você avançar o sinal’”.

Além de carinho do tutor para com o felino, é preciso mais: atenção para identificar qualquer alteração comportamental (Foto: reprodução)

Atenção à comunicação felina

Como já percebemos, com a explicação de Mayara, qualquer mudança no comportamento de um felino já é um grande indício que algo não está bem. Ou ele está se sentindo ameaçado ou está com algum problema de saúde, que gera desconforto ou dor. 

“As expressões faciais e corporais descritas acima pontuam desconforto imediato, perante alguma situação pontual. Então por exemplo, se está acontecendo uma festa na casa ou visita de pessoas diferentes, é muito provável que o felino irá se esconder, se mostrar agressivo com a tentativa de interação de alguém que não é do seu meio família. Será fácil compreender o motivo do comportamento deste animal”, elucida.

Agora, se um gato que costumava ser sempre calmo com outros animais da casa e com as pessoas do ambiente e, em determinado momento, passa a ser agressivo com a aproximação deles, a veterinária já avisa: algo está deixando esse felino mal. “Seja uma dor ou mal estar. Ele busca se proteger de qualquer interação que possa trazer dor.  Se toda a rotina está igual, são todos contactantes do ambiente familiar e este felino está se mostrando medroso ou agressivo em situações de aproximação, algo não está bem”, sugere.

Portanto, tutores, alguns sinais, ao serem percebidos, devem ser checados por um profissional especializado em Medicina Felina para investigar as possíveis causas. Dentre eles, Mayara cita: “Começar se esconder ou dormir em locais diferentes; deixar de correr até o pote de ração quando ouve que seu tutor está colocando alimento novo (se esse era um hábito rotineiro); se tornar agressivo quando manipulado em alguma região; deixar de subir nos móveis como de costume; deixar de fazer sua auto higiene”.

Se as orelhas estão viradas para trás, é preciso atenção: este felino está mais nervoso ou se sentindo ameaçado com alguma situação (Foto: reprodução)

Relação tutor-gato

Então, além de amor e carinho do tutor para com o felino, é preciso mais: atenção para identificar qualquer alteração comportamental. Para isso, a principal dica da médica-veterinária Mayara Maeda é não subestimar as pequenas mudanças na rotina do felino. “Se seu gato costumava acabar com a ração em ‘x’ horas e, agora, a ração persiste no pote por ‘2x’ horas, mesmo que no final do dia a quantidade da ração tenha acabado de qualquer maneira, a mudança no ritmo da alimentação já é suficiente para buscar ajuda veterinária. Não espere o animal deixar de comer de vez, perder peso e manifestar mais sintomas”, insiste.

Se o felino costumava, em determinado momento do dia, ficar em um local específico e, agora, está ficando em outro, mais um sinal de alerta. “Se ele sempre vem te receber na porta e agora não demonstra mais interesse, sinal de alerta. Se notou pelo opaco e sem brilho, sabidamente seu felino deixou de fazer sua auto higiene, isso é um grande sinal que ele não está se sentindo bem, por mais que esteja comendo normalmente”, enumera e lembra que estes são apenas alguns exemplos. “Em resumo: não subestime pequenas mudanças”, adiciona.

Saber que, na natureza, gatos são presas e predadores também facilita o entendimento de muitos comportamentos. “Os felinos sabem que podem se tornar presas a qualquer momento se não estiverem em bom estado de saúde. Por isso, eles se mantêm, aparentemente, ‘firmes e fortes’ mesmo quando já não estão se sentindo muito bem, escondendo, ao máximo, qualquer fragilidade que possa estar passando”, demonstra. E é exatamente por isso que, muitas vezes, como explicado pela profissional, os felinos chegam ao atendimento com doenças que já estão bastante avançadas, pois eles esconderam o problema até demonstrar sintomas importantes e seus tutores, então, procurarem ajuda. 

“Por isso, é preciso lembrar das pequenas mudanças e sinais de que algo não está bem que citei acima. Se esses detalhes forem negligenciados, o tutor de gato talvez vá se preocupar somente quando sintomas mais graves aparecerem E, então, já terá passado bastante tempo desde que a doença se iniciou”, salienta.

Com isso em mente, a melhor forma de prevenir doenças é com a medicina preventiva. “Buscamos, com a medicina preventiva, o diagnóstico de doenças antes mesmo que elas possam causar qualquer sintoma, aumentando, assim, a expectativa de vida dos animais. Se tudo estiver perfeitamente bem com o seu felino, a recomendação é levá-lo para consulta de rotina anualmente para exames de check-up e vacinação. A partir dos 10 anos de idade, avaliação semestral. Essas recomendações podem variar de acordo com os resultados encontrados nos exames de acompanhamento e com a avaliação de cada paciente”, esclarece.

Por fim, Mayara comemora o fato de os animais serem tratados, hoje, como integrantes da família, o que, consequentemente, aumenta a importância da medicina preventiva e cuidados veterinários. “Sou mãe de gato e veterinária de gatos. Os felinos fazem parte de 100% da minha vida. É extremamente gratificante poder cuidar deles e instruir as pessoas sobre como respeitar esta espécie, que ainda hoje, é bastante incompreendida”, encerra.

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