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Pets e Curiosidades

Pet doador de sangue? Veterinária esclarece dúvidas sobre o procedimento

Salvar vidas é um ato de amor e carinho que os animais também podem praticar por meio da doação de sangue

Pet doador de sangue? Veterinária esclarece dúvidas sobre o procedimento
Por Matheus Oliveira
14 de junho de 2024

Apesar de serem muito amados, infelizmente, os pets não estão salvos de adoecerem e sofrerem. Algumas doenças podemos evitar por meio da vacinação e cuidados diários, mas, às vezes, não nos resta opção a não ser enfrentar a doença e lutar junto com eles.

Em alguns casos, os animaizinhos ficam acometidos de enfermidades graves que tornam a necessidade de transfusão de sangue uma realidade. Você sabia que os animais também realizam doação e transfusão de sangue? Esse recurso não é restrito apenas aos humanos, e os animais também podem se ajudar entre si.

Para compreender melhor essa situação, a Equipe Cães e Gatos conversou com a médica-veterinária especializada em hematologia canina e hemoterapia de cães e gatos e diretora do Pet Care Homovet, Simone Gomes, que nos esclareceu algumas dúvidas comuns que os tutores, geralmente, possuem. Vamos, juntos, compreender um pouco mais sobre esse cenário.

Toda a doação é feita sob os cuidados de uma equipe veterinária (Foto: Reprodução)

Quando meu pet precisará de uma doação de sangue?

A doação de sangue é importante para salvar a vida de cães e gatos acometidos por várias enfermidades que causam anemia, diminuição de plaquetas ou fatores de coagulação,  semelhantes com as indicações para o ser humano. As principais enfermidades em que são indicadas as transfusões sanguíneas são:

– Anemia grave causada pelas doenças transmitidas pelo carrapato, principalmente, erliquiose e babesiose no caso dos cães. Em gatos, pode ocorrer anemia intensa em casos de micoplasmose transmitida pela pulga e doenças virais como leucemia viral felina;

– Acidentes que levam a hemorragias como atropelamentos, brigas com outros cães e picada de cobras;

– Procedimentos cirúrgicos, especialmente os tumores que são cada vez mais frequentes e correção de fraturas extensas;

– Anemia em consequência de problemas em órgãos como rins e fígado denominados de insuficiência renal e hepática, respectivamente;

– Doenças autoimunes, como anemia hemolítica imunomediada (anemia autoimune) e trombocitopenia (diminuição de plaquetas causando sangramentos);

– Pacientes oncológicos que apresentam anemia, diminuição de plaquetas e fatores de coagulação.

Alguns desses cenários acabam pegando os tutores de surpresa, e surgem várias dúvidas. Por isso, diversas pessoas não conhecem um banco de sangue pet e não sabem da importância de se tornarem doadores por meio de seus pets, ajudando a salvar diversos animais, principalmente em casos de emergência.

A doação de sangue é importante para salvar a vida de cães e gatos acometidos por várias enfermidades (Foto: Reprodução)

É um procedimento seguro? Como posso saber se meu pet pode ser um doador?

De acordo com a profissional, o procedimento, assim como em humanos, é seguro desde que sejam atendidos alguns critérios, como:

•       Os cães devem apresentar peso mínimo de 27 kg, idade entre 1 e 8 anos, temperamento dócil, vacinação e vermifugação atualizadas, controle de carrapatos e pulgas.

•       Os gatos devem ter peso mínimo de 4 kg, idade entre 1 e 8 anos, temperamento dócil, vacinação e vermifugação atualizadas, controle de pulgas e carrapatos.

“É desejável que os doadores, em ambas as espécies, não tenham doenças, não estejam em tratamento com algum medicamento, não tenham sido submetidos a alguma transfusão, não podem estar gestantes, no cio ou amamentando”, informa a profissional.

Segundo Simone, os doadores recebem uma avaliação clínica completa, com diversos exames, sejam físicos ou laboratoriais completos, além da testagem do tipo sanguíneo.  

Os gatos devem ter peso mínimo de 4 kg para serem doadores (Foto: Reprodução)

Os animais possuem diferentes tipos sanguíneos?

Sim! A veterinária comenta que os animais, assim como os humanos, possuem diferentes tipos sanguíneos. “Nos cães, são documentados mais de 12 grupos. Já os felinos possuem o sangue registrado por meio da metodologia AB, podendo variar entre A, B e AB”, revela.

Mas, mais importante que saber o tipo de sangue do doador, é o ato de doar! Diversos animais precisam, atualmente, deste tipo de socorro, e qualquer tipo é sempre bem-vindo e necessário.

Agora que você já sabe quais são as principais causas necessárias para a transfusão de sangue, além de saber como funciona os cuidados prévios e as tipologias, é importante você se conscientizar e, se possível, levar seu animal para doar.

Toda a doação é feita sob os cuidados de uma equipe veterinária, que auxiliará seu animalzinho. “A recuperação após a doação de sangue é muito tranquila, sem efeitos adversos para cães e gatos doadores. Só recomendamos evitar a prática de atividades físicas no dia da doação de sangue”, salienta.

Então, junte-se à causa dos doadores de sangue a deixe seu amigo pet salvar outros pets.