O aumento das promoções e do volume de compras durante o Mês do Consumidor acende um alerta para um problema que preocupa o setor de saúde animal: a circulação de medicamentos veterinários piratas ou de procedência duvidosa.
Produtos falsificados, contrabandeados ou roubados podem representar riscos significativos à saúde dos animais e também provocar prejuízos à produtividade agropecuária.
Em determinadas situações, o impacto pode atingir ainda a segurança de alimentos destinados ao consumo humano.
O alerta é do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), que recomenda atenção redobrada neste período de maior movimentação no comércio físico e, principalmente, digital.
Campanha orienta profissionais e responsáveis sobre riscos
Uma das iniciativas da entidade para enfrentar o problema é a campanha Olhos Abertos, criada para informar médicos-veterinários, produtores rurais, revendas agropecuárias, distribuidores e responsáveis por animais sobre os perigos associados ao uso de medicamentos irregulares.
Segundo o vice-presidente executivo do Sindan, Emílio Salani, esses produtos não passam pelos processos de avaliação exigidos pelos órgãos reguladores.
“Medicamentos veterinários piratas não passam pelos processos de avaliação exigidos pelos órgãos reguladores. Isso significa que não há garantia de qualidade, segurança ou eficácia”, afirma.
Internet amplia circulação de produtos irregulares
Um levantamento realizado pelo Radar Vet, iniciativa desenvolvida pelo Sindan, ajuda a dimensionar o desafio. De acordo com a pesquisa, 64% dos médicos-veterinários afirmam que identificar produtos piratas em comparação aos originais é quase impossível.
A expansão das vendas pela internet também contribuiu para aumentar a circulação de medicamentos irregulares. Com o crescimento de e-commerces e marketplaces, surgiram novos canais para a comercialização de produtos ilegais, dificultando a fiscalização.
“Hoje a internet é apontada como o principal canal de circulação de medicamentos veterinários falsificados no Brasil”, explica Salani.
O problema se torna ainda mais relevante quando se considera o tamanho do setor. Segundo dados do Sindan, o mercado de saúde animal movimenta quase R$12 bilhões por ano no Brasil.
A entidade estima que entre 10% e 15% dos medicamentos veterinários consumidos no país possam ser irregulares, incluindo produtos falsificados, contrabandeados ou sem registro.
Operações de fiscalização revelam esquemas organizados
Casos recentes demonstram que a pirataria de medicamentos veterinários não ocorre de forma isolada.
A Operação Vaca Brava, conduzida por órgãos de fiscalização, identificou esquemas organizados de falsificação e distribuição ilegal desses produtos no país.
Para combater esse cenário, a campanha Olhos Abertos busca mobilizar todos os elos da cadeia da saúde animal, incluindo profissionais da área, distribuidores, revendas agropecuárias, produtores rurais e responsáveis por animais.
A iniciativa foi desenvolvida pelo Sindan em parceria com entidades como o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) e a Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav).
Entre as principais recomendações estão:
- adquirir medicamentos apenas em revendas autorizadas ou canais oficiais;
- verificar registro, número de lote e data de validade;
- observar se o rótulo está em português;
- desconfiar de preços muito abaixo do valor de mercado.
- Também é importante evitar compras em canais digitais sem procedência clara.
Impactos podem atingir saúde animal e segurança alimentar
O uso de medicamentos veterinários falsificados não afeta apenas os animais tratados com esses produtos.
No caso de animais de produção, como bovinos, aves e suínos, substâncias de origem desconhecida podem comprometer o desempenho produtivo e até a qualidade de alimentos como carne, leite e ovos.
Outro ponto de preocupação está na utilização de matérias-primas de baixa qualidade e na ausência de estudos de bioequivalência, fatores que podem resultar em tratamentos ineficazes e aumentar riscos sanitários.
Entre animais de companhia, o impacto também preocupa especialistas. Com o crescimento do mercado pet e o fortalecimento do vínculo entre responsáveis e seus animais, medicamentos falsificados podem causar falhas terapêuticas, intoxicações e agravamento de enfermidades.
Para auxiliar na fiscalização, o Ministério da Agricultura e Pecuária disponibiliza o canal Fala.br, plataforma oficial que permite registrar denúncias relacionadas a irregularidades envolvendo produtos veterinários.
Fonte: Make Buzz, adaptado por Cães & Gatos
FAQ sobre pirataria de medicamentos veterinários
O que são medicamentos veterinários piratas?
São produtos falsificados, contrabandeados, roubados ou comercializados sem registro oficial e que não passaram pelos processos de avaliação exigidos pelos órgãos reguladores.
Quais riscos esses medicamentos podem causar?
Eles podem provocar falhas no tratamento, intoxicações, agravamento de doenças e prejuízos à produção agropecuária.
Como evitar a compra de medicamentos veterinários irregulares?
A recomendação é adquirir produtos apenas em revendas autorizadas, verificar registro, lote e validade e desconfiar de preços muito abaixo do mercado.
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