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POR QUE PODE MATAR BOI, MAS NÃO CACHORRO É TEMA EXPLORADO EM ARTIGO

Argumento é que um foi designado para produção e outro para integrar famílias

Argumento é que um foi designado para produção e outro para integrar famílias

Joel Pinheiro da Fonseca pergunta, na Exame: “Se a morte do cachorro no Carrefour foi um ato desumano. A morte de milhões de bois diariamente não é?”. O ponto de vista do diretor de redação da Superinteressante, Alexandre Versignassi, é “não, não é”. 

Em seu artigo, ele declara que cães e bois têm uma coisa em comum: são dois seres vivos artificiais. “Nem um nem outro existe na natureza – não na forma como os conhecemos. Ambos foram desenvolvidos por seleção artificial, ao longo de mais ou menos 15 mil anos – e tiveram sua produção largamente acelerada nos últimos 200 anos”, aponta. 

A diferença, segundo ele, é que um animal foi construído para produzir volumes insanos de carne e de leite e o outro para substituir bebês humanos. “Certos cães parecem bonecos porque, no fundo, é isso que eles são. Há 15 mil anos, passamos a alimentar e cuidar de lobos mais dóceis. Selecionamos os mais afáveis e dependentes para se reproduzir e fomos matando os mais bravos, que mantinham o comportamento lupino, selvagem”, considera. 

Com o tempo, boa parte desses descendentes dos lobos já tinha sofrido mutações genéticas o bastante para se tornar cães de colo, como mencionado por Versignassi, absolutamente incapazes para a vida selvagem. “Coloque um Shi Tzu na sua casa e ele passará mais de uma década fazendo fofuras – contra uns poucos anos de um rebento de Homo sapiens –, porque foi geneticamente programado para ser um filhote eterno. Coloque um Shi Tzu na natureza e ele será devorado por joaninhas”, compara. 

Entre os bois, para o jornalista, o que chama atenção é o tamanho da população. “Há 1 bilhão de cabeças de gado no mundo. No Brasil, é uma cabeça de gado por habitante. Em estado natural, isso faria dos bois uma das espécies mais bem sucedidas em todos os tempos. Não é o caso. Só existem um bilhão de bois porque há quem os coma. Não houvesse, teríamos uma população extraordinariamente menor – centenas de milhões de bois deixariam de existir. A atividade humana em relação aos bois não é de predação, é de engenharia biológica”, argumenta. 

Ele acredita que há um dilema sobre se engenharia biológica é algo ético ou não e afirma que isso vale para o mundo dos cães também. “Os pugs, por exemplo, já nascem com uma doença respiratória séria, que os fazem sofrer ao longo da vida toda – tudo para que tenham aquele rosto redondo de bebê, que humanos, instintivamente, acham fofo. Meu ponto aqui, de qualquer forma, não é defender animais, nem criadores de animais, nem comedores de animais. É defender que não existe um debate completo, sobre nenhum assunto, sem a luz da psicologia evolutiva”, declara. 

O profissional ainda atesta que cães fazem parte daquilo que chamamos de “humanidade”. “Sim, o conjunto dos humanos, para efeitos práticos, é formado por duas espécies, o Homo Sapiens e o Canis Familiaris (o Felis Catus também pleteia seu lugar). Bois não. Não fazem parte do nosso círculo íntimo”, finaliza. 

Fonte: Superinteressante, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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