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Profissionais comentam a importância do título de especialista para Veterinária do Coletivo

Interessados na titulação devem estar atentos às publicações do CFMV e do IMVC

Cláudia Guimarães, em casa

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Com o decorrer do tempo, determinas áreas da saúde tanto humana como de animas vão ganhando destaque. Esses segmentos são, enfim, reconhecidos por seus órgãos competentes como novas especialidades da Medicina Humana e Veterinária. Foi o que ocorreu, recentemente, com a Medicina Veterinária do Coletivo (MVC). A decisão ocorreu na 346ª Sessão Plenária Ordinária do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), realizada em 28 de abril.

A MVC trabalha com questões amplas como zoonoses, saneamento básico, violência, pobreza, educação em saúde e preservação ambiental. Além disso, trabalha de forma preventiva, com equipes multidisciplinares, em prol de uma relação mais harmônica entre os homens, seus animais e o ambiente.

O Instituto de Medicina Veterinária do Coletivo (IMVC) é a organização habilitada junto ao Conselho Federal para emitir o título de especialista. Conforme explica o médico-veterinário e conselheiro do IMVC, Lucas Galdioli, ainda não há previsão de data e/ou local para acontecer a primeira seleção de emissão do título de especialista. “Informações mais detalhadas serão publicadas no site do Instituto, a partir de agosto de 2022”, declara.

Mas, desde já, podemos destacar a importância desse título de especialista aos profissionais que atuam na área e para a Medicina Veterinária no geral. Galdioli argumenta que o título de especialista para MVC é um marco histórico. “Junto com ele, vem o amplo e merecido reconhecimento da área pelo CFMV. A MVC objetiva promover a saúde e o bem-estar dos indivíduos, com enfoque nas interações humano, animal e ambiente, principalmente nas temáticas ligadas à saúde coletiva, Medicina de Abrigos, Medicina de Desastres e Medicina Veterinária Legal. Esse reconhecimento traz a discussão de questões importantes, como a compreensão de que o médico-veterinário é um profissional de saúde essencial para a saúde não só animal, mas ambiental e humana, consolidando o conceito de Saúde Única”, atesta.

Como destacado pelo profissional, atualmente a formação do médico-veterinário ainda é generalista, mas o mercado exige, cada vez mais, que os profissionais ofereçam respostas específicas a determinados assuntos e demandas. “O avanço do conhecimento nas diferentes áreas de atuação profissional tem determinado o surgimento contínuo de especialidades. O objetivo de se especializar é de desenvolver habilidades específicas em uma área com competências tão diversas. A titulação permite maior empregabilidade, diferenciação no mercado e ascensão na carreira”, pondera.

Zoonoses, saneamento básico, educação em saúde e preservação ambiental são algumas das questões a serem trabalhadas na Medicina Veterinária do Coletivo (Foto: reprodução)

Quem pode concorrer ao título?

A médica-veterinária e coordenadora de Projetos e de Informações do Instituto de Medicina Veterinária do Coletivo, Rosangela Ribeiro Gebara, explica que o termo “especialista”, na Medicina Veterinária, é um título homologado pelo CFMV àquele emitido por entidades que cumprem os requisitos da resolução que trata sobre especialidades veterinárias (Resolução CFMV nº 935/2009) e que devem estar habilitadas pelo Federal.

Segundo ela, as normas regulamentadoras de concessão de título de especialista em Medicina Veterinária do Coletivo pelo IMVC são:

  • O candidato interessado ao título de especialista em MVC deverá passar por um processo seletivo composto por prova objetiva de conhecimentos específicos de Medicina Veterinária do Coletivo, sendo de caráter eliminatório e classificatório;
  • Apresentar memorial documentado, que inclua o currículo Lattes, no qual se possa comprovar que o solicitante desenvolve atividades na área da especialidade requerida há pelo menos 05 (cinco) anos, incluindo os cursos de pós-graduação lato e/ou stricto sensu. Caso o solicitante não possua quaisquer dos títulos citados anteriormente, poderá pleitear o título de especialista desde que apresente memorial documentado que demonstre, de forma inequívoca, sua experiência há pelo menos 08 (oito) anos, na área da especialidade pleiteada e logre aprovação na prova de conhecimentos específicos.

“Além das normas acima, os candidatos devem preencher os seguintes pré-requisitos: possuir diploma de médico-veterinário, devidamente registrado no CRMV da jurisdição onde atua e não estar cumprindo pena por infração ética; apresentar certidão de habilitação legal (CHL) original do respectivo CRMV; ser associado do IMVC/ITEC há pelo menos dois anos, excluindo-se o ano da prova, e estar quite com a anuidade, devendo encaminhar declaração comprobatória; ter currículo lattes cadastrado”, enumera.

Rosangela indica que o Título de Especialista obtido terá validade de 5 anos, conforme determinação da Resolução CFMV No 935, de 10 de dezembro de 2009. “Após o término da validade, o profissional poderá revalidar seu título por igual período, apresentando, para tanto, memorial documentado no qual se possa comprovar que o solicitante desenvolveu atividades na área da especialidade nos últimos 05 (cinco) anos, incluindo eventos promovidos pela entidade, pela ministração de palestras e de cursos vinculados à especialidade; pela apresentação de trabalhos em conclaves científicos; pela participação em eventos científicos nacionais ou estrangeiros; pela publicação de artigos de divulgação e trabalhos em periódicos arbitrados e indexados; por atividades de consultoria e/ou assessoria; pela coordenação ou participação como orientador em Programas de Residência e de graduandos em Medicina Veterinária ou Zootecnia; pela responsabilidade por serviços ou setores vinculados a especialidade e de inequívoca e comprovada atuação na rotina da área da especialidade”, complementa.

Os profissionais que escolherem a Medicina Veterinária do Coletivo têm atuação em diversos setores da profissão (Foto: reprodução)

Atuação profissional.

O veterinário Lucas Galdioli mostra que a MVC envolve uma atuação mais holística e abrangente de uma Medicina Veterinária com maior entendimento da complexidade social, ambiental e suas demandas políticas, econômicas, sociais e educacionais existentes em todas as comunidades e territórios, visto que essas demandas não são apenas problemas humanos, pois refletem sobre a vida dos indivíduos, famílias, comunidades e seus animais. “Ela objetiva promover a saúde e o bem-estar dos indivíduos, famílias, comunidades e entorno, considerando os animais como parte integrante e indissociável dessas representações e gerando diversas possibilidades de interação com outras disciplinas e novas áreas para atuação do profissional. Dessa forma, a Medicina Veterinária do Coletivo é uma nova área multidisciplinar da Medicina Veterinária que utiliza conhecimentos da Saúde Coletiva, da Medicina de Abrigos e da Medicina veterinária Legal”, reforça.

Assim, de acordo com ele, os profissionais têm atuação em diversos setores, atuando no controle e prevenção de zoonoses e de outros agravos que envolvem a interação humano, animal e ambiente, seja na atenção primária ou em nível central; no diagnóstico das interações humano-animais negativas relacionadas com a violência interpessoal e maus-tratos, abuso, negligência e crueldade animal; na medicina de abrigos, sejam em Centros de Controle de Zoonoses ou Unividades de Vigilãncia em Zoonoses, ou em abrigos do terceiro setor;  na medicina de desastres, atuando em planos de contingenciamento, e também durante e após esses eventos, tanto para melhorar o nível de bem-estar dos animais resgatados como na perícia; na medicina veterinária legal, tanto como assistente técnico como perito. “Os locais de atuação no poder público envolvem secretarias de saúde, meio ambiente e de assistência social, trabalhando em rede de forma interdisciplinar e transdisciplinar com outros profissionais”, adiciona.

Na visão dos profissionais, o CFMV está reconhecendo uma área importante e relevante da Medicina Veterinária que já é reconhecida como especialidade em diversos outros países, como por exemplo a chamada Shelter Medicine, nos EUA e Europa. “Apesar de já reconhecida em outros países, é possível dizer que em relação a outras especialidades ainda é uma área recente da profissão, tendo seu início em meados da década de 90. No Brasil, a MVC começou a progredir há, aproximadamente, 10 anos, sendo que a primeira disciplina e residência em MVC surgiram em 2011, na Faculdade de Ciências Agrarias, da Universidade Federal do Paraná (UFPR)”, recorda Rosângela.

Portanto, se você já atua nesta área e quer ser reconhecido como especialista, fique atento as informações publicadas pelo CFMV e IMVC sobre o processo de emissão do título de especialista.

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