in ,

Profissional comenta importância da atuação de zootecnistas no mercado pet

O zootecnista conhece os insumos do petfood, suas interações entre si e entre as mais variadas espécies animais

Cláudia Guimarães, da redação

[email protected]

Aos 17 anos, em 1985, ele decidiu cursar Zootecnia, simplesmente por entender que essa era a profissão mais próxima daquilo que o deixava feliz: pelo contato com os animais, com os controles, o conhecimento da genética e a nutrição de cães e gatos. “Ao menos era isso o que, naquele momento, eu entendia por Zootecnia”, brinca o zootecnista, que atua em nutrição pet e é membro do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Pernambuco (CRMV-PE), João Franz Tegethoff. Ele é o nosso personagem neste Dia do Zootecnista.

O profissional conta que se formou em 1990 e foi para uma fazenda de produção de leite, no agreste do Estado de Pernambuco, onde atuou como zootecnista. “Especificamente, na área de avaliação das dietas e dos rebanhos (caprinos, bovinos de leite e equinos). Depois, numa multinacional chinesa especializada em fazer rações para camarões. Em seguida, em uma multinacional americana, onde fui gestor de áreas de suprimentos (matérias-primas para rações), entre outros locais”, menciona.

Após apresentarmos um pouco do longo currículo de João Tegethoff, partimos para o nosso foco: animais de companhia. Ainda nos dias atuais, muitas pessoas desconhecem o importante papel do zootecnista na vida dos cães e gatos e, segundo nosso entrevistado, o mundo pet, é um mundo diferente e repleto de detalhes: “Na verdade, de fascínios, pois muito me deixa alegre e estimulado com seus desafios”, compartilha.

Ele cita que, seja sobre quem for, tem um ditado que diz “Saúde começa pela boca”. “Muitos já escutaram de uma avó ou de uma tia e, aqui, não estou falando do dentista, muito importante e que também, em parte, serve o jargão. Mas, sim, de que a forma que nos alimentamos interfere diretamente no que somos ou no que são nossos pets. Então, pela boca é que começa a saúde”, destaca.

O zootecnista João Franz Tegethoff é formado pela UFRPE e é especialista em nutrição pet, responsável técnico e consultor de 10 empresas
(Foto: divulgação)

Possíveis atuações 

O zootecnista, em sua descrição, é o profissional que está habilitado a trabalhar as adequações nutricionais das espécies animais (produção animal e/ou pet) a fim de promover a justa e equilibrada saúde, nutrição e bem-estar. “Conhecendo cada espécie, sua fisiologia, suas particularidades alimentares, hábitos, origem, ingredientes específicos para cada dieta, seu processamento, forma de disponibilização desses nutrientes, entre outros, temos, de forma rápida, um resumo de parte das ações de um zootecnista dentro da saúde, nutrição e bem-estar animal”, explica.

E se alguém ainda se pergunta o que o zootecnista tem a ver com o mercado de rações pet, João elucida: “Somos profissionais que conhecem os insumos (matérias-primas, milho, soja, trigo, farinhas de origem animal, vitaminas, minerais, aditivos), suas interações entre si e entre as mais variadas espécies animais, que entendem da fisiologia animal, processos digestivos, ações de ingredientes, sobre produção de leite, carne, ovos, comportamento, seja uma ave ou um pet. Nós estamos antenados nas movimentações de um mercado exigente, competitivo e crescente a cada momento”, argumenta.

Além de cuidar da nutrição de cães e gatos, como já mencionado, a etologia, que é o estudo do comportamento animal, também é um saber do zootecnista. “Isso significa entender a origem de cada espécie, dos hábitos primitivos, da forma de se alimentar, sua forma de se organizar como grupo ou não, o que o ambiente de origem desta espécie provocou neste animal e o desenvolvimento e modificações (ajustes) que este indivíduo possui hoje. Este conhecimento leva ao processo de entender o comportamento deste pet, suas interações com os mais variados tipos de tutores, suas consequências e, em muitos casos, como corrigir algumas condutas”, declara.

Não bastando, a docência também é um bom caminho a ser seguido por um zootecnista, na visão do profissional. “As universidades são excelentes oportunidades, mas vale salientar que precisam de zootecnistas que apliquem o discurso de formar futuros profissionais para solucionar necessidades dos diversos mercados, não apenas criar conhecimento não aplicável. Fica a crítica não para o zootecnista, mas para alguns modelos acadêmicos”, analisa.

Neste Dia do Zootecnista, João acredita que o que deve ser reforçado é que este profissional é quem entende de nutrição – e de outros assuntos também. “Os tutores, muitas vezes, escutam – ou leem nas redes sociais – alguém com uma eloquência capaz de tentar transformar um modismo não verdadeiro em uma mentira aceitável. Procurem profissionais que tenham referências, avaliem! Em todo lugar, a ignorância (por não conhecer) leva muitos a decisões erradas. Temos outros profissionais que se qualificaram para atender este mercado e devem ser respeitados, mas não tiveram, na academia, o aporte de informações na mesma proporção”, pondera.

João encerra afirmando que o zootecnista é um dos melhores “produtos” no mercado para uma possível caminhada de sucesso no mundo da nutrição pet.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

tatuagem animal

Paraná: PL proíbe realização de tatuagens e colocação de piercings em animais

animas de rua

CRMV-SP promove ciclo de palestras em Responsabilidade Técnica e saúde pública