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RECIPROCIDADE É O QUE MELHOR DEFINE A RELAÇÃO ‘HUMANO X ANIMAL’

Animais de companhia mudam a vida de famílias e de médicos-veterinários

Cláudia Guimarães, da redação

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Neste Dia Nacional dos Animais lembramos que, antes eram indispensáveis; hoje, insubstituíveis. Os animais passaram de servidor do homem a seu principal companheiro. Se voltarmos lá atrás, iremos perceber que os animais estão presentes na vida das pessoas desde a fase pré-histórica. Ocorre que, ao longo dos anos, tudo foi se transformando, inclusive, o contato dos seres humanos com eles.

A psicóloga Psicanalista, Thais Helena Ibañez, menciona um dos principais gatilhos para essa mudança: algumas das funções que eram destinadas e desempenhadas por bichos puderam ser substituídas por equipamentos, por exemplo. “Consequentemente, isso trouxe uma nova possibilidade de relacionamento entre os humanos e os animais. Esse tipo de contato vem se estreitando cada vez mais, conseguindo despertar nas pessoas outras percepções e sentimentos, trazendo, também, benefícios emocionais”, comenta.

Assim, hoje, a adoção de um animal pode estar relacionada a vários fatores, sendo que cada pessoa terá o porquê de sua busca e escolha. “Vale ressaltar que é preciso muito cuidado quando a intenção da adoção estiver relacionada a querer preencher algo na própria vida. Um animal precisa de muito cuidado e dedicação. Se a busca for por completar a si, sem que seja oferecido algo em troca, pode ficar difícil, pois, foram criadas expectativas sem considerar a real condição do animal, que precisa de atenção e pode ou não oferecer aquilo que é esperado”, indica a profissional.

Por isso, ela frisa que cabe pensar que a adoção de um animal traz novas experiências como: dedicação, cuidado, responsabilidades, despesas, entre outras coisas, e o animal, normalmente, desenvolve uma relação com seu tutor e isso pode ir de encontro à necessidade de uma pessoa, ajudando-a em alguns aspectos.

Personalidade. Alguns estudos afirmam que os tutores que adotam cães possuem características, como serem mais ativos e sociáveis, diferentes dos proprietários de gatos, que são mais introvertidas e sensíveis. Mas Thais declara: “São animais diferentes e, por isso, seus tutores terão interações e cuidados diferenciados para cada um. Porém, não se deve considerar a personalidade de uma pessoa apenas pelo animal que ela escolheu, o ser humano é um ser biopsicossocial e são vários aspectos o constituem como indivíduo”.

Uma pessoa com problemas de ansiedade e depressão, por exemplo, pode ser beneficiada com a relação com os animais. “Esses contatos e interações alteram os níveis cerebrais, gerando reações dos neurotransmissores e estes agem regulando os hormônios, o que contribui com a diminuição dos sintomas. Sendo assim, os benefícios recebidos pelo contato com o pet podem colaborar na diminuição dos sintomas, mas não resolverão o problema. Pessoas que apresentam transtornos emocionais, como ansiedade, depressão ou outros, precisam da ajuda de um psicólogo e, se necessário, também de outros profissionais para cuidar da sua saúde mental”, alerta.

A ajuda que os animais podem oferecer a pessoas em tratamento está relacionada ao desenvolvimento do afeto; estimulação da sensibilidade tátil, visual e auditiva; aspectos relacionados a autoestima e a auto confiança; melhoria no tônus muscular; auxílio na percepção dos movimentos e na coordenação motora, entre outros. “Ou seja, eles auxiliam no cuidado como um todo, alinhando a saúde mental e a saúde física”, afirma.

Pet doente x Emocional do tutor. Sobre o tema Thaís discorre: “Quando se deparam com a doença de seu animal e seguem acompanhando o seu quadro clínico podem ter uma forma diferente de aceitação da perda porque se as condições de recuperação vão diminuindo, o tutor passa a considerar a possibilidade de despedida”, diz.

Ao se deparar com a morte do pet é muito importante estar atento aos sentimentos que essa fase irá despertar, reforça a profissional. “O luto é um processo intenso e gradativo. Cada um passa pela dor de maneira diferente, não existe um certo ou errado e o tempo para cada um lidar com esse processo também varia. É preciso ter paciência e se permitir sentir a dor pela perda do pet. Desta forma, seguirá processando a morte”, compartilha e adiciona que o luto envolve as seguintes fases: negação, raiva, negociação, “depressão” e aceitação. “Essas fases podem ocorrer juntas, separadas e não necessariamente nessa ordem. Contar com a ajuda de um psicólogo neste momento é de grande importância”, orienta.

Outro momento bastante difícil para o proprietário de pet é quando o assunto é eutanásia. “Nesta situação também não existe uma forma única e correta para preparar o tutor para esse momento. A pessoa que está passando por esse processo e conta com ajuda psicológica recebe apoio dentro da sua necessidade. Conta com um espaço de escuta diferenciado e qualificado para auxiliar a passar por uma experiência tão difícil”, insere.

Veterinário e animais. Ao lidar com quadros complicados de pacientes diante de seus tutores, o clínico deve manter sua postura e reconhecer que controlar as emoções é diferente de não sentir nada, como destaca a psicóloga. “É importante se deparar com as dificuldades desse momento, lidar com a impotência e outros sentimentos que possam surgir, além de considerar que levar essa informação para o tutor permite que ele possa se preparar para essa realidade”, aconselha.

Mantendo o profissionalismo, o trabalho não afeta a saúde psicológica do veterinário, mas, para Thais, é de extrema importância contar com ajuda de psicólogos. “Quando o profissional se depara com uma situação adversa, ele entra em contato com seus sentimentos e, também, com o do outro. Nessas horas, o autoconhecimento é fundamental para conseguir avaliar suas ações em prol da vida daquele animal e daquele tutor ou até de uma família”, atesta.

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