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RONRONAR DOS GATOS É ATRIBUÍDO À OSCILAÇÃO NEURAL E DIVIDE OPINIÕES

Comunicação, ação curativa e expressão de felicidade estão entre apontamentos

Comunicação, ação curativa e expressão de felicidade estão entre apontamentos

A ideia de que o ronronar dos gatos vêm da sensação de felicidade ao receber um carinho é a mais comum das explicações por trás dessa característica comum do pet. Entretanto, diversas pesquisas tentam explicar cientificamente a motivo do animal emitir esse som.

Em meio a esse debate, até mesmo a forma como os gatos ronronam já foi discutida. “Pesquisadores gravaram ‘ronrons comuns’ e ‘ronrons’ que eram solicitações de comida para os donos. Até mesmo alguém que não tem gato pôde perceber a diferença. Dentro de um ronronar comum e baixo havia um choro de maior frequência, como um miado”, conta a escritora e especialista em comportamento felino, Celia Haddon.

Alguns estudiosos achavam que estava ligado ao fluxo de sangue para a veia cava inferior, responsável pelo carregamento do sangue desoxigenado para o lado direito do coração. Mas pesquisas apontaram que era mais provável que o barulho viesse dos músculos na laringe do animal. Conforme eles se movem, dilatam e contraem a glote, assim, o ar vibra toda vez que o gato respira. A ciência, no entanto, ainda não tem uma resposta definitiva para o que aciona essa resposta.

O palpite aponta para a ideia de felicidade, mas não sempre. O som seria acionado por um oscilador neural que fica nas profundezas do cérebro felino, algo que parece não ter propósito algum além desse. A estudante de psicologia felina, Marjan Debevere, atua como fotógrafa de gatos para adoção em Londres e é tutora de quatro gatos – Clive, Hula, Luigi e Archie. A profissional afirma que parte do mistério do ronronar está no fato de que só percebemos que os gatos estão ronronando quando fazemos carinho em lugares que eles gostam.

“Todos os gatos são diferentes, alguns nunca ronronam e outros ronronam constantemente”, diz Debevere, fazendo uma comparação entre seu gato Luigi – um vira-lata que seguiu alguém até o trabalho e foi então levado a um abrigo – e Archie, que “se mudou da casa ao lado” e se tornou parte da família. Luigi ronrona pouco, já Archie muito.

“Eu já fotografei mais de 3 mil gatos até agora e não há dois que sejam iguais. Testemunhei muitos ronronando enquanto morriam, quando eram colocados para ‘dormir’. O veterinário disse algo como ‘eles ronronam até o final’ e as pessoas acreditam que eles estão felizes ao ronronar. Mas esse não é sempre o caso”, aponta a profissional.

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Ronronar foi desenvolvido como uma forma de baixo custo
energético para manter ossos e tecidos em boas condições
enquanto descansam, acreditam estudiosos (Foto: reprodução)

Comunicação felina. Parte dos estudos também indicam que o ronronar felino se trata de uma maneira deles se comunicarem. Os gatos começam a ronronar quando têm alguns dias de idade, o que ajuda suas mães a localizá-los na hora de alimentá-los.

“Nós estamos apenas começando a entendê-lo e há muito mais perguntas não respondidas do que respondidas. Enquanto o ronronar geralmente representa satisfação para os gatos, também pode expressar um estado nervoso, medo e estresse. Felizmente, na maioria das vezes é um indicador de satisfação”, diz o médico-veterinário e CEO da Sociedade Humana de São Diego, nos EUA, Gary Weitzman.

Benefícios para o gato. Uma hipótese é a de que o ronronar é uma ação poderosa de cura. Acredita-se que as vibrações da atividade sejam fisicamente rejuvenescedoras – uma maneira de o gato ‘se curar’ após um estresse.

“Especula-se há décadas que o ronronar era uma forma de comunicação. No começo dos anos 2000, criamos hipóteses de que o ronronar tinha outros propósitos além desse. O trabalho de Elizabeth von Muggenthaler, Karen Overall e outras pesquisadoras nos levou a um entendimento melhor do propósito do ronronar. É provável que o ronronar tenha propriedades de comunicação, apaziguamento e até de cura”, diz Weitzman.

Pesquisas apontam que a frequência dessas vibrações – com um alcance entre 20Hz e 150HZ – pode promover o crescimento dos ossos conforme eles enrijecem em resposta à pressão. Outras frequências podem fazer coisas similares aos tecidos.

“Ronrons na frequência entre 25 e 100HZ correspondem a frequências estabelecidas de cura na medicina terapêutica para humanos. Ossos respondem a 25-50Hz, enquanto pele e tecidos moles a cerca de 100Hz, de acordo com pesquisas”, ressalta Weitzman.

É por isso que vemos gatos ronronando durante a soneca. Na verdade, é uma forma de autorreparação. Gatos podem ter adaptado seu comportamento normal, que agora envolve passar uma boa parte do tempo descansando, como uma maneira de evitar se machucar por excesso de atividade.

E os humanos? O ronronar pode ser um benefício não só para os gatos. Fazer carinho em um pet é visto como uma forma de alívio de estresse há muito tempo.”Além dos benefícios fisiológicos, sempre respondemos aos efeitos psicológicos do ronronar. Ele nos acalma e nos agrada, como assistir às ondas do mar na praia. Respondemos ao ronronar de um gato como um estímulo acalmante e pode até haver gatos com uma propensão genética maior ao ronronar”, enfatiza Weitzman.

Fonte: BBC, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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