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SAÚDE ÚNICA É UM DOS PILARES DA MEDICINA VETERINÁRIA DO COLETIVO

Profissional defende que área merece mais estudos e deve ser inserida na grade curricular dos cursos de Veterinária

Cláudia Guimarães, em casa

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A Medicina Veterinária do Coletivo é uma área que sempre existiu e, por muito tempo, pouco era conhecido sobre ela. Porém, hoje com a internet e com o apoio de outros profissionais da área, podemos acompanhar um crescimento considerável de pessoas atingidas por essa informação e, melhor ainda, que se interessam em seguir por este caminho.

Para a tesoureira e diretora Geral do Grupo de Estudos em Medicina Veterinária do Coletivo (Coletivet), da Universidade Anhembi Morumbi, Sofia Veloso Prado, trata-se de uma área que está em grande ascensão no Brasil, dedicada, principalmente, a cuidar de animais comunitários e em situação de vulnerabilidade, como os de rua e os que são vítimas de maus-tratos, em diversas situações. “A Veterinária do Coletivo procura preconizar a qualidade de vida do animal em todo o processo, independentemente do local de moradia”, explica.

A Medicina de Abrigos e Medicina Veterinária Legalestão inseridas no conceito de Veterinária do Coletivo(Foto: divulgação)

A Veterinária do Coletivo baseia-se em três grandes áreas, como apontado por Sofia: a Medicina de Abrigos, que se preocupa com toda a parte estrutural e de gestão do local, visando instalações que garantam conforto e sanidade aos animais, além do manejo e prevenção de doenças; a Medicina Veterinária Legal, especialidade que utiliza conhecimentos médico-veterinários para esclarecer questões do mundo jurídico; e a Saúde Única, responsável pela interação entre animais, humanos e meio-ambiente, por meio de medidas de promoção à saúde e ao bem-estar, prevenção e controle de zoonoses e preservação ambiental. “Ela não é recente, porém o conceito vem se atualizando e expandindo à medida em que a sociedade passa a enxergar os animais como sujeito de direitos”, salienta.

Portanto, como dito pela diretora do Coletivet, a Medicina Veterinária do Coletivo está em todos os aspectos da Veterinária: “Ela promove a saúde coletiva, o manejo e controle populacional de cães e gatos, a perícia veterinária e a atuação profissional. Ou seja, todas as especialidades estão concomitantemente interligadas com uma visão dos conceitos da Saúde Única e da educação ambiental”, explana.

Ela merece destaque! Apesar de tão importante, Sofia acredita que ainda falta conhecimento sobre o tema para a população em geral e que essa desinformação está relacionada à área de estudo que, embora trate de temas distintos, estão intrinsecamente interligados, tanto com o desenvolvimento sustentável como com a promoção do bem-estar animal. “Ainda temos um distanciamento do direito do animal e do direito humano, que, por muito tempo, se nivelou superior e, hoje, vem mudando drasticamente, já que os animais passaram a fazer parte de nossas famílias”, observa. Para Sofia, a promoção de educação ambiental e a divulgação da guarda responsável são a forma mais eficaz de difundir a Medicina Veterinária do Coletivo. “Além disso, é importante pensar em uma inclusão da disciplina no currículo dos cursos de Veterinária”, adiciona.

A Veterinária do Coletivo promove a saúde coletiva,manejo e controle populacional de cães e gatos e aperícia veterinária (Foto: reprodução)

Como já mencionado pela profissional, a Medicina Veterinária do Coletivo está intimamente ligada ao conceito de Saúde Única, que enxerga a saúde de maneira intersetorial, sem que prevaleça apenas o papel do homem, mas relacionando-o com os animais e o meio ambiente. “Estima-se, hoje, que 70% das doenças atuais são de caráter zoonótico, portanto, a medicina preventiva e o controle de zoonoses são a melhor forma de detectar doenças e prestar auxílio, em casos de enfermidades endêmicas e epidêmicas nos humanos”, indica.

Estudos e mais estudos. Questionada sobre a importância de existirem grupos de estudos, como o Coletivet, sobre a especialidade, Sofia declara que o principal é a divulgação do que é a Medicina Veterinária do Coletivo e, consequentemente, a educação ambiental. “Ampliação de uma visão menos centralizada apenas no homem, mas como ferramenta de uma relação mais harmônica entre a ecologia e a sustentabilidade, zelando o bem-estar animal como ser de direito e expansão do pensamento crítico entre estudantes da saúde, protetores e outros profissionais de diversas áreas”, descreve.

Ela conta que o Coletivet foi o terceiro grupo de estudos sobre Medicina Veterinária do Coletivo criado no Brasil. “Iniciou seus trabalhos acadêmicos com palestras quinzenais sobre diferentes temas pertinentes da área. Atualmente, o cronograma do grupo de estudos contempla atividades práticas de extensão veterinária, como visitas técnicas, oficinas, discussão sobre artigos científicos, palestras, simpósios e ações em parceria com outros grupos de estudos da Universidade Anhembi Morumbi e ONGs”, informa.

O Coletivet promove, no dia 24 de outubro, seu 3º Simpósio de Medicina Veterinária do Coletivo, com foco em Medicina Veterinária Legal. O evento será on-line e você pode conferir todos os detalhes em nossa agenda on-line. Clique aqui.

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