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SE NÃO TRATADO, EDEMA PULMONAR PODE LEVAR ANIMAIS DE COMPANHIA A ÓBITO

Falta de ar, dispneia expiratória e posição de ortopneia podem ser sintomas

Cláudia Guimarães, da redação

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Existe um problema na Medicina Veterinária que afeta os sistemas respiratório e cardiovascular. Os tecidos do pulmão recebem um acúmulo de líquidos e, assim, o paciente acaba entrando em situação de emergência. O fato descrito está relacionado ao edema pulmonar, assunto discorrido pelos médicos-veterinários André Shiw e Guilherme Goldfeder durante o 14º Conpavepa.

Goldfeder explica que o edema pulmonar pode ser cardiogênico e não cardiogênico e que a apresentação no evento foi focada em pacientes com o tipo cardiogênico. “Este é resultante de uma doença cardíaca do lado esquerdo do coração que evolui para insuficiência cardíaca esquerda e, então, o animal apresenta edema pulmonar”.

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Segundo especialista, antes de colocar a mão no paciente é preciso perceber o tipo de dispneia que ele apresenta (Foto: reprodução)

Cães e gatos estão sujeitos ao edema e os sintomas, segundo o profissional, geralmente são: falta de ar, dispneia expiratória e o paciente pode assumir uma posição de ortopneia. “No caso do cão, ele estica o pescoço, senta e abduz os membros, porque isso facilita a respiração. Já o gato, fica paralelo ao solo, sem encostar o corpo no solo e estica a cabeça”, explica Goldfeder e insere que a tosse também pode ser uma manifestação do edema pulmonar em cães.

O animal com este problema, se não tratado adequadamente, corre o risco de óbito. O médico-veterinário conta que, atualmente, existe um medicamento, chamado Pimobendan, que retarda a evolução para um quadro de edema pulmonar. “Quando tratamos pacientes com diurético e outras medicações, a intenção seria prevenir, mas acabamos retardando um novo episódio”, garante. Geralmente, segundo ele, pets que passam por uma ocorrência de edema pulmonar dificilmente não enfrentarão outro em suas vidas. “Quando o paciente tem o problema é como se ele estivesse afogado, retém liquido nos alvéolos, responsáveis por captar o oxigênio para dentro do corpo, prejudicando a função e captando menos oxigênio para o interior do corpo do paciente”.

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Goldfeder afirma que a tosse também pode ser uma manifestação do edema pulmonar em cães (Foto: C&G VF)

Para Goldfeder, o clínico deve ter sempre em mente que o paciente, para ter edema pulmonar em Medicina Veterinária, tem que apresentar insuficiência cardíaca. “Assim, primeiro ele tem uma doença cardíaca e, depois, ela evolui para insuficiência cardíaca e aí chega ao terceiro passo, que é a insuficiência cardíaca congestiva, o chamado edema pulmonar”. O profissional declara que também é importante lembrar que os pacientes que têm edema pulmonar, a dispneia é expiratória, se um animal tiver com dispneia inspiratória, o problema é extratorácico, então não existe nenhuma ligação com doença pulmonar.

Levando isso em consideração, o exame clínico começa com a inspeção visual, segundo o palestrante. “Antes de colocar a mão no paciente é preciso olhar para ele e perceber o tipo de dispneia que ele apresenta. Isso, muitas vezes, vai auxiliar no diagnóstico, assim como o fato de que animais que têm tosse muito ruidosa, dificilmente têm edema pulmonar”. Ele expõe que o cão com edema, geralmente, possui tosse discreta e não é porque tem tosse noturna que está tendo tosse por edema pulmonar. “Pacientes com edema tossem quando estão dormindo, independente do horário, então quando eles deitam de lado para dormir o líquido acaba ativando a tosse. A primeira pergunta que se faz ao proprietário é se o paciente acorda para tossir quando está dormindo. Muitos clínicos acham que só porque é sete da noite e o animal tossiu, ele está apresentando o problema”, comenta.

Comparativo global. Em relação ao tratamento, o especialista afirma que, hoje em dia, não existem tantas diferenças na terapia de edema pulmonar no Brasil e outros grandes polos de Medicina Veterinária, como os Estados Unidos. “Talvez, a diferença seja que eles tenham mais acesso à tecnologia e à bomba de fusões, além de equipe mais treinada e technicians, que, no Brasil, não temos e, pelo número de médicos-veterinários que existe aqui, tomara que nem tenha mesmo”, opina. Outra diferença citada por Goldfeder está no âmbito regional, em relação às características dos proprietários. “No Brasil, nossos tutores são mais refratários à eutanásia do que nos EUA e, com isso, as pessoas aqui que trabalham com emergência podem passar por mais episódios onde tenham que lidar com pacientes críticos do que lá fora. Nos EUA, os médicos-veterinários interrompem o tratamento antes de nós, devido à característica regional deles serem mais racionais e menos passionais do que os latinos e, assim, acabam recorrendo à eutanásia mais cedo”, explana.

Nos EUA, de maneira geral, os serviços médicos são bem mais caros que na América Latina, como comenta o especialista: “Um ecocardiograma lá custa cerca de 500 dólares, enquanto aqui cobramos 50 dólares. Então, existem várias diferenças econômicas e culturais em relação ao preço”.

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