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Pets e Curiosidades

Tecnologia e múltiplos esforços auxiliam na preservação de animais selvagens

Em São Paulo, 525 espécies estão em risco, assim, sociedade deve refletir sobre a conservação da fauna
Por Equipe Cães&Gatos
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Por Equipe Cães&Gatos

Nesta semana, mais precisamente no dia 3 de março, o Dia Mundial da Vida Selvagem destacou o papel crucial da tecnologia na luta contra a perda de biodiversidade. Com o tema “Conectar Pessoas e Planeta: Explorando Inovação Digital na Conservação da Vida Selvagem”, a proposta é refletir sobre como a revolução digital proporciona ferramentas inovadoras que podem conectar pesquisadores globalmente, impulsionando a investigação, o monitoramento e a análise de dados para a proteção das espécies.

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A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) e escolhida por ser o aniversário da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), assinada em 1973. A iniciativa tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da preservação da fauna e flora e seus habitats, alertando para o risco de extinção de diversas espécies.

Entre os principais animais ameaçados de extinção, estão a onça-pintada, o lobo-guará, o papagaio-de-cara-roxa e o mico-leão-preto (Foto: reprodução)

Em 2018, o Decreto Estadual nº 63.853/2018 elencou uma lista com 525 animais ameaçados de extinção, entre os quais estão a onça-pintada, o lobo-guará, o papagaio-de-cara-roxa e o mico-leão-preto – espécie exclusiva do estado de São Paulo. Com a revolução digital e a facilidade de conexão e troca de informações técnicas e dados científicos com pesquisadores do mundo todo, a análise de dados genéticos voltados à conservação de animais silvestres, mantidos sob cuidados humanos em cativeiro (ex situ), é uma das vertentes mais beneficiadas.

“Essas biotecnologias têm promovido grandes avanços na preservação das espécies em risco de extinção na natureza, o que só é possível com o monitoramento constante de um plantel de animais selvagens voltado para o bem-estar animal e aumento do conhecimento científico, que ainda tem escassez de publicações, abrangendo, assim, um novo nicho de trabalho para os profissionais na reprodução animal assistida”, declara a integrante da Comissão Técnica de Médicos-Veterinários de Animais Selvagens, do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), Fernanda Battistella.

Novas tecnologias

A modernidade trouxe possibilidades e ferramentas valiosas para as ações conservacionistas. Confira sete aplicações que têm sido utilizadas:

Plataformas on-line: facilitam a colaboração entre cientistas de diferentes países, permitindo o compartilhamento de informações e recursos em tempo real;

Monitoramento ambiental e de animais: por meio de drones e de armadilhas fotográficas, que conseguem registrar situações sem a interferência humana direta;

Análise de dados: facilitadas com a utilização de sistemas com algoritmos avançados, que identificam padrões e tendências em conjuntos de dados massivos, fornecendo insights valiosos para a tomada de decisões estratégicas na conservação;

Grupos de pesquisadores têm se reunido e formado institutos de pesquisa voltados para conservação (Foto: reprodução)

DNA como ferramenta poderosa: no rastreamento do tráfico ilegal de animais, com a identificação de populações em risco e determinação da relação entre diferentes espécies e descoberta de novas;

Monitoramento remoto: com a utilização de rádio-colares, que são mantidos junto ao corpo dos animais e monitoram a saúde e a localização destes, fornecendo informações valiosas sobre seus hábitos, deslocamentos, e área de atividade;

Criação de próteses: para animais que sofreram mutilações ou que foram vítimas de caça ilegal, com o auxílio da tecnologia de impressão em 3D;

Utilização da realidade virtual e aumentada: como ferramentas imersivas para educar e conscientizar o público sobre a importância da preservação da vida selvagem.

“Grupos de pesquisadores têm se reunido e formado institutos de pesquisa voltados para conservação, como o que faço parte, Reprocon, sem fins lucrativos, que tem trabalhado com reprodução assistida de diversas espécies, como da onça-pintada do bioma Pantanal, obtendo uma gama de artigos publicados e palestras, a fim de resgatar nos novos colegas a importância de estudarmos mais e nos dedicarmos às pesquisas científicas. E, também, agindo no controle populacional de capivaras, para que a coexistência do ambiente promova a saúde única”, declara Fernanda.

Aplicações no Estado de São Paulo

No Estado de São Paulo, o Departamento de Conservação e Pesquisas Aplicadas à Fauna Silvestre, da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), atua com o Centro de Pesquisas Aplicadas à Fauna Silvestre (CPAFS). A estrutura é divida em núcleos que desenvolvem atividades de pesquisas aplicadas, inovação tecnológica e diagnóstico para animais silvestres sob cuidados humanos e em vida livre, com foco em produzir informações que subsidiem a conservação integrada, o bem-estar animal, o manejo da fauna silvestre e ações de saúde única.

O Núcleo de Biotecnologia e Diagnóstico Clínico (NBDC) mantém um complexo laboratorial onde são realizados exames de diagnóstico e pesquisas nas áreas de Análises Clínicas (Hematologia, Bioquímica, Parasitologia e Urinálise), Microbiologia e Biologia Molecular. Atuando no estabelecimento de parâmetros de referência para exames de análises clínicas de animais silvestres.

Já o Núcleo de Produção de Composto Orgânico, padroniza e executa o processamento de resíduos “A compostagem possibilita o descarte correto e sustentável, sem impacto, e ainda a obtenção de material de alto valor para pesquisas biotecnológicas e de inovação”, afirmou a coordenadora de Fauna Silvestre, Patrícia Locosque, em reunião com o CRMV-SP.

Neste mesmo Departamento, há, também, o Núcleo de Conservação da Fauna Silvestre (CECFau), que desenvolve programas de reintrodução e reforço das populações na natureza. Desde 2015, o centro já registrou 149 nascimentos de filhotes por meio de atividades de manutenção, reprodução e pesquisa dos animais.

O CECFau mantém e reproduz espécies nativas ameaçadas de extinção e, atualmente, direciona suas atividades para as seguintes espécies:

  • mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus);
  • mico-leão-da-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas);
  • sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita);
  • tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla);
  • arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari);
  • perereca-pintada-do-rio-pomba (Nyctimantis pomba).’

Monitoramento de espécies

O Programa de Monitoramento de Mamíferos Terrestres de Médio e Grande Porte, desenvolvido pela Semil, também captura imagens da fauna local, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre as espécies que habitam as Unidades de Conservação (Ucs), permitindo o acompanhamento das populações de mamíferos e a coleta de dados importantes. Já foram identificadas mais de 60 espécies de mamíferos em mais de 30 mil registros, até o momento.

Os seres humanos coexistem com o meio ambiente e animais selvagens e silvestres (Foto: reprodução)

Entre os animais identificados estão a onça-pintada, classificada como criticamente em perigo (enfrentam um risco extremamente elevado de extinção na natureza), espécies que estão em perigo (enfrentam um risco muito elevado) como o veado-mateiro, o tapiti, a anta, o mico-leão-preto, o muriqui-do-sul e o bugio-preto, e vulneráveis (também apresentam algum risco de extinção), como o lobo-guará, a raposinha-do-campo, a jaguatirica e o tamanduá-bandeira.

Coexistência

Devemos lembrar a todo momento que coexistimos com o meio ambiente e animais selvagens e silvestres, acredita a integrante da Comissão do CRMV-SP. “O crescimento da população, a expansão agrícola e as novas construções de loteamentos, principalmente os que não são realizados de forma sustentável, têm causado um certo desequilíbrio para o ambiente e modificação de paisagens. A consequência é uma dispersão de algumas espécies silvestres, como a onça, que é um animal importantíssimo para manutenção do equilíbrio da cadeia ecológica”, afirma.

“Temos que chamar atenção de todos para a existência, manutenção, cuidados e preservação de todos os organismos da fauna e da flora do mundo”, diz o presidente da Comissão Técnica de Médicos-veterinários de Animais Selvagens do CRMV-SP, Fabrício Braga Rassy.

Fernanda explica que, devido às ausências de corredores de fauna entre os fragmentos de mata existentes, tem-se a escassez de predadores e, muitas vezes, o aumento descontrolado de espécies, como o caso das capivaras. “É importante lembrarmos que a proximidade com animais silvestres, nas áreas urbanas, tem ocorrido pela adaptação eficiente destas espécies em novas áreas. E, da mesma forma que a fauna silvestre e a flora nativa se adaptam à nova paisagem, nós humanos precisamos nos adequar a um formato de aceitação e respeito com essa nova situação, não esquecendo que somos parte desta paisagem tanto quanto eles”.

Todos podem contribuir para a proteção das espécies ameaçadas, por meio de:

  • Denúncias de atividades ilegais, como a caça e o tráfico de animais;
  • Apoio a instituições que trabalham com a preservação da fauna;
  • Adoção de práticas sustentáveis no dia a dia;
  • Conscientização sobre a importância da preservação da natureza.

Fonte: CRMV-SP, adaptado pela equipe Cães e Gatos.

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