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Tumores de mama em gatas se apresentam de forma mais agressiva que nas cadelas

No “Outubro Rosa”, veterinário oncologista Rodrigo Ubukata faz um paralelo sobre a doença entre as espécies

Cláudia Guimarães, em casa

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Todo ano, o mês de outubro é banhado pela cor rosa, que chama atenção de nós, humanos, principalmente, nós, mulheres, à prevenção do câncer de mama. Mas é essencial que esse cuidado seja tomado, também, com os animais, em especial as cadelas e gatas.

De acordo com o médico-veterinário oncologista, do E+ Especialidades Veterinárias, Rodrigo Ubukata, o câncer de mama que acomete as fêmeas se dá por tumores que aparecem, inicialmente, como pequenos nódulos em uma ou múltiplas mamas, que aumentam de tamanho, conforme o decorrer do tempo, sem que seja realizado seu diagnóstico e tratamento adequado.

“Esses estão entre os tumores mais frequentes nos animais de companhia, principalmente em países em desenvolvimento, cujas políticas de controle populacional, como a castração, não são amplamente realizadas”, expõe o veterinário, que explica como identificar o tumor: “A palpação das mamas, assim como o autoexame realizado em seres humanos, é o primeiro passo para se identificar formações/nódulos que podem ser ainda pequenos. A orientação dos responsáveis para estes cuidados periódicos em avaliar as mamas ajuda no diagnóstico precoce”.

Dentre as raças, Ubukata afirma que os gatos siameses são mais afetados e, geralmente, desenvolvem a doença um pouco mais cedo que outras (Foto: reprodução)

A doença entre as espécies

Ubukata revela que, inicialmente, a manifestação do nódulo em mama é igual entre gatas e cadelas, entretanto com a evolução da doença, nas gatas o comportamento tumoral é muito mais agressivo, uma vez que, nesta espécie, 80% dos tumores mamários são malignos. “Nas cadelas, aproximadamente, 50% dos casos são malignos. Além disso, na gata, a progressão tende a ser mais rápida e o crescimento mais pronunciado, com evolução para ulcerações e metástases, principalmente, pulmonares”, destaca.

Vale lembrar, segundo o veterinário oncologista, que, em ambas as espécies, a castração precoce é um dos principais métodos para se diminuir a incidência dos tumores, entretanto as taxas de prevenção são diferentes. “Cadelas castradas antes do primeiro cio tem mais de 99% de prevenção, enquanto, em gatas, essa taxa é de, aproximadamente, 90%. Outra diferença é que a dependência esteroidal no desenvolvimento das neoplasias mamárias em cadelas é muito mais comum, enquanto nas gatas, isso se perde logo no início do desenvolvimento tumoral e, por esta razão, a proporção de tumores malignos é maior nesta espécie”, alerta o profissional que, ainda, adiciona: “O índice de metástases também é maior nas gatas, consequentemente, o prognóstico e tempo de sobrevida são piores”.

Há um tratamento específico para as gatas?

Assim como em qualquer espécie, o diagnóstico precoce é a maior chave de sucesso para o tratamento e controle da doença, conforme destacado por Ubukata. “Assim que a formação é diagnosticada, deve-se realizar o estadiamento completo e, se houver indicação, realizar o tratamento cirúrgico como primeira modalidade e a mais eficaz para o tratamento local”, explica.

Nas gatas, o profissional menciona que o consenso sobre a técnica cirúrgica adequada em tumores mamários é a mastectomia, que deve ser realizada de forma unilateral (cadeia mamária total de um dos lados) ou bilateral (as duas cadeias totais que podem ser realizadas no mesmo tempo cirúrgico ou dividida em dois procedimentos, de acordo com a condição clínica, viabilidade anatômica e preferência profissional). “Após a cirurgia, obrigatoriamente, a cadeia mamária completa removida (e não apenas os nódulos) deve ser enviada para avaliação histopatológica para diagnóstico do tipo de neoplasia que acomete o paciente. Caso a cadeia mamária contralateral seja removida em um segundo momento, a mesma também deve ser enviada para histopatologia, uma vez que diferentes tumores mamários podem coexistir”, alerta.

Dentre as raças, Ubukata afirma que os gatos siameses são mais afetados e, geralmente, desenvolvem a doença um pouco mais cedo que outras. “Como em nosso País, muitos sem raça definida são descendentes de siameses, isso torna a doença bastante comum”, declara o veterinário que garante: é extremamente variável o tempo de vida que uma gata acometida pela doença pode alcançar. “Depende muito do tempo de evolução, momento do diagnóstico, estadiamento, tipo tumoral e tratamentos realizados. Pode ser de meses até um ou dois anos, na média”, adiciona.

Para veterinário oncologista, outubro rosa pet incentiva pesquisas e desenvolvimento de novos métodos de diagnósticos e tratamentos (Foto: reprodução)

Prevenir é um ato de amor

Por se tratar de um tumor bastante agressivo localmente e com alto potencial metastático, a castração precoce ainda é a melhor forma de prevenção, como já dito, anteriormente, pelo profissional. “A utilização de anticoncepcionais deve ser altamente desencorajada e repudiada, uma vez que uma aplicação aumenta em até três vezes o risco de desenvolver o tumor”, denuncia.

Como observado por Ubukata, é importante estendermos a campanha “Outubro Rosa” aos animais, que assumiram um papel muito importante na sociedade e no seio familiar. “Hoje, não são apenas animais de companhia, mas, sim, membros da família. Além disso, a conscientização sobre a doença nos animais colabora com a atenção sobre a doença nos seres humanos. Incentiva pesquisas e desenvolvimento de novos métodos de diagnósticos e tratamentos que beneficiarão animais e seres humanos, uma vez que os grandes avanços acontecem em pesquisas comparadas e colaborativas entre a Medicina Veterinária e a Medicina Humana, ou seja, a Saúde Única”, encerra.

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