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Veterinária cita as principais doenças oculares que acometem os animais de companhia

Cláudia Guimarães, da redação

Veterinária cita as principais doenças oculares que acometem os animais de companhia
Por Equipe Cães&Gatos
7 de maio de 2022

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Assim que terminou a residência em cirurgia de pequenos animais, na Universidade Estadual Paulista (Unesp, Botucatu-SP), surgiu o interesse em se especializar em Oftalmologia Veterinária. Esse é o início do trajeto da médica-veterinária responsável pelo serviço de oftalmologia, da Inova Hospital Veterinário, Cristiane Estanislau, nossa entrevistada neste Dia do Oftalmologista.

“Ingressei no mestrado e me apaixonei pelo mundo da oftalmologia. Percebo que, a cada ano, os tutores querem oferecer o melhor para seus pets e prover a qualidade de vida pelo maior tempo possível. A manutenção da visão e da saúde ocular está diretamente ligada à qualidade de vida”, garante a profissional.

Isso porque, segundo ela, a visão garante mais interação com a família e com o meio externo, mais felicidade e, consequentemente, mais autonomia para esse paciente. “Por isso, quero aproveitar essa data comemorativa para conscientizar os tutores e os colegas sobre a importância de um bom oftalmologista para a vida dos pets”, declara.

A precisão no diagnóstico é fundamental para o sucesso no tratamento implementado em pacientes oftalmológicos (Foto: reprodução)

Para fazer essa conscientização, Cristiane cita as doenças oculares que mais acometem os pets e explica um pouco sobre cada uma delas.

  • Catarata: É mais frequente em pets idosos e, geralmente, os tutores conseguem perceber um “esbranquiçado” nos olhos e algum déficit visual. “No consultório, após o exame oftalmológico completo, excluímos as outras possíveis causas que levam a essas alterações e chegamos ao diagnóstico de catarata. O tratamento da catarata é cirúrgico e, quando indicado para o paciente correto e no momento correto, tem altas taxas de sucesso”, afirma.
  • Úlcera de córnea: Essa é mais frequente em raças braquicefálicas (aquelas de focinho curto) e, segundo a veterinária, os tutores percebem em casa desconforto ocular, secreção em grande quantidade e coceira nos olhos. “A úlcera é um machucado na porção mais externa do olho, pode se apresentar de formas mais brandas, como um pequeno arranhão, causado por uma brincadeira, ou como lesões graves e profundas, que podem ocasionar perda visual importante. Para o sucesso do tratamento é fundamental o diagnóstico precoce, o acompanhamento de um especialista e o uso do colar elizabetano, evitando que o pet se coce e piore a lesão”, destaca.
  • Ceratoconjutivite seca: Popularmente conhecida como “olho seco”, essa doença é mais frequente em cães da raça ShihTzu, Pug e Buldogues. “Os tutores relatam presença de secreção ocular espessa, olhos avermelhados e uma coceira intermitente. Essa alteração leva à diminuição da produção de lágrima, prejudicando a saúde ocular. Uma vez diagnosticada essa alteração, é instituído o tratamento com colírios e manejo clínico. Com isso, os pets apresentam boa resposta ao tratamento”, atesta.

Assim como em todas as áreas da Medicina Veterinária, a precisão no diagnóstico é fundamental para o sucesso no tratamento implementado em pacientes oftalmológicos. “Por vezes, o diagnóstico é clínico, ou seja, após um bom exame físico e oftalmológico, chegamos a um diagnóstico definitivo, porém, também existem casos que são necessários exames complementares, como exames de sangue e imagem, para conseguirmos definir o que está levando as alterações do paciente”, discorre Cristiane.

A profissional ainda menciona que, na rotina do oftalmologista, vale salientar o alto número de atendimentos de pets braquicefálicos (aqueles de focinho curto – como os cães Shitzu e Pug, e os gatos Persa e Himalaia). “Devido à conformação do crânio e maior exposição dos olhos, esses animais apresentam quadros recorrentes de conjuntivite, úlcera de córnea, alterações da conformação palpebral (como entrópio e mal posicionamento dos pêlos), entre outros”, elenca.

Após notar qualquer alteração nos olhos de seu pet, tutor deve procurar um veterinário (Foto: reprodução)

Percepção e atendimento

Algumas alterações oftalmológicas são corriqueiras e de simples resolução, conforme lembra a médica-veterinária. “O melhor cenário é que o clínico geral sempre tenha um veterinário especializado em oftalmologia como parceiro. Essa parceria garante o melhor momento de instituir um tratamento inicial e qual o momento de indicar o encaminhamento para o especialista. Minha recomendação é que esse paciente seja acompanhado de perto. Um problema simples deve apresentar algum grau de melhora em 48 horas, caso não apresente, devemos sempre levar o pet até um especialista para não correr o risco de ser tarde e perdermos momentos importantes que podem ser decisivos para recuperação ou não do cão ou gato”, aconselha. 

Como defende a profissional, um veterinário especializado em oftalmologia dedicou, no mínimo, dois anos de sua formação apenas ao estudo desta especialidade, portanto, é o profissional mais indicado para o atendimento de animais com algum problema ocular. “Essa dedicação traz uma experiência que é decisiva na manutenção ou não da saúde ocular do pet. É fundamental que os colegas veterinários e os tutores saibam da existência dessa especialidade e nos procurem com tempo hábil de instituir o melhor tratamento, visando a manutenção da visão e saúde ocular pelo tempo mais prolongado possível”, salienta.

Agora, vale lembrar que nem tudo que nós, tutores de pets, vemos nos olhos de nossos cães e gatos é sinal de doença. Quem nunca se perguntou “Por que os olhos do meu pet brilham no escuro ou com flash de câmeras?”. Sobre isso, a veterinária assegura: “Podem ficar tranquilos! Esse brilho nos olhos não é indicativo de alterações oculares. Os pets apresentam, no fundo do olho, uma região chamada tapetum. Essa porção do olho funciona como um espelho que reflete a luz, gerando esse brilho excessivo na presença de um foco de luz. O tapetum contribui para que os pets enxerguem melhor durante a noite e/ou no escuro e, nessas situações, a pupila encontra-se dilatada, o que facilita nossa percepção desse brilho”, esclarece.