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Veterinária desvenda: Será que, realmente, os gatos sempre caem de pé?

Por Equipe Cães&Gatos
gato pulando
Por Equipe Cães&Gatos

Cláudia Guimarães, da redação

claudia@ciasullieditores.com.br

Ditados populares e lendas urbanas, muitas vezes, podem trazer alguns ensinamentos ou, ao menos, momentos descontraídos. Mas, por outro lado, muitos boatos que percorrem por aí como verdades absolutas, na verdade, não correspondem à realidade. Hoje, focaremos em algo que aposto que todas as pessoas já ouviram em algum momento da vida: os gatos caem sempre de pé.

De acordo com a médica-veterinária especializada em felinos pela Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora de Medicina de Felinos pela Ufape Intercursos, Bruna Rodrigues Padin, essa afirmação não é verdadeira. “Embora os gatos tenham o sistema vestibular muito desenvolvido para que ocorra um mecanismo fisiológico de endireitamento do corpo para cair em pé, algumas vezes, eles não têm tempo para essa resposta. Isso irá depender, principalmente, da altura da queda para que tenha tempo suficiente para a rotação do corpo”, explica.

É por isso que gatos que caem de uma altura mais baixa, como um armário, podem sofrer consequências mais graves do que outros que caem de um prédio. “Inclusive, andares de prédios mais baixos (como o 5º andar, por exemplo), podem ser mais perigosos que andares bem mais altos, justamente, porque o gato precisa de um tempo durante sua queda para realizar a rotação do corpo e o posicionamento com as patas abertas, o que aumenta o atrito com o ar e diminui a velocidade da queda, realizando um tipo de “planagem”. Se a queda for mais baixa, ele não terá tempo para a rotação do corpo e para a planagem e poderá não cair em pé ou ter um impacto muito forte. Neste caso, pode ocorrer traumas mais graves com acometimento de órgãos internos”, destaca.

Portanto, esse reflexo de endireitamento dos felinos, segundo Bruna, auxilia para que os gatos tenham menores consequências físicas durante uma queda. “Como eles são animais que gostam de estar nas alturas, já que ver o ambiente de cima ajuda a ter o controle do local, frequentemente encontramos gatos escalando locais altos. Em algum momento de distração, ele pode cair, mas, rotacionando e endireitando seu corpo, diminui o risco de trauma graves em órgãos essenciais, como abdômen e tórax”, discorre.

Andares de prédios mais baixos podem ser mais perigosos que andares mais altos, porque o gato precisa de um tempo durante sua queda para realizar a rotação do corpo (Foto: reprodução)

É preciso atendimento veterinário!

Mas, mesmo que um gato caia em pé a determinada altura, ele pode apresentar algumas consequências, como compartilhado pela veterinária, a Síndrome do Gato Paraquedista: nome designado para os problemas decorrentes do trauma por queda de grandes alturas em felinos. “Gatos que caem de uma altura alta (como janelas de apartamento), comumente, mesmo caindo em pé, dependendo da altura, peso do animal e local, podem sofrer fraturas de membros e de palato duro. Também pode ocorrer fratura no ‘céu da boca’, que, muitas vezes, passa despercebido pelos tutores que só perceberão após as consequências dessa lesão, que precisa de correção cirúrgica”, alerta.

Ainda, dependendo do impacto, o gato pode bater a cabeça no chão, o que, de acordo com a profissional, pode levar a outras lesões em face, boca e até traumatismo craniano. “A contusão pulmonar também pode ser uma consequência do grande impacto da queda. As contusões podem ter sintomas mais tardios (iniciar até 48 horas depois do trauma) e, portanto, mesmo que o gato aparente estar bem, deve ser levado a um serviço de emergência veterinário para realizar uma avaliação física e exames de imagem para verificar as consequências da queda. Além disso, independente da altura e das lesões internas, esses gatos sentirão dores musculares e articulares por conta do impacto e podem precisar ficar internados por alguns dias para estabilização das consequências e, muitas vezes, realizar procedimentos cirúrgicos de correção”, expõe.

Cuidados e bem-estar

A médica-veterinária salienta que é extremamente importante que os muros altos e, principalmente, as janelas e varandas de apartamentos sejam todos telados. “Importante não esquecer das janelas de banheiros, lavanderias e as basculantes; verificar a qualidade das redes de proteção, se são adequadas para felinos, o tamanho, se não estão com nenhum rasgo e se o gato não mastiga os fios. Nunca conte com a habilidade do gato para evitar um acidente, pois, embora sejam muito habilidosos, se algo, como um barulho, o assustar ou ele se distrair com algum movimento, como um pássaro passando, ele pode desequilibrar e cair. Embora os gatos possam cair em pé com traumas leves, na maioria das vezes, a queda é fatal”, frisa.

Mas nem toda altura deve ser evitada. Os gatos gostam da verticalização do ambiente para se sentirem mais seguros. “A espécie ainda apresenta muitas características do seu antecessor selvagem, devido ao menor tempo de domesticação. Por conta disso, muitas vezes, apresentam um instinto de presa, de precisar se esconder e se defender. Quando eles estão em locais altos, conseguem enxergar todo o ambiente de cima, o que traz mais segurança e sensação de controle. Especialmente, gatos que gostam de escalar e os que vivem em ambientes multicats, que existe algum conflito entre os gatos, é importante que tenha essa opção de descanso e entretenimento para os felinos, como os nichos de parede especial para os felinos”, recomenda.

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