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Veterinárias, com diferentes carreiras, apontam as realizações dentro da profissão

Neste Dia do Médico-Veterinário, profissionais garantem que as realizações são maiores que as imperfeições no trabalho

Cláudia Guimarães, em casa

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Cada um tem sua cruz para carregar em sua vida pessoal e profissional. Eu tenho a minha, você tem a sua e cada médico-veterinário coleciona, ao menos, algumas por toda a carreira. Mas, apesar de enfrentarem algumas situações ingratas dentro da profissão, nossas entrevistadas neste Dia do Médico-Veterinário afirmam que são profissionais felizes e recomendam a Medicina Veterinária.

A médica-veterinária em Clínica Geral de Pequenos Animais, Natália Barreto Motta, conta que, por volta de 2012, decidiu cursar Medicina Veterinária, sobretudo, porque sempre existiu dentro de si um grande amor pelos animais e um igual fascínio pelo grande amor que eles são capazes de demonstrar por nós, humanos. “Eu não tinha essa perspectiva de que a profissão poderia ser ‘ingrata’ com os profissionais. Meus professores falavam que dedicação e esforço fariam a diferença quando entrássemos no mercado de trabalho. Então, sempre me esforcei para que essa realidade fosse alcançada”, lembra.

Como lembrado pela profissional, essa fama de “cruel” que a Medicina Veterinária carrega em relação a seus profissionais se dá por conta das muitas horas trabalhadas em plantões diurnos ou noturnos, por vezes, estressantes e, mesmo assim, não sendo valorizados. “Damos o melhor de nós, deixando de almoçar para atender nossos pacientes; deixando de lado o convívio com a família e o lazer do fim de semana; buscamos cursos de aprimoramento e, ainda assim, reclamam e acham injustos os preços de nossos serviços. Não é raro encontrarmos pessoas que, por amarmos os animais, acreditam que a missão do veterinário é pura e simplesmente a caridade”, revela.

Tudo isso mencionado pela profissional, aliado às dificuldades naturais da vida, como ela adiciona, é exaustivo para o corpo e para a mente. “Acredito que nós, médicos-veterinários, devemos buscar ajuda para amenizar o estresse e as frustrações para evitar o suicídio”, argumenta Natália mencionando um tema importante, também debatido em profundidade durante esse mês, na campanha Setembro Amarelo. Lamentavelmente, levantamentos indicam que os veterinários estão entre as profissões que mais cometem suicídio.

Já a médica-veterinária, coordenadora e docente do curso de Medicina Veterinária, da Universidade São Judas Tadeu – Campus Mooca, Milena Rodrigues Soares, ao finalizar o ensino médio, na época o terceiro colegial, já sabia que a Medicina Veterinária era sua escolha. “O interesse nas ciências, na química e nos animais já era indicador importante para a escolha. Mas nada impediu de conhecer outros cursos antes da escolha final. Visitei cursos de Biologia, Química, Farmácia e Oceanografia. Mas, ao visitar o curso de Medicina Veterinária, o interesse em aprofundar os conhecimentos nessa área me atraiu e, assim, a escolha ocorreu logo após finalizar o colegial”, compartilha.

“Amor pelos animais é o que nos motiva todos os dias”, declara médica-veterinária (Foto: reprodução)

Milena diz que quando reflete sobre sua fala, atualmente, quando recebe alunos interessados no curso de Medicina Veterinária e lembra dessa etapa em sua vida, não se recorda de ponderar o interesse na área devido à inserção no mercado de trabalho ou o salário. “Pois a Medicina Veterinária mudou muito nos últimos 15 anos e, hoje, o papel na profissão é reconhecido na manutenção da saúde dos animais, dos seres humanos e meio ambiente e, na época, não tínhamos essa tríade tão definida e o que ponderávamos para escolha eram as afinidades em conhecimentos e o interesse em atuar próximo dos animais, cuidando, tratando e promovendo a saúde”, compara.

Quanto ao caminho da docência, Milena conta que, durante os dois últimos anos da graduação, o interesse em aprofundar os conhecimentos em terapêutica animal a aproximou de docentes e pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) e, então, ela teve a oportunidade de realizar um projeto de Iniciação Científica, onde pôde perceber que tinha interesse em aprofundar seus conhecimentos e atuar como docente e pesquisadora.

“Ao concluir a graduação, já estava muito claro para mim a escolha do caminho a seguir e, logo no primeiro semestre de formada, me candidatei ao processo seletivo de mestrado na Faculdade de Medicina Veterinária (FMVZ) da USP, onde fiz meu mestrado, orientada pela profa. Helenice de Souza Spinosa no departamento de Patologia. O mestrado na FMVZ-USP nos prepara para o aprimoramento didático e, ao realizar essa habilitação, somos capazes de entender se temos esse perfil docente ou não”, explica.

Segundo ela, não é mais somente ter as habilidades técnicas que a profissão do médico-veterinário requer, mas, sim, ser capaz de desenvolver habilidades que impactam diretamente no processo de ensino, aprendizagem e competências dos alunos. “Importante falar sobre isso, pois, não somos docentes por falta de mercado de trabalho para atuar, somos docentes por termos afinidade e muita dedicação na área da educação. Ao finalizar o mestrado, iniciei na docência do ensino superior e a continuidade na pesquisa se tornou fundamental para a construção do meu perfil e logo veio o doutorado e, em seguida, o pós-doutoramento. Isso não quer dizer que parei. Hoje em dia, faço uma especialização em educação em ciências e não devo parar por aí, pois, além de participar ativamente no processo de ensino aprendizagem do aluno, atuo diretamente na liderança de docentes do ensino superior”, expõe.

Apesar das dificuldades da profissão, veterinárias destacam os pontos positivos da carreira (Foto: reprodução)

Realização além do profissional

Milena atua na docência, como coach, como mentora, como counselling, como cirurgiã, como pesquisadora, mas, como ela mesma diz, como aprendiz todos os dias. “A cada etapa, uma conquista; a cada dia, um desenvolvimento de um aluno, de um profissional ou até de uma habilidade nova em meu perfil. O autoconhecimento, a autoavaliação, a ética e a disciplina são fatores fundamentais em qualquer busca e envolve muita dedicação, muitas entregas e transpiração de sobra dia a dia. Muitas dicas eu deixaria aqui, mas aquela que me motiva todos os dias é o nosso papel na sociedade, na profissão e como cidadão e, depois que encontramos esse significado, não é mais somente uma escolha por gostar dos animais, é muito maior do que isso e impacta sempre na vida dos animais e na saúde da sociedade”, destaca.

Por sua vez, Natália afirma que, mesmo com as adversidades impostas a ela, enquanto veterinária, diariamente, é uma realização ver seus pacientes fortes, felizes e saudáveis. “Existem mais duas coisas que me deixam feliz: aprender mais sobre minha profissão e desenvolver minhas capacidades administrativas”, complementa.

Portanto, a profissional afirma sem pensar duas vezes: “Sim, eu sou realizada sendo médica-veterinária. Gosto da interação médico-paciente. Peço que todos compareçam às revisões, deixo meu número pessoal para que, em caso de emergências, eu possa auxiliá-los e tenho bom retorno de meus clientes. Aparentemente, gostam do meu jeito e elogiam a profissional dedicada e atenciosa que me tornei, que ama o que faz. Eu ganho o dia quando ouço essas palavras”, comemora.

A profissão, na visão de Milena, está em constante desenvolvimento. “E aqueles que atuam em diferentes áreas de atuação sabem: precisamos conhecer muitas outras ferramentas, muitas outras habilidades e competências para atuar em nossa área e até interconexão com outras áreas, muitas das vezes. A graduação é somente o início de nossa carreira e, para se manter atuante como médico-veterinário, se faz necessário o desenvolvimento contínuo, o “Networking” com profissionais da classe, de maneira sólida e prósperas”, assegura.

Docentes devem saber desenvolver habilidades que impactam diretamente no processo de ensino, aprendizagem e competências dos alunos (Foto: reprodução)

Pra quem quer ser um veterinário

Natália declara que, assim como toda profissão, há altos e baixos dentro da Medicina Veterinária, mas, se houver vocação, ela indica seguir em frente e estudar a profissão. “Com o tempo e dedicação, as coisas acontecem”, garante.

A esses futuros veterinários e aos que já estão formados, Natália lembra que não existem muitas pessoas que tenham o conhecimento necessário para salvar a vida dos animais e orientar para que estes tenham os melhores cuidados possíveis. “O dinheiro é sempre muito importante, mas não podemos perder de vista que, se não fizermos pelos animais, ninguém fará. Portanto, não faça de tudo para não ter que desistir da carreira”, sugere.

Para ajudar a resistir na profissão, Natália reforça a necessidade de tirar um tempo para si mesmo e sempre buscar ajuda nos momentos mais difíceis. “A escolha pela Veterinária é uma escolha de amor e o amor precisa que estejamos bem de corpo e alma”, encerra.

Milena declara que sempre escolheremos pelos nossos sonhos e não há erro nisso. “Amor pelos animais é o que nos motiva todos os dias. Costumo dizer que, próximo dos animais, eu ‘relaxo’, mas toda profissão precisa ser aprofundada, qualificada e com significado para a melhor entrega à sociedade e, consequentemente, o retorno financeiro e o reconhecimento profissional”, defende.

Ainda assim, a profissional lembra que todas as profissões têm seu risco. “Posso atuar, facilmente, na profissão, mas posso ter dificuldades também, por isso, se faz necessário desenvolver outras habilidades e o aprendizado se torna constante. Recomendo buscar referências seguras sobre atuar na profissão. Isso lhe trará o retorno que sonha. Haverá momentos de insegurança, de muito esforço, estágios de aprendizagem, medo, crenças limitantes, decisões importantes e exigirá muito otimismo, boa comunicação, responsabilidade, boas ideias, criatividade e competências. Será uma construção contínua e por etapas de desenvolvimento e, enfim, mais segurança e experiência”, instrui.

Hoje em dia, Milena se sente muito segura em orientar profissionais no processo de mentoria ou coach e recomenda, muitas vezes, antes de tomar qualquer decisão, revisitar sua trajetória, seus caminhos até agora, tanto profissional como o pessoal. “Todos temos conhecimentos no momento que estamos, o que precisamos, de tempos em tempos, é ser capaz de utilizar ferramentas que nos auxilie no autoconhecimento e autoavaliação e, para isso, muito das vezes, precisamos de profissionais habilitados para nos auxiliar. Temos que ter cuidado nesse momento, onde a tecnologia nos proporcionou o acesso ilimitado a muita informação, mas do que serve ter o acesso se não sou capaz de implementar esses conhecimentos na rotina do meu trabalho? O que encaixa para um determinado perfil profissional nem sempre vai ser encaixado no meu perfil profissional e essa busca é individual. Escrevi aqui, no início da reportagem, que fiz mestrado, isso não quer dizer que você deve fazer, pois se o seu perfil não for adequado para esse desenvolvimento, acabará sendo traumatizante e não lhe trazer resultados prósperos profissionais. Às vezes, é necessário voltar um pouco, recomeçar para prosseguir e, por isso, a importância de um auxilio profissional antes de decidir o futuro e descartar possibilidades que não está conseguindo evidenciar”, pondera.

Milena Rodrigues Soares finaliza essa reportagem com uma frase de sua autoria e que, com certeza, servirá de estímulo aos profissionais da Medicina Veterinária: “Para todo caminho, dedicação; para toda construção, continuidade – comece e termine”.

(Foto: C&G VF)

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