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Pets e Curiosidades

Viagem internacional com pets tem regras específicas

Para férias tranquilas, planejamento deve ser feito com meses de antecedência
Por Equipe Cães&Gatos
Young female passenger in warm clothes holding tickets and cute dog in hands in airport hall
Por Equipe Cães&Gatos

Natalia Ponse, da redação – natalia@ciasullieditores.com.br

Malas prontas, passaporte em mãos e muita expectativa: viajar é uma das grandes experiências que um ser humano pode vivenciar. E, melhor ainda, é quando podemos levar nosso pet conosco. Afinal, nosso melhor amigo também merece relaxar nas férias.

Mas, comprar a passagem é apenas uma dentre as várias etapas a se cumprir para levá-lo para viajar de avião. Se as recomendações de segurança já são exigentes quanto às pessoas, com os bichinhos não seria diferente.

Conhecer todas as regras e se preparar com antecedência para atendê-las é um gesto vital para evitar surpresas desagradáveis ao longo do processo. Já pensou chegar ao aeroporto e descobrir que não pode embarcar com seu pet?

Travel concept with funny dog and cat sitting on suitcase.
Para viajar com seu pet, esteja atento às regras e exigências do País de destino (Foto: reprodução)

Um dos primeiros fatos a se tomar conhecimento é que existem diferenças no embarque de cães e gatos com relação a demais espécies, como aves, roedores e outros. “São diversos pontos que podem interferir na forma que o animal viajará, alguns destinos não aceitam pets na cabine (seja qual espécie for), outros aceitam apenas cachorros/gatos e que estejam com o peso dentro das regras da companhia aérea. Além disso, roedores também podem encontrar problemas para viajar, sendo que alguns conseguem ser transportados apenas no porão da aeronave (como ‘excesso de bagagem’ ou ‘carga viva’)”, pontua o diretor de Marketing da PETFriendly Turismo, Rodrigo Ferlini.

Ele explica que, para viagens de “carga viva”, é necessário a contratação de uma equipe especializada para realizar todo trâmite de embarque e desembarque. Neste caso, os despachantes aduaneiros são os responsáveis por tratar dessa etapa.

A gerente e especialista em Embarque Internacional de Animais na empresa Alianza Pets, Daniela Nunes Lopes, indica algumas diferenças em exigências sanitárias para alguns países, diferenciadas entre gatos e cachorros. 

“O embarque de gatos com destino aos Estados Unidos, por exemplo, exige somente a vacina de raiva para saída do Brasil e o Atestado de Saúde emitido dentro dos 10 dias anteriores ao embarque”, diz e acrescenta: “Para saída de cães, é necessário a vacina da raiva, microchip, laudo sorológico de titulação de anticorpos da raiva, Import Permit autorização de entrada do pet emitida pelos Estados Unidos e o Atestado de Saúde emitido dentro dos 10 dias anteriores ao embarque”.

Cat sitting in the cage
Uma das principais dicas para uma viagem tranquila é acostumar, com bastante antecedência, o pet à caixinha de transporte (Foto: reprodução)

Burocracia: os documentos requeridos para viagens internacionais com um pet

Viajar com pets não é um trâmite tão simples e existem diversas regras e burocracias que tornam esse processo mais complexo. Rodrigo conta que uma das maiores dificuldades dos tutores é realizar todo processo sanitário de forma correta, sem erros.

“Um dos principais pontos é a questão dos prazos. Muitos tutores acabam nos procurando em uma data próxima à da viagem, o que, em muitos casos, não permite realizar todo processo a tempo”, diz.

Isso porque muitas etapas necessitam de prazos corretos para serem realizadas. Caso não sejam respeitados, a viagem incluindo o animal poderá cair por água abaixo. Rodrigo cita como um desses casos a sorologia da raiva, requerida para alguns destinos: “É exigido que o pet tenha tomado a vacina da raiva, no mínimo, 30 dias antes do embarque. E, após o exame da sorologia, existe uma quarentena que o pet deverá cumprir antes de finalizar a etapa final da documentação”.

As documentações exigidas, muitas vezes, dependem de um órgão público (como o Ministério da Agricultura e Pecuária), tanto no Brasil como no exterior. Sendo assim, é preciso estar atento aos detalhes de todo o processo e as datas para a emissão das documentações.

Daniela acrescenta que a maioria das companhias aéreas aceita animais com peso da bolsa de transporte e do pet (cão ou gato) totalizando até 7kg. “Uma exceção é a companhia aérea Azul, que aceita o peso do pet (cão ou gato), com a bolsa de transporte, totalizando até 10kg. 

Em alguns casos, é possível viajar com os animais dentro da cabine, como suporte emocional ou cão de serviço (cães-guia, por exemplo). Neste caso, ainda assim, é preciso uma assessoria para emissão e documentação necessária, pontua Daniela.

Caixa de transporte na cabine ou no porão do avião? 

As formas de embarque possíveis para levar os peludos à viagem é um dos pontos mais polêmicos deste assunto. “Seja na cabine ou como excesso de bagagem/carga viva, há diversas regras impostas pela companhia aérea para a permissão ou não de um animal dentro da aeronave”, afirma a profissional da Alianza Pets.

É necessário entender se o pet atende às regras de tamanho, peso e raça. Isso mesmo, raça. Ela conta que o embarque de raças braquicefálicas (como bulldog francês, bulldog inglês, pug, shih tzu, Ilhasa apso, pitbull, bull terrier, gatos persas, entre outras) é restrito ou, muitas vezes, as companhias delimitam época sazonais para embarcá-las, como exemplo, não embarcar com temperatura acima de 29 graus Celsius, ou menor que 6 graus celsius.

“Outra dificuldade é em relação a algumas raças que são consideradas perigosas, como pitbull, bull terrier, staffordshire terrier, rottweiler, dogo argentino e fila brasileiro. Para essas raças, é necessário uma caixa de transporte diferenciada, feita sob medida, em madeira e reforçada”, pontua Daniela.

Seja qual for a forma de embarque – na cabine ou no compartimento de carga –, para a viagem ocorrer de forma tranquila, um dos principais fatores está totalmente atrelado à adaptação do animal na bolsa/caixa de transporte.

Rodrigo informa que o pet deve ter tamanho suficiente para ficar de pé e conseguir dar uma volta completa (360°) em seu corpo, sem encostar nas laterais da caixa. Após escolher a Bolsa/Caixa correta, ele conta que o tutor deverá iniciar o processo de adaptação do pet, para que ele se sinta confortável e seguro. “Este processo leva tempo, ou seja, indicamos que faça com bastante antecedência da viagem. Quanto antes, melhor para o seu animal”, enfatiza.

Mas, é perigosa a viagem no compartimento de carga? O profissional da PETFriendly sana essa dúvida: “Há muitas inverdades publicadas pela internet quando o assunto é viajar no porão da aeronave, porém, esse serviço aéreo não é assustador como falam. O pet viaja dentro da caixa de transporte, fechada com no mínimo três trincos (exigência da companhia aérea), e a caixa é fixada em baias dentro do porão – ao contrário do que pensam, elas não ficam soltas com as malas”. 

De acordo com Daniela, para que não ocorra extravio e estresse do animal durante o embarque, além de respeitar o tamanho da caixa para o tamanho do pet, a etiquetagem dessa caixa com dados do tutor também é fundamental para que não ocorra nenhum tipo de extravio. “Seguindo essas condutas, até o momento, não tivemos nenhuma intercorrência”, define. 

Já sobre a temperatura da cabine de passageiros e do compartilhamento de cargas, a gerente confirma ser a mesma. “O que muda é o calor humano, que promove maior aquecimento na cabine do que na parte da carga, onde temos somente malas ou carga. Porém, existem regras e exigências que promovem a segurança para o animal, como não empilhar nenhuma caixa ou mala em cima da caixa do pet, e a caixa de transporte ter um espaço de segurança entre a bagagem ou carga, para que haja circulação de ar para o animal”.

Rodrigo conta que uma das maiores dificuldades dos tutores é realizar todo processo sanitário de forma correta, sem erros (Foto: divulgação)

De um País para outro, as regras mudam!

A vida de um pet é muito importante para a família. E, por isso, é importante colocar atenção sobre quais regras específicas cada destino tem – seja para uma viagem de férias ou para uma mudança internacional. 

“Existe diferença para uma viagem só de ida em relação a uma viagem de ida e volta”, confirma Rodrigo. De acordo com ele, cada País impõe sua regra para entrada ou saída e, muitas vezes, o tutor não conseguirá utilizar o mesmo documento para voltar. “Por exemplo, no caso de pets que vêm da Europa para o Brasil e, posteriormente, desejam voltar para a Europa, os trâmites não são iguais”, diz.

Ele conta que, para entrar no Brasil, o processo sanitário é simples. “Não exigem o exame da sorologia da raiva junto à quarentena de 90 dias, portanto, no momento de volta para Europa, o pet precisará cumprir as etapas completas – incluindo a sorologia”, fala. Neste caso em específico, ele recomenda prestar bastante atenção às datas: o tutor precisa ter em mente que é um processo que pode levar de 5 a 6 meses de preparo.

Essa preocupação com a sorologia da raiva nos outros países é contextualizada pela gerente da Alianza Pets. “No Brasil, no período de 2010 a 2020, foram registrados 38 casos de raiva humana, sendo que, em 2014, não houve nenhum caso. Por isso, os países no exterior têm sido muito rigorosos para a entrada de animais saindo do Brasil”, afirma.

Para se preparar para uma viagem de avião com seu pet, então, o tutor tem duas opções: estudar muito bem e se preparar para toda a burocracia envolvendo esse processo, ou contratar uma empresa especialista em animais para obter toda a segurança e orientação necessária. 

Respeitando todas as regras e especificações indicadas para o seu destino, resta aproveitar as férias ao lado do seu melhor amigo e registrar esta experiência com muitas fotos, para relembrar sempre que quiser. Boa viagem!