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XVII CONGRESSO CBNA PET MOSTROU DETALHES DA NUTRIÇÃO DE CÃES E GATOS

Em mais uma edição, participantes buscaram atualização sobre o tema

Cláudia Guimarães, da redação

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Prof. Aulus Carciofi afirmou que a obesidadenos animais é um problema que vai muito alémdo que o animal ingere (Foto: C&G VF)

Uma edição de sucesso: 350 congressistas, recorde de recebimentos de trabalhos científicos e uma extensa e intensa programação de palestras. O XVII Congresso CBNA Pet, organizado pelo Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA, Campinas/SP), ocorreu nos dias 16 e 17 de maio e, ainda, contou com uma programação sobre nutrição clínica no pré-congresso, dia 15.

Entre apresentações nacionais e internacionais, os convidados conferiram variados temas e pesquisas sobre necessidades nutricionais e como ministrar uma nutrição da melhor maneira possível para que os animais possam viver mais tempo e com mais saúde. Entre os debates, o Prof. Aulus Carciofi afirmou que a obesidade nos animais é um problema que vai muito além do que o animal ingere. “Hoje, o pet pode consumir um bom alimento, mas não fazer nenhum exercício. Por exemplo, um gato, antes, era livre e, atualmente, sua rotina é do sofá para a caixa de areia e da caixa de areia para o comedouro e, por fim, para o sofá novamente”, descreveu.

O professor também falou sobre proteínas e carboidratos e explicou qual a melhor composição de alimentos para os felinos. “A proteína é palatável e estimula o consumo e isso é uma coisa que tem partes boas e ruins”, afirmou e apontou que os gatos apresentam baixa atividade de enzimas necessárias à digestão e absorção de açúcares. “Seus valores são menores que os de mamíferos onívoros e que os de cães e, aparentemente, os felinos não adaptam enzimas digestivas às características da dieta”, incluiu.

Logo após, “Cereais, leguminosas e tubérculos” foi o tema da apresentação da professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR, Curitiba/PR), Ananda Portella Félix, que abordou as diferenças dos amidos. Nas distintas fontes de amido existem muitas características que vão os diferenciar, segundo Ananda. “Por exemplo, em relação à estrutura, quanto mais amilose, maior digestibilidade o alimento terá. A associação íntima do amido com proteínas, fibras e lipídeos prejudica a digestibilidade, mas isso não significa que seja algo ruim. Além disso, o processo é outro fator que altera o alimento, principalmente, a moagem, a extrusão e o armazenamento”, comentou.

Direto da Bélgica. “Nutrição completa com alimentos úmidos” foi o assunto discorrido pelo profissional da Kemin Nutrisurance (Bélgica), Geoffroy Berthe. “Basicamente, temos dois tipos de alimentos úmidos para pets: patê, que pode ser uma combinação da pasta com pedaços e molhos, e a segunda categoria são pedaços em gelatina”, expôs e mostrou os processos de produção desses tipos de alimentos. 

O profissional também comentou sobre a evolução das embalagens dos produtos de petfood. “Antigamente, as rações eram comercializadas em grandes latas, que serviam para uma alimentação por dias. Hoje, há sachês, embalagens individuais, potes menores, entre outros, e isso tem uma grande importância para o mercado, porque influencia na palatabilidade”, declarou.

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Segundo a organização, cerca de 350 congressistasparticiparam dos dois dias de evento (Foto: C&G VF)

Berthe ainda entrou em outra questão: as vantagens e desvantagens do produto úmido. “É bom, pois auxilia a ingestão de água, já que contém de 70 a 80% do elemento e isso evita a formação de cálculos renais nos gatos. No entanto, principalmente no caso dos cães, esse tipo de alimento, por ser mole e macio, pode auxiliar na formação de tártaro”, apontou. O custo também pode ser uma questão desfavorável para esse tipo de dieta, segundo o profissional, ainda mais para cães de grande porte, que exigem uma quantidade maior de alimentos.

Dentro da fábrica. A questão de como a seleção das matérias-primas pode influenciar no processo de extrusão da ração é revelada pelo professor da Universidade do Texas (EUA), Miami Riaz. Ele explanou sobre as vantagens alcançadas com uma boa moagem: “Não apenas melhoramos o aspecto do produto, mas, também, reduzimos as chances de entupimentos na matriz. Além disso, é mais fácil alcançar o cozimento, reduz a densidade, oferece menor sobrevida microbiana e mais retenção de recobrimentos líquidos devido à estrutura celular”, enumerou.

A formulação típica da ração, de acordo com Riaz, contém proteína, algum tipo de carboidrato, gordura e outros ingredientes como vitaminas, minerais etc. “A proteína é o componente mais importante do alimento para pets. Ela possui diferentes papeis, não apenas na nutrição, e proporciona maior absorção de água. As principais fontes são: soja, leguminosas, glúten de milho, grãos de cereais, entre outros, e são de baixo custo, além de possuir um perfil nutricional que requer suplementação”, explica.

Conteúdo e mercado. Segundo o profissional comitê científico do CBNA Pet, Luciano Trevisan, foi alcançada alta participação de profissionais que estão relacionados à área de nutrição animal, médicos-veterinários, zootecnistas, agrônomos, engenheiros de alimentos, entre outros.

Na visão de Trevisan, cada vez mais, a nutrição de cães e gatos tem se desenvolvido e, assim, houve um incentivo maior, até mesmo de dentro das universidades, para essa área. “O Brasil é um grande produtor de matérias-primas e um grande exportador de produtos manufaturados, então, isso tudo tem ajudado a construir essa história dentro da própria nutrição de animais de companhia”, defendeu.

O profissional destacou o desenvolvimento da indústria e afirmou que trata-se de um conjunto de resultados que são obtidos, também, por conta do CBNA. “Porque, aqui, participam professores, estudantes, indústrias, fornecedores de matéria-prima e outros. Todos esses setores juntos são importantes para a promoção ou para o aumento do número de trabalhos realizados na área”, ponderou. Para ele, o interesse pela nutrição animal também tem chegado aos proprietários, por meio de diferentes formas de dietas. “Assim, eles começam a perceber que existem novos tipos de alimentação no mercado, com conceitos diferentes e estudam sobre isso, para saber como alimentar, devidamente, seus animais”, adicionou.

“Cereais, leguminosas e tubérculos” foi o tema da apresentação da professora Ananda Portella Félix (Foto: C&G VF)

O profissional da Kemin Nutrisurance (Bélgica), Geoffroy Berthe, falou sobre a nutrição completa com alimentos úmidos (Foto: C&G VF)

O professor da Universidade do Texas (EUA), Miami Riaz, revelou como a seleção das matérias-primas pode influenciar no processo de extrusão da ração (Foto: C&G VF)

Na visão de Luciano Trevisan, a nutrição de cães e gatos tem se desenvolvido e, assim, houve um incentivo maior, até mesmo de dentro das universidades (Foto: C&G VF)

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