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Adestramento de animais é uma das funções empregadas aos zootecnistas

Profissional possui conhecimentos específicos que facilitam o treinamento dos pets

Cláudia Guimarães, em casa

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Rotineiramente, tutores, principalmente de cães, procuram um profissional capacitado para ensinar alguns truques e treinamentos aos animais que possam facilitar algumas atividades do dia a dia com o cão. O que muitos desses tutores não sabem é que o adestramento é, também, uma das funções do zootecnista, nosso homenageado neste Dia do Zootecnista.

O zootecnista, adestrador e proprietário da Cinotec – Adestramento de Cães, Ivan de Alamar Pedrosa, comenta que o público procura o serviço de adestramento de animais, independentemente da formação do profissional. “Mas, se considerarmos um zootecnista a nível de formação, veremos que esses profissionais possuem um perfil totalmente voltado para tais funções, com conhecimentos específicos que servirão de base para esse tipo de trabalho, somado a especializações nas áreas de comportamento e bem-estar animal, além de cursos extracurriculares”, destaca.

As principais funções desempenhadas pelo zootecnista que atua na área de adestramento, segundo Pedrosa são: treinamento para funções específicas; manejo comportamental para a adaptação de pets em diferentes ambientes; manejo voltado para o bem-estar animal, assim como a orientação para responsáveis de pets, canis comerciais e institucionais.

Quando questionado se existem técnicas específicas utilizadas para o adestramento animal, o zootecnista afirma que é possível dizer que o adestramento de cães é empírico na sua execução, com carência de técnicas de campo validadas para diferentes tipos e modalidades de adestramento. “Um bom trabalho, em termos de resultados e zelo pelos animais, deve ser baseado nas normas de ética e bem-estar animal, adotando boas práticas no manejo e treinamento de animais de forma eficiente e não invasiva e que proporcione aumento na qualidade de vida desses animais”, explica.

O profissional ainda revela que existem estudos indicando os benefícios de práticas de manejo com o uso de indicadores como as cinco liberdades (estar livre de fome e sede, estar livre de desconforto, estar livre de doença e injúria, ter liberdade para expressar os comportamentos naturais da espécie, estar livre de medo e estresse), enriquecimento ambiental e protocolos que preconizam o uso de elementos reforçadores nos comportamentos desejados.

Ivan Pedrosa é proprietário da Cinotec – Adestramento de Cães (Foto: divulgação)

Desafios do adestrador.

Mas durante o trabalho de adestramento, os profissionais encontram algumas dificuldades? Segundo o zootecnista, a adaptação dos exercícios e recomendações gerais para os responsáveis dos animais podem representar um grande desafio para profissionais que não se preparem de forma efetiva para atender a esse público. “Outro fator está relacionado ao antropomorfismo atribuído aos cães, o que pode ser uma barreira para o fornecimento do manejo correto”, aponta.

Em relação aos gatos, Pedrosa observa que, aos poucos, vamos vendo o surgimento de profissionais especialistas em comportamento da espécie, devido à demanda crescente de felinos nos lares brasileiros, sendo criados de forma mais intensificada como animais de companhia. “Essa nova realidade acarreta na necessidade de compreensão do seu comportamento e melhores propostas para o bom convívio com a família”, salienta.

Atividades do adestramento são baseadas nas necessidades comportamentais da espécie e ajustadas para cada caso e indivíduo (Foto: reprodução)

Educação comportamental x isolamento social.

No geral, Pedrosa conta que os zootecnistas são procurados para serviços de adestramento por problemas de convívio e adaptação. “Podemos destacar os problemas durante os passeios, brigas entre cães, destruição de objetos e necessidades em locais que não são adequados para as pessoas”, enumera.

Como frisado pelo profissional, com a pandemia, muitas pessoas pararam de passear com os cães, ou diminuíram a frequência, deixando os cães sem atividades. “Com isso, os espaços destinados a treinamento e atividades para cães se tornaram fundamentais para suprir a necessidade de atividades desses animais”, declara.

Em distanciamento social, surge o adestramento a distância

Então, mesmo com o isolamento social, animais podem ser educados a distância: “O profissional pode orientar remotamente os tutores em relação aos treinos dos pets, criando um protocolo de atividades que podem ser realizadas em casa. Essas atividades são baseadas nas necessidades comportamentais da espécie e ajustadas para cada caso e indivíduo”, diz.

Para finalizar, Pedrosa salienta que a atuação de zootecnistas na cinotecnia é de fundamental importância no aprimoramento de técnicas de manejo que possibilitem melhor convívio entre pets e pessoas. “Os estudantes de Zootecnia que desejem ingressar nessa área devem se envolver com atividades relacionadas, como criação, genética, nutrição, instalações e comportamento de cães, para uma formação ampla sobre a espécie”, orienta.

(Foto: C&G VF)

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