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Alguns comportamentos felinos são considerados formas de comunicação com o tutor

Miado, posição e vibração da cauda, entre outras reações dos gatos, são comentadas por veterinária

Cláudia Guimarães, da redação

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A melhor maneira de cuidar de um animal de estimação é conhecer todas as necessidades e curiosidades da espécie. No Dia Mundial do Gato, comemorado em fevereiro, mostramos, aqui, com a ajuda da médica-veterinária especializada em Medicina Felina, Mayara Maeda, alguns comportamentos comuns entre os gatos. Eles servem como forma de comunicação e a profissional explicou que, diferente do que a maioria das pessoas pensa, o miado é um som raro nessa interação entre os felinos com os humanos e com outros animais.

Hoje, como forma de ampliar as informações sobre a temática, trazemos a médica-veterinária clínica, que também realiza atendimento especializado em felinos na rede de hospitais veterinários Pet Care, Vanice Correto Dutra Allemand, para indicar outros trejeitos específicos da espécie e que muito têm a dizer para nós, meros humanos mortais.

Entre os sons que os gatos produzem para se comunicar, estão o ‘trilar’, o ‘tagarelar’, o ‘bufar’, o ‘uivo’, o ‘rosnado’, entre outros (Foto: reprodução)

Em relação ao miado, a profissional explica que, geralmente, ele faz parte do repertório de comunicação entre os filhotes e suas mães e eles deixam de produzi-lo quando amadurecem. ”Quando utilizado entre gatos adultos, é observado em situações de marcação de território e atração de parceiros. É um som mais observado na interação entre gatos e humanos e ocorre na antecipação da alimentação e durante brincadeiras”, menciona.

Os tipos de miados produzidos, assim como suas quantidades e frequências, dependem da raça, segundo a veterinária. Um exemplo disso são os siameses, mais vocais que outras raças. “Além disso, variam de acordo com o que eles querem comunicar aos seus humanos. Existem outros tipos de sons que os gatos produzem para se comunicar, como o ‘trilar’, o ‘tagarelar’, o ‘bufar’, o ‘uivo’, o ‘rosnado’, entre outros”, enumera.

Apesar dos diferentes tipos de sons produzidos pelos gatos, Vanice garante que sua principal forma de comunicação interespecífica é a não verbal e diferenças de postura corporal, em conjunto com o posicionamento das orelhas, das vibriças e da cauda. “Tudo isso diz muito sobre o estado emocional e intencional dos nossos amigos felinos”, relembra.

Em nossa primeira reportagem, Mayara Maeda descreveu alguns movimentos da cauda dos gatos e o que eles indicam. A veterinária Vanice, agora, menciona outro comportamento bem comum relacionado ao rabo dos felinos: a vibração. “A cauda vibrando, enquanto posicionada para cima, perpendicular ao solo, com orelhas erguidas e bigodes relaxados significam aproximação amigável. Cauda estendida, movendo-se lentamente, de um lado para outro, pode significar agressão, bem como cauda com pelos eriçados, que também são sinais de que o gato está agressivo. A cauda enrolada pode, também, indicar medo, estresse e, até mesmo, dor. Quando apenas a ponta da cauda está se movendo, ele pode estar acompanhando uma presa”, discorre.

E que tutor nunca presenciou um de seus gatos rolando no chão quando alguém se aproxima? Eu mesma, jornalista gateira que sou, tenho uma gata que demonstra esse comportamento muitas vezes ao dia, mas, apesar de, para alguns gatos, ser algo corriqueiro, Vanice revela que trata-se de uma reação pouco compreendida. “Acredita-se que seja uma postura amigável ou submissa. Gatos que mostram o abdômen estão tranquilos e relaxados, enquanto gatos apreensivos, estressados e com medo estão sempre em posição alerta, membros apoiados no solo, prontos para correr, atacar ou fugir, se necessário”, indica.

Sinal de alerta!

Vale lembrar que, assim como nós, humanos, demonstramos atitudes únicas, o mesmo ocorre com os animais e, então, os comportamentos podem variar muito dependendo do indivíduo, do tipo de estresse ou, caso seja o caso, da doença envolvida, como destacado por Vanice. No entanto, ela cita algumas coisas que se tornam hábito quando algo não está bem com o gato – ou com o ambiente em que ele vive: “Esconder-se ou ficar por muito tempo em um só local, hiper vigilância, não socializar com membros da família, não utilizar a caixa sanitária, pulverização da urina em locais inadequados, aumento de arranhões, alterações na alimentação (desde anorexia, até empanturramento e vômitos), excesso de higiene e irritabilidade ou agressividade”.

Esconder-se ou ficar por muito tempo em um só local, hiper vigilância e não socializar com membros da família são sinais de alerta (Foto: reprodução)

Além disso, a veterinária declara que existem diversos comportamentos que podem ser associados a problemas de saúde. A simples mudança de rotina já pode indicar algum mal estar nessa espécie. “Gatos que não permitem manipulação ou se irritam com ela podem estar apresentando dor em coluna, por exemplo. Salivação excessiva pode indicar dor nos dentes ou presença de feridas na boca. Urinar em locais inadequados pode significar estresse ambiental ou pode ser sinal de problemas urinários. Permanecer somente em locais altos pode indicar excesso de vigilância por estresse. Já o aumento do comportamento de arranhadura pode indicar insegurança, enquanto a diminuição pode indicar dor”, desvenda.

A profissional ainda esclarece que o excesso de lambedura pode indicar dor, prurido ou alterações neurológicas. “Outro comportamento que, geralmente, não damos a devida importância é o de subir em móveis, brincadeiras. Muitas vezes, associamos a diminuição com a idade, porém podem significar dor.  Outro sinal que, muitas vezes, é negligenciado pelos tutores é o vômito. Que os gatos vomitam para eliminar bolas de pelo todos sabem. Porém, sempre vale a pena a investigação, pois, frequentemente, ele está relacionado à presença de alguma sensibilidade alimentar”, alerta.

Portanto, para prevenir qualquer tipo de doença, é preciso saber como está a saúde do pet, o levando ao veterinário regularmente, para que ninguém seja pego de surpresa. “Devemos conhecer o status de saúde do gato, fazer testes de FIV/FeLV na adoção, saber sobre históricos de trauma e possíveis dores crônicas, observar se ele tem alguma dor na boca ou doença periodontal. Os felinos devem ser levados à clínica, ao menos, uma vez por ano para avaliação geral, vacinas e check-ups. Neste momento, o veterinário pode aproveitar para solicitar exames de sangue e de imagem, caso necessário”, recomenda.

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