in ,

Belas e perigosas: se ingeridas, plantas e flores podem intoxicar animais de companhia

Além de ornamentais, elas possuem toxinas que levam a problemas de saúde durante o processo de ingestão

Wellington Torres, de casa

[email protected]

De diversas cores, formatos e odores, as plantas e flores podem ser encontradas em grande parte dos lares brasileiros, seja nos quintais ou dentro das próprias residências, ao servir como ornamento. Contudo, você, médico-veterinário ou tutor, sabia que algumas delas podem ser prejudiciais a saúde dos animais de companhia?

Se a resposta for não, fique atento, pois de acordo com o médico-veterinário Waldir Fonseca, que atua na área de Patologia Clínica e atualmente é Diretor Técnico Executivo Veterinário no Pasteur Diagnósticos Veterinários, algumas delas podem apresentar grandes riscos aos pets.

25 plantas tóxicas para evitar se você tiver animais em casa
Cuidado com os filhotes deve ser redobrado (Foto: reprodução)

“Existem tanto plantas como flores, como por exemplo a Comigo ninguém pode, a Costela de Adão, a Copo de Leite, a Carrapateira, a Mamona, o Lírio, a Cafézinho ou erva de rato e a Samambaia que possuem toxicidades que levam a intoxicação durante o processo de ingestão.  Vale ressaltar que cada uma delas possuem uma toxicidade que acomete sistemas específicos”, explica o profissional.

Segundo ele, a fim de contextualizar o comentário anterior, o lírio, por exemplo, causa toxicidades à função renal e a Samambaia que, se ingerida, causa efeitos nocivos ao aparelho neurológico de cães ou gatos ao consumi-la.

Por isso, se atentar ao onde e como os animais poderão ter acesso a elas é imprescindível. “Elas precisam ser acondicionadas em local e altura apropriados, de uma maneira que não desperte curiosidade ao animal, principalmente aos filhotes, que ainda estão descobrindo as coisas. O local onde o animal vive deve ser livre de plantas ou flores tóxicas ou objetos que coloquem a vida em risco”, aconselha o médico-veterinário.

Mas como saber se o animal ingeriu alguma flor ou planta tóxica?

 De acordo com Fonseca, os animais tendem a apresentar alguns sinais de intoxicação, contudo eles variam muito, por isso é sempre importante “observar as mudanças de comportamento, como falta de apetite, vômito, diarreia, excesso de salivação, aumento de frequência de urinar e crise epilépticas”.

Ao notá-los, será necessário ir o mais rápido possível a um médico-veterinário, para que assim um diagnóstico seja realizado. O profissional pontua que para identificar o acometimento por intoxicação de flores ou plantas se faz necessário o relato dos tutores, com base na anamnese, exame físicos e complementares, como hemograma, bioquímicos e ultrassonografia.

Tipos de lírios: conheça os principais e saiba como cuidar | Petz
Lírios são comumente utilizados para decorar ambientes (Foto: reprodução)

Do outro lado da moeda

Como prova de que uma intoxicação por plantas ou flores não deve ser banalizada, o publicitário Marcelo de Almeida Mello Pasqualucci relatou em seu Facebook, no dia 18 de março, o falecimento de sua gata, Gamora, após ingerir lírio.

Em contato com a nossa equipe, o tutor explicou que, após cinco dias dos primeiros sinais, como prostração e vômitos constantes, e 4 locais ,entre clínica veterinária, hospitais e clínica especializada, mais de 15 profissionais envolvidos e um custo de mais de R$ 10.000,00, ela não resistiu.

“Na segunda-feira, o primeiro dia que levei ao veterinário, foi tentado tirar sangue, mas não deu muito certo pois estava agitada e foi dado remédios simples, para enjoo e um suplemento alimentar. Chegamos até marcar um ultrassom para o dia seguinte”, conta Pasqualucci.

No dia seguinte, o animal acordou melhor e o cuidador acabou cancelando o ultrassom, o que não durou muito tempo, tendo de entrar em contato com o médico-veterinário outra vez. O profissional sugeriu que o animal fosse levado ao hospital para poder fazer o ultrassom, pois haveriam conseguido um encaixe.

“Primeiramente, foi realizado um novo atendimento do qual foi possível fazer a coleta de sangue e como complemento, um raio x do pulmão. Segundo, a veterinária que analisou o raio-x, foi pontuado que já havia uma indicação de algum problema, mas que eu poderia voltar com ela para casa. O ultrassom não foi feito devido a uma confusão no atendimento/agenda do hospital”, relata o publicitário.

Segundo relato do tutor, animal ingeriu lírio (Foto: reprodução)

Na quarta-feira o animal volta a piorar

“Fui novamente ao hospital para receber as informações do exame de sangue com a Gamora. No atendimento, o veterinário demonstrou muita preocupação e resolvemos interná-la na mesma hora. Saindo do hospital, minha irmã me liga dizendo que havia um vaso de lírio na casa da minha mãe e que a gata poderia ter ingerido. Foi aí que chegamos à conclusão do envenenamento. Logo que recebi esta informação e neste momento, todo a condução para tratá-la mudou e seguimos a rota correta”, afirma.

Ao retornar no período da noite ao hospital, naquele mesmo dia, para falar com uma nefrologista, foi indicado a realizada de uma diálise. “Questionei se a Gamora tinha tido alguma melhora baseada em outro exame, pois estavam fazendo fluidoterapia, mas como não tínhamos um parâmetro, tentamos manter ela mais uma noite para ver se respondia à internação.

No penúltimo dia, como relata Marcelo, alguns parâmetros de saúde do animal melhoraram, mas o rim começou a apresentar problemas. “Peguei ela e fui até um hospital especializado em rim para fazer o procedimento de diálise. Após a primeira sessão, ela teve um problema pulmonar – talvez aquele que já havia sido apontado no raio-X mas não se foi dado a devida importância – e tivemos que locomover a Gamora para uma UTI de ambulância, pois a clínica de diálise não tinha estrutura para tratar a nova condição. Talvez este tenha sido o ponto mais dramático. Ela chegou expelindo sangue e estava em uma maca com uma série de aparelhos conectados a ela”, relembra o tutor, acrescentando que horas depois, na sexta-feira, ela acabou falecendo.

Atenção de TODOS

Referente ao relato realizado por ele no Facebook, Marcelo deixa claro que a intenção é chamar atenção das empresas que comercializam plantas tóxicas para que alertem aos clientes deste perigo. “Eu acessei sites que vendem lírio e a informação não consta em lugar algum e mesmo quem tem gato há muito tempo, pelos contatos que tive após o incidente, também alegaram desconhecerem o poder tóxico da flor”.

“Se vale sonhar, deveria haver uma lei que obrigasse ao mercado de flores/plantas em prover este alerta, para que o cliente, consciente do tipo de perigo que está trazendo para dentro de casa, possa ao menos mudar de ideia e comprar outra flor/planta”, finaliza o tutor.

LEIA TAMBÉM:

Acumuladores de animais devem receber ajuda psicológica e informações sobre Saúde Pública

Salário de médicos-veterinários: os pisos salariais são seguidos à risca?

Valores de matérias-primas utilizadas em pet food subiram de 65 a 165% durante pandemia

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

lançamento Boehringer Ingelheim

Novo medicamento para parasitas internos e externos em cães é lançado pela Boehringer Ingelheim

Atenta ao setor dermatológico, Elanco adquire a Kindred Biosciences