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Cães estão vivendo mais e a longevidade deve mudar os cuidados com a saúde

Preservação da massa muscular, controle do peso, saúde cognitiva e mobilidade ganham importância à medida que os cães chegam à fase sênior

Cães estão vivendo mais e a longevidade deve mudar os cuidados com a saúde
Por Stéfani Campos Chagas
26 de agosto de 2026

O aumento da longevidade dos cães deve mudar também a forma de olhar para o envelhecimento. Se antes chegar à senioridade já era um marco importante, hoje a Medicina Veterinária busca não apenas ampliar os anos de vida, mas preservar a funcionalidade e a qualidade de vida dos animais durante esse período.

No Dia Mundial do Cachorro, celebrado em 26 de agosto, o tema ganha destaque. Entre os principais desafios encontrados nos cães idosos estão a perda progressiva de massa muscular, o ganho de peso, a redução da mobilidade, as alterações cognitivas e o impacto de doenças crônicas. 

Nesse cenário, a alimentação passa a integrar uma abordagem individualizada, que deve acompanhar as transformações do animal ao longo da vida. 

Segundo Priscila Rodrigues, gerente de informação veterinária da Nestlé Purina, é importante frisar que a nutrição desempenha papel importante durante toda a vida do animal. Estudos científicos mostram que manter uma condição corporal ideal desde filhote e durante toda a vida pode melhorar a expectativa de vida e os parâmetros de saúde em cães. Ou seja, proporcionar qualidade de vida na velhice, começa pela oferta de uma boa dieta quando o animal ainda é filhote e mantê-la ao longo da vida. Ainda assim, como cada cão apresenta um processo individual de envelhecimento, é importante que as estratégias nutricionais sejam revistas conforme as necessidades mudam. 

“Cada cão envelhece em um ritmo diferente, influenciado por raça, porte, nutrição, atividade, histórico de saúde e ambiente. Por isso, a estratégia nutricional deve ser reavaliada ao longo da vida”, afirma.

O que muda quando o cão chega à fase sênior?

As necessidades nutricionais não permanecem iguais durante toda a vida. Filhotes precisam de nutrientes para sustentar o crescimento, enquanto adultos demandam alimentação compatível com porte, atividade física e  status reprodutivo (se é castrado ou não).

Na fase sênior, o foco passa a incluir a preservação da condição corporal e da musculatura e o acompanhamento mais próximo das alterações associadas à idade.

A idade cronológica, porém, não deve ser o único critério para definir a mudança alimentar. Assim, histórico de saúde, peso, composição corporal, nível de atividade e rotina também precisam ser considerados.

“A recomendação deve ser individualizada porque as necessidades energéticas e nutricionais variam significativamente entre cães. Devem ser considerados fase da vida, porte, peso, condição corporal, condição muscular, nível de atividade, status reprodutivo, metabolismo individual, histórico alimentar e de saúde, presença de doenças, ambiente e rotina”, explica Priscila.

Purina Pro Plan Controle de Peso
Purina Pro Plan Controle de Peso é formulada para cães adultos com baixo nível de atividade física ou tendência ao ganho de peso (Foto: Divulgação)

Essa avaliação também ajuda o médico veterinário a definir a quantidade de alimento. A recomendação indicada na embalagem deve servir como referência inicial, mas o consumo deve ser ajustado conforme a resposta de cada animal e de acordo à orientação do veterinário responsável pelo animal.

Ciente disso, a linha Purina Pro Plan possui formulações para diferentes fases da vida, portes e perfis de cães, incluindo opções para animais adultos ativos, controle de peso, paladar exigente, pele e trato intestinal sensíveis e cães na fase sênior.

Quando o peso não conta toda a história

Um dos pontos que merece atenção durante o envelhecimento é a composição corporal. O número apresentado na balança não revela, sozinho, quanto daquele peso corresponde a gordura ou massa muscular.

É possível, por exemplo, que um cão mantenha o peso enquanto perde musculatura e acumula tecido adiposo. Essa combinação pode passar despercebida quando a avaliação se limita à balança.

“Os principais sinais de atenção incluem redução da musculatura sobre coluna, escápulas, crânio e quadris, perda de força, menor disposição ou resistência, dificuldade de locomoção e mudanças na composição corporal, mesmo sem redução do peso”, alerta Priscila.

A perda de massa corporal magra é chamada de sarcopenia e esta é frequentemente observada em animais senis. Sua origem é multifatorial e pode envolver nutrição inadequada (ingestão deficitária de energia e nutrientes), alterações no metabolismo, presença de doenças crônicas, dentre outros. Por isso, o acompanhamento do cão sênior deve sempre considerar não apenas o peso, mas também o escore de condição corporal e escore de condição muscular.

Com o envelhecimento, algumas mudanças no metabolismo ocorrem e o catabolismo proteico pode superar a síntese proteica, favorecendo a perda muscular. Segundo informações do Purina Institute, cães idosos podem apresentar necessidades proteicas superiores às de animais mais jovens. Neste cenário, a ingestão de proteína na dieta ganha importância, já que fornece aminoácidos necessários para a manutenção da massa corporal magra.

“Uma oferta adequada de proteína pode ajudar a retardar a perda de massa magra. A restrição proteica deve ocorrer apenas quando for clinicamente necessária”, ressalta.

Além da quantidade, a formulação da dieta deve considerar a qualidade e a digestibilidade da proteína, dentro de uma alimentação completa e balanceada.

Obesidade também interfere na longevidade

Se a perda muscular representa um desafio para o cão idoso, o excesso de gordura também merece atenção. 

A obesidade está associada a condições como osteoartrite e a um estado de inflamação crônica de baixo grau. O tecido adiposo é metabolicamente ativo e participa de processos relacionados à inflamação, resistência à insulina e estresse oxidativo.

De acordo com o Purina Institute, cães com sobrepeso ou obesidade apresentam menor longevidade quando comparados a animais mantidos em condição corporal mais magra.

Quando indicada a perda de peso, a recomendação é trabalhar com redução gradual da ingestão energética, visando a perda aproximada de 1% a 2% do peso corporal por semana, com ajustes conforme a resposta individual (fonte: Purina Institute).  Nesse processo, a pesagem do alimento, controle de petiscos e acompanhamento da condição corporal e muscular são importantes.

“O controle do peso deve preservar a oferta de nutrientes essenciais e a massa corporal magra. A restrição excessiva de um alimento convencional pode resultar em ingestão insuficiente de nutrientes”, explica Priscila. Assim, é importante utilizar alimentos especificamente desenhados para proporcionar a perda de peso, mantendo a ingestão adequada de todos os nutrientes necessários.

A Purina Pro Plan Controle de Peso é ideal para esses casos, visto que é formulada para cães adultos com baixo nível de atividade física ou tendência ao ganho de peso, apresentando menor densidade energética e maior teor de fibras, além de ser elaborada com carne de frango como 1º ingrediente, que é uma fonte de proteína de elevada digestibilidade, que favorece a manutenção da massa magra.

Purina Pro Plan destaca relançamento da linha e novidades nutricionais durante a CBNA PET 2026
Priscila Rodrigues, gerente de informação veterinária da Nestlé Purina (Foto: Cães&Gatos)

Cérebro e mobilidade entram na equação

O envelhecimento não acontece em sistemas isolados. A perda muscular pode reduzir força e mobilidade, enquanto a menor atividade física favorece o ganho de gordura. 

O excesso de peso, por sua vez, aumenta a sobrecarga sobre as articulações e pode contribuir para alterações musculoesqueléticas.

As mudanças cognitivas também podem afetar a rotina. Desorientação, alterações no ciclo sono-vigília, redução da interação social, perda de memória ou dificuldade de aprendizagem são sinais que precisam de avaliação veterinária.

Com a idade, o cérebro pode se tornar menos eficiente na utilização da glicose como fonte de energia. Os triglicerídeos de cadeia média (TCM) podem funcionar como uma fonte alternativa de energia cerebral.

De acordo com pesquisas do Purina Institute, cães sêniores saudáveis alimentados com uma dieta contendo TCM apresentam menos erros em testes cognitivos e melhora de memória a partir de duas semanas. 

Outros nutrientes associados ao suporte cerebral incluem DHA, EPA, antioxidantes, arginina e vitaminas do complexo B. A nutrição, entretanto, deve fazer parte de uma abordagem mais ampla e não substitui a investigação veterinária diante de alterações comportamentais ou cognitivas.

Já para a mobilidade, a preservação da musculatura e o controle da gordura corporal também são relevantes. A massa magra está relacionada à força e à capacidade de recuperação, enquanto o excesso de gordura aumenta a carga sobre articulações envelhecidas.

A Purina Pro Plan Longevidade Excepcional, destinada a cães adultos com mais de sete anos, combina carne de frango como 1º ingrediente (proteína de alta qualidade e elevada digestibilidade), TCM, taurina, ômega 3 e glicosamina em uma formulação voltada à fase sênior.

Envelhecimento exige acompanhamento contínuo

Nos cães idosos com doenças crônicas, a nutrição pode ser integrada ao plano de manejo estabelecido pelo médico-veterinário. Diagnóstico, condição corporal e muscular, apetite, necessidade energética e resposta clínica devem orientar as decisões, já que muitas doenças crônicas podem alterar ingestão, metabolismo e massa muscular.

“A nutrição pode integrar o plano de manejo definido pelo médico-veterinário, considerando diagnóstico, condição corporal, condição muscular, apetite, necessidade energética e resposta clínica”, pontua Priscila.

Quando uma enfermidade exige suporte nutricional específico, alimentos coadjuvantes podem ser utilizados para atender necessidades particulares e auxiliar no manejo dietético de determinadas condições clínicas. Esses produtos devem ser empregados sob orientação e acompanhamento veterinário e não substituem o tratamento convencional.

A realidade é que os avanços em nutrição voltados à medicina veterinária apontam, portanto, para um cuidado cada vez mais individualizado, com a participação dos responsáveis, dos médicos veterinários e da indústria, onde o objetivo não é apenas prolongar a vida do animal, mas sim oferecer qualidade de vida à estes anos adicionais. 

“O responsável fornece alimento completo e balanceado ao longo da vida do animal, proporcionando que ele cresça e se desenvolva adequadamente, além de manter uma boa condição corporal ao longo da vida. Com isto, ele também está fornecendo a base para um envelhecimento saudável. O responsável também observa as mudanças no apetite, no comportamento, na atividade e rotina e busca o médico veterinário, que por sua vez, avalia peso, condição corporal, massa muscular, fase da vida e condição clínica, com o objetivo de orientar o manejo ideal para este animal. A indústria contribui com a pesquisa científica para o desenvolvimento de alimentos completos e balanceados que solucionem os principais problemas observados em pacientes idosos (ganho de peso, perda de massa magra, diminuição da mobilidade, déficit cognitivo, dentre outros), fornecendo produtos para apoiar decisões nutricionais, fechando o ciclo”, destaca.

No Dia Mundial do Cachorro, vale lembrar que responsáveis, médicos veterinários e indústria de alimentos trabalham com o mesmo objetivo: fazer com que pessoas e pets vivam melhor juntos e por mais tempo.