Alegres, brincalhões e grandes parceiros, há muito tempo os cães são considerados os melhores amigos dos homens. Dada a relevância desses animais no cotidiano das pessoas, em 26 de agosto é celebrado o Dia Mundial do Cão.
Mas, até que ponto a genética e a ciência explicam a formação do vínculo entre as pessoas e os animais da espécie e justificam essa relação tão intensa?
O médico-veterinário pós-graduado em Clinical Animal Behaviour pela University of Edinburgh (Escócia) e II Tesoureiro da Associação Brasileira de Medicina Veterinária Comportamental (ABMeVec), Alaion Fonseca, afirma que, embora essa seja uma expressão popular, ela encontra respaldo no conhecimento científico acumulado nas últimas décadas.
“O cão foi o primeiro animal a ser domesticado pelo ser humano e convive conosco há dezenas de milhares de anos. Durante esse período, ocorreu um processo de coevolução: nós influenciamos profundamente a evolução dos cães, mas eles também influenciaram a nossa própria história, auxiliando em atividades como caça, proteção, pastoreio e transporte, além de, mais recentemente, desempenharem funções de assistência, terapia e companhia. Por isso, não seria exagero dizer que nenhuma espécie estabeleceu uma relação tão duradoura, próxima e cooperativa com os seres humanos como essa”, relata.
Esse amplo tempo de convivência, combinado com a seleção genética ao longo dos anos, foi responsável por fazer com que os cães desenvolvessem uma capacidade extraordinária de interpretar gestos, expressões faciais e intenções humanas.
Além disso, nenhuma outra espécie participou de uma diversidade tão grande de atividades humanas.
“Essa longa história de cooperação tornou a relação entre cães e humanos bastante única”, pontua.

Convivência intensa
Por mais que não se saiba ao certo há quanto tempo pessoas e cachorros convivem, evidências científicas apontam que esses animais estão domesticados há, pelo menos, 15 mil anos e existem dados consistentes de que o processo de domesticação começou há mais tempo do que isso.
Alaion explica que, desde então, a relação evoluiu de uma parceria voltada principalmente para sobrevivência e trabalho, até o papel que muitos cães desempenham hoje como membros da família e importantes companheiros do ser humano.
Contudo, diferente do que muitos pensam, a domesticação dos cachorros não foi rápida ou simples. Dados científicos atuais sugerem que, provavelmente, envolveu diferentes populações de lobos ao longo do tempo, além de cruzamentos entre cães e lobos selvagens.
“Ainda não existe consenso se a domesticação ocorreu uma única vez ou em diferentes regiões do mundo de forma independente. O que parece claro é que, ao longo de milhares de anos, os indivíduos menos temerosos e mais tolerantes à presença humana tiveram maior sucesso em sobreviver e se reproduzir próximos às comunidades humanas, dando origem, pouco a pouco, ao cão doméstico que conhecemos hoje”, afirma o médico-veterinário.

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar.