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Cardiomiopatia dilatada e dietas grain-free para pets existe alguma relação?

Dietas com elevada restrição proteica, como dietas caseiras desbalanceadas, ocasionam o problema

A cardiomiopatia dilata (CMD) é uma doença primária do miocárdio caracterizada por dilatação do ventrículo esquerdo (VE) afetando a sua função sistólica e podendo causar arritmas ventriculares. Ela acomete principalmente cães de porte médio a grande, sendo na maioria das vezes de origem genética e, com o tempo, evolui para insuficiência cardíaca podendo levar à morte. Estudos da década de 80 relacionam a CMD em gatos com deficiência de taurina, um aminoácido essencial para a espécie.

Os cães, diferente dos gatos, são capazes de sintetizar taurina por meio dos aminoácidos sulfurados metionina e cistina, no entanto, a doença já foi diversas vezes relatada em cães com níveis séricos de taurina abaixo do esperado. As causas são dietas com elevada restrição proteica, especialmente dietas caseiras desbalanceadas.

Para os casos iniciais de CMD secundária à deficiência de taurina, a suplementação de taurina e ajustes na dieta leva à recuperação do animal e as alterações no miocárdio desaparecem. Em 2018 a CMD ganhou grande destaque na comunidade veterinária e na indústria de alimentos para pets.

Após aumento no número de casos da doença, o U.S. Food and Drug Administration’s (FDA), agência federal do departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos que tem por objetivo proteger a saúde pública através da regulação de alimentos, passou a investigar uma possível relação da CMD com o crescente uso de dietas grain-free (livres de grãos), que tem por característica alta inclusão de ingredientes como lentilha, ervilha, legumes e batata. Na época, a entidade abriu um canal de comunicação para que médicos veterinários relatassem casos da doença cardíaca e o tipo de dieta que o animal recebia. Suspeitava-se que a dieta pudesse, de alguma forma, privar os cães da produção de taurina.

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(Foto: C&G VF)

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