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CARLOS EDUARDO LARSSON REVELA A LINHA DO TEMPO DA DERMATOLOGIA VETERINÁRIA

Os marcos, em décadas, da área mostram a evolução das descobertas e os profissionais de destaque, como cita o presidente da SBDV

Os marcos, em décadas, da área mostram a evolução das descobertas e os profissionais de destaque, como cita o presidente da SBDV 

Cláudia Guimarães, da redação

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“Estou feliz por falar sobre uma das minhas paixões, que é a Dermatologia Veterinária”, disse o médico-veterinário e presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV, São Paulo/SP), Carlos Eduardo Larsson, no dia 26 de julho, em evento da Zoetis (São Paulo/SP). O profissional foi convidado pela empresa, que lançou o produto Apoquel, para coceira canina, para contar uma breve história da dermatologia veterinária brasileira. “Já falei sobre vários temas da dermatologia, mas é a primeira vez que falo sobre a história”, completou entusiasmado.

Para realizar a apresentação, o profissional conta que teve que recorrer a alguns poucos tratados e escritos que falam sobre a dermatologia veterinária e o que mais me possibilitou um material de boa qualidade foi o contato com o sócio honorário da SBDV, Cid Figueiredo, o primeiro a ter iniciado o estudo da dermatologia no País. Leia o perfil de Figueiredo, publicado na edição nº197 da Revista Cães&Gatos VET FOOD, aqui.

No Brasil, especificamente em São Paulo (SP), essa história começa com a criação, em 1917, da mais antiga escola de Medicina Veterinária paulista onde praticava-se a clínica dermatológica junto à clínica médica. Com a chegada da Bélgica ao País, na década de 20, o cirurgião veterinário, René Straunard, foi o nome forte da categoria que regeu a cátedra de Propedêutica, Patologia e Clínica Médica nos anos 30. Em sua atuação foram incorporados, junto a até então conhecida palavra “eczema” ou “atopia”, novos procedimentos de diagnóstico e aumentadas as formulações terapêuticas. “A exemplo daquelas preconizadas para tratamento das micoses superficiais (‘Fórmula de Straunard’)”, relata.

Na velha Faculdade de Medicina Veterinária, a matéria dermatológica, ministrada na Patologia e Clínica Médica, era de responsabilidade do catedrático Sebastião Nicolau Piratininga. Seu sucessor, Max Ferreira Migliano, que se aposentou na década de 70, enfatizava muito a importância da dermatologia, como relembrado por Larsson, principalmente nos insolúveis (e até hoje o são) casos de eczema, hoje dermatite atópica, e da velha sarna negra.

Na década de 1930, como narra o profissional, outro médico-veterinário belga, Octávio Dupont, foi o responsável por trazer as primeiras apresentações para terapia e protocolos dos quadros eczematosos. “Ele mostrou como se tratava os animais nesses processos alérgicos e descobriu o porquê os animais demonstravam tamanho sofrimento por conta da alergia”.

Nos anos seguintes, Ernesto Antônio Matera, Sebastião Nicolau Piratininga, Pedro Manuel Leal Germano e outros profissionais da Medicina Veterinária dão sequência ao trabalho de Dupont. Em 1976, Na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP, São Paulo/SP), Piratininga teve um aluno, como relembra Larsson: “Cid Figueiredo, que começa a trabalhar como clínico privado e, em seguida, é convidado como assistente na recém-criada FMVZ, da Universidade Estadual Paulista (Unesp, Botucatu/SP).

Partindo para a década de 1940, o médico-veterinário diz que era utilizado enxofre sublimado e lavado. Utilizava-se, também, o carbonato de cálcio, sabão verde, álcool a 42 graus, glicerina e vaselina para aplicar topicamente sobre a pele dos animais.MATERIA

À medida que novas enfermidades da pele foram surgindo, profissionais apresentavam novos protocolos de diagnóstico e de terapia (Foto: reprodução)

O primeiro tratado voltado eminentemente à dermatologia que chegou ao Brasil é do ano de 1969, de Muller & Kirk. “Na obra, eles falam que entramos em uma época de tratamento e os corticosteroides, dados de forma consistente e repetida, propicia um bom alivio quanto ao prurido”.

Na história da dermatologia também surgem os primeiros dermatopatólogos, menciona o profissional. “Sem a dermatopatologia nós não chegaríamos a lugar nenhum, já que a propedêutica da pele envolve apenas dois meios: a inspeção e palpação. Descreve-se, ainda, nessa história, novas enfermidades e propõem-se novos protocolos de diagnóstico e de terapia”, conta. Sendo assim, a partir da década de 70, em São Paulo (SP) e em Botucatu (SP), com esses primeiros indivíduos voltados à dermatologia, começam a surgir algumas enfermidades não descritas ainda no Brasil. “Eu me lembro bem do primeiro diagnóstico do mutante da alopecia e do mutante de cor, em um dobermann polonês que apresentava essa enfermidade e que, mais tarde, pude diagnosticar a primeira dermatite artefacta”, lembra.

Em 1974, o auxiliar de ensino Larsson compra, também, a primeira edição do Small Animal Dermatology, dos autores Muller & Kirk. Dez anos mais tarde, há a criação do primeiro serviço de dermatologia em faculdades de Medicina Veterinária latino-americanas. O Serviço de Dermatologia, do hoje Departamento de Clínica Médica da FMVZ-USP, iniciado de forma tímida pelo então já professor e pela médica-veterinária Márcia de Almeida Gonçalves, é oficialmente criado em abril de 1985, a partir da propositura do Prof. Larsson, de 1984. “Com 32 anos, onde tivemos a chance de diagnosticar e atender mais de cem mil casos e estabelecer terapias eficazes, o serviço treinou mais de 700 médicos-veterinários e acadêmicos, provindo de sete países e 14 unidades federativas”, diz Larsson. Entre estes profissionais citados estão Ronaldo Lucas, Ana Cláudia Balda, Larsson Junior, Rita de Cássia Castro, Alexandre Merlo e outros.

Na década de 80, apareceram as dermatites artefactas hoje tão frequentes em animais de grande porte. Já em 1990, surgem a astenia cutânea e a dermatomiosite familiar canina, assim como o mal de cuia, causado por rações de má qualidade. “Nesta época descobrem-se, também, novos protocolos de terapia, como a utilização dos ansamicinas e a rifocina tópica e sistêmica no tratamento do granuloma leproide. Isso ocorreu com tanto sucesso que ele é referido na literatura como protocolo brasileiro da micobacteriose tegumentar”, explica. E com nascimento de dermatites, o seu oposto também se fez em 2000, a exemplo da doença lúpica e de bronzeador do dálmata.

Uma linha do tempo que tem começo, mas ainda não um fim, com a constante evolução, muito atrelada às pós-graduações na área. “Nós não vivemos para fazer história, mas fazemo-nos por viver e é isso o que todos nós, que trabalhamos na dermatologia veterinária, temos feito”, garante Larsson.

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