Muitos pets, principalmente filhotes, costumam ficar enjoados quando são transportados no carro. O enjoo de movimento, ou cinetose, é muito comum, mas por que ele acontece?
Segundo a médica-veterinária do Hospital Veterinário Taquaral, Vanessa Genari, essa é uma resposta fisiológica normal a um estímulo provocativo, que ocorre como uma resposta do organismo frente a informações conflitantes entre os sentidos.
“O cérebro recebe sinais diferentes dos olhos, ouvidos (sistema vestibular) e do corpo, especialmente durante movimentos não habituais. Por exemplo, o animal está parado – do ponto de vista muscular, mas os olhos e o ouvido interno percebem movimento. Isso gera confusão no cérebro e leva ao enjoo”, esclarece.
A profissional relata que essa condição pode se manifestar, especialmente, durante viagens de carro, barco ou avião e causa náuseas, acompanhadas por desconforto abdominal indefinido, vômitos, tonturas e palidez.
Além disso, o estresse é um fator adjuvante. “O estresse pode agravar ou até mesmo desencadear a cinetose. Muitos animais associam o carro a experiências negativas (ida ao veterinário, por exemplo), e o estresse psicológico pode se somar ao desconforto físico, aumentando a chance de vômito e mal-estar”, comenta.

Cães são os mais acometidos
De acordo com Vanessa, o enjoo de movimento acontece com mais frequência em cães do que em gatos.
“Os gatos, normalmente, ficam imóveis e estressados no transporte, mas tendem a apresentar menos episódios de vômito relacionados a movimento”, afirma.
Os filhotes também são mais predispostos. Conforme a médica-veterinária, o motivo disso é o sistema vestibular, que não está totalmente desenvolvido. Esse aspecto os torna mais sensíveis aos estímulos de movimento. Com o tempo, esse sistema se desenvolve e o enjoo costuma diminuir ou desaparecer.
“Já com relação as raças, as mais predispostas são boxer, border collie e dachshunds. Uma combinação de fatores leva a isso, como genéticos – no caso dos dachshunds as alterações ósseas afetam o sistema vestibular. Questões comportamentais também são apontadas”, pontua.
O que fazer?

Como o enjoo de movimento é algo natural, nem sempre pode existir cura. Contudo, há alguns cuidados que podem ser realizados para evitá-lo ou diminuir a sua incidência.
“Algumas medidas eficazes incluem evitar alimentar o animal quatro horas antes da viagem; habituar o pet ao carro com passeios curtos e experiências positivas; manter o veículo bem ventilado; evitar curvas bruscas e frenagens intensas; proporcionar segurança ao pet usando cinto de segurança ou caixa de transporte; e reduzir o estresse com brinquedos ou cobertores familiares”, exemplifica.
Também podem ser utilizadas medicações que ajudam a controlar a cinetose. Vanessa comenta que existem medicamentos veterinários específicos para o enjoo de movimento. Porém, é necessária orientação de um médico-veterinário para entender qual é o mais indicado e em qual dose.
Outro ponto importante é o local no qual o pet é transportado no carro.
“O melhor lugar para levar o animal é na parte central do banco traseiro, preso com cinto de segurança apropriado ou caixa de transporte. Deve-se manter o cão ou gato virado para frente, sem olhar pela janela, e sempre tentar deixá-lo em uma área com menos movimento percebido, pois isso reduz a discrepância sensorial”, finaliza.
FAQ sobre o enjoo de movimento em pets
Por que muitos filhotes apresentam êmese de movimento?
O motivo disso é o sistema vestibular imaturo. Conforme esse sistema amadurece, o que geralmente ocorre por volta de um ano de idade nos cães, e o animal se habitua ao carro e a cinetose tende a desaparecer.
Existem animais que apresentam a cinetose por toda a vida?
Sim. Alguns cães e, mais raramente, gatos, nunca se adaptam ao transporte e possuem enjoo de movimento todas as vezes que fazem viagens de carro.
Como deve ser o manejo alimentar dos pets que apresentam cinetose?
O mais recomendado é evitar refeições volumosas previamente a viagem e fazer jejum alimentar de, pelo menos, quatro horas antes de andar de carro. Caso o pet não possa ficar em jejum, o indicado é oferece pequenas porções de alimento antes e depois do transporte.
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