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Crescem casos de maus-tratos a animais cometidos por crianças e adolescentes

Crimes acendem alerta sobre o impacto de conteúdos digitais na formação de comportamento e na segurança de cães e gatos

Crescem casos de maus-tratos a animais cometidos por crianças e adolescentes
Por Danielle Assis
15 de maio de 2026

Por definição, maus-tratos configuram qualquer conduta, seja ela ativa ou omissiva, que cause dor, sofrimento, medo e estresse desnecessário a seres vivos.

No âmbito dos animais, esse é um tema que nunca deixa de estar em evidência e, geralmente, está associado a atos realizados por pessoas adultas.

Contudo, de uns tempos para cá, crimes cometidos por crianças e adolescentes contra animais começaram a ser noticiados, demonstrando um problema muito mais grave – e até então invisível.

De acordo com dados do Núcleo de Observação e Análise Digital (NOAD), da Polícia Civil de São Paulo, somente nos primeiros três meses de 2026 foram contabilizados 385 casos de maus-tratos a gatos na internet. Esse número demonstra uma crescente de registros, visto que em todo o ano de 2025 foram registradas 340 ocorrências.

Segundo a delegada do NOAD, Lisandra Salvariego, em sua maioria, os crimes são cometidos contra gatos filhotes que, geralmente, oferecem menos resistência, e todos ocorrem a partir de rituais claros de tortura antes da efetiva morte.

Para os que se perguntam como os responsáveis por essas crianças não veem, a resposta é simples: os atos sempre ocorrem de madrugada, principalmente entre 23h e 3h da manhã.

Além disso, todos possuem um denominador comum – plataformas online, como Discord, que representa hoje 90% dos casos, e Telegram. Para os que não conhecem, Discord é uma plataforma de comunicação gratuita, criada inicialmente para gamers, mas hoje usada por diversas comunidades, inclusive criminosas. Já o Telegram, é um aplicativo de mensagens instantâneas.

adolescente computador
Crianças e adolescente são orientados a cometer os crimes através de plataformas online (Foto: Reprodução)

Nessas redes sociais, criminosos incitam a violência, dizendo aos participantes das transmissões online o que deve ser feito.

Muitos debates estão sendo realizados acerca do tema, de forma a promover a conscientização em escolas e comunidades sobre maus-tratos. A polícia civil também está realizando um expressivo trabalho de investigação para a comprovação dos crimes e adequada punição aos que os executam.

Para entender um pouco mais desse cenário, conversamos com duas pessoas que estão envolvidas no combate e na disseminação de informações sobre os casos. São elas, Juliana Camargo, presidente e fundadora do Instituto Ampara Animal, e Robis Nassaro, advogado, coronel da reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo, graduado, mestre e doutor em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, pesquisador da relação entre a violência doméstica e maus-tratos aos animais e conselheiro do conselho administrativo da Ampara Animal.

Confira o artigo completo “O algoritimo da crueldade”, na íntegra e sem custo, acessando a página 14 da edição de maio (nº 321) da Revista Cães&Gatos.