Por definição, maus-tratos configuram qualquer conduta, seja ela ativa ou omissiva, que cause dor, sofrimento, medo e estresse desnecessário a seres vivos.
No âmbito dos animais, esse é um tema que nunca deixa de estar em evidência e, geralmente, está associado a atos realizados por pessoas adultas.
Contudo, de uns tempos para cá, crimes cometidos por crianças e adolescentes contra animais começaram a ser noticiados, demonstrando um problema muito mais grave – e até então invisível.
De acordo com dados do Núcleo de Observação e Análise Digital (NOAD), da Polícia Civil de São Paulo, somente nos primeiros três meses de 2026 foram contabilizados 385 casos de maus-tratos a gatos na internet. Esse número demonstra uma crescente de registros, visto que em todo o ano de 2025 foram registradas 340 ocorrências.
Segundo a delegada do NOAD, Lisandra Salvariego, em sua maioria, os crimes são cometidos contra gatos filhotes que, geralmente, oferecem menos resistência, e todos ocorrem a partir de rituais claros de tortura antes da efetiva morte.
Para os que se perguntam como os responsáveis por essas crianças não veem, a resposta é simples: os atos sempre ocorrem de madrugada, principalmente entre 23h e 3h da manhã.
Além disso, todos possuem um denominador comum – plataformas online, como Discord, que representa hoje 90% dos casos, e Telegram. Para os que não conhecem, Discord é uma plataforma de comunicação gratuita, criada inicialmente para gamers, mas hoje usada por diversas comunidades, inclusive criminosas. Já o Telegram, é um aplicativo de mensagens instantâneas.

Nessas redes sociais, criminosos incitam a violência, dizendo aos participantes das transmissões online o que deve ser feito.
Muitos debates estão sendo realizados acerca do tema, de forma a promover a conscientização em escolas e comunidades sobre maus-tratos. A polícia civil também está realizando um expressivo trabalho de investigação para a comprovação dos crimes e adequada punição aos que os executam.
Para entender um pouco mais desse cenário, conversamos com duas pessoas que estão envolvidas no combate e na disseminação de informações sobre os casos. São elas, Juliana Camargo, presidente e fundadora do Instituto Ampara Animal, e Robis Nassaro, advogado, coronel da reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo, graduado, mestre e doutor em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, pesquisador da relação entre a violência doméstica e maus-tratos aos animais e conselheiro do conselho administrativo da Ampara Animal.
