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CRMV-BA divulga levantamento inédito sobre o impacto da pandemia na Veterinária

Profissionais tiveram de aumentar a carga de trabalho e a renda foi reduzida

Levantamento inédito e pioneiro no Brasil, realizado pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado da Bahia (CRMV-BA), mostra que 32% dos médicos-veterinários atuantes no Estado e que responderam à pesquisa tiveram Covid-19. O número é quatro vezes superior à prevalência registrada na população geral da Bahia, no mesmo período, que é de 8,1%, segundo o sistema do Ministério da Saúde que monitora os casos da doença no País.  A maioria dos casos ocorreu no primeiro semestre de 2021 nas formas moderada e severa e 48,3% dos profissionais acometidos pela doença tiveram de se afastar do trabalho por mais de 15 dias. Destes, 10% tiveram sequelas graves.

“O recorte apresentado no levantamento mostra o alto risco de exposição a que estão submetidos os médicos-veterinários e o quanto esses profissionais essenciais precisam ser assistidos pelo sistema de saúde e incluídos nas políticas públicas voltadas aos profissionais da área da saúde”, destaca o médico-veterinário e coordenador do estudo, José Roberto Pinho de Andrade Lima.

Reconhecido pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) como profissional da saúde desde 1998, o médico-veterinário atua em diversas frentes e está inserido em atividades que vão desde a clínica e cirurgia de animais de companhia, visitas regulares a diversas propriedades rurais ou atendendo urgências e emergências, situações de exposição aos tutores de animais portadores da Covid-19. Outras atribuições que não pararam durante toda a pandemia foram a fiscalização de frigoríficos e indústrias de produtos de origem animal, o controle de zoonoses e a vigilância epidemiológica e sanitária.

O Ministério da Saúde também reconheceu a essencialidade dos profissionais veterinários, quando os convocou para a linha de frente do combate à Covid-19, com a Portaria nº 639, de 31 de março de 2020, que dispõe sobre a Ação Estratégica “O Brasil Conta Comigo – Profissionais da Saúde”, voltada à capacitação e ao cadastramento de profissionais da área de saúde para o enfrentamento à pandemia. Por meio do Ofício nº 8/2021/DEIDT/SVS/MS, reafirmou que o médico-veterinário é profissional incluído na lista de profissionais da saúde com prioridade na campanha de vacinação.

Mesmo com todas as prerrogativas e reconhecimentos, os médicos-veterinários foram excluídos da campanha de vacinação contra o coronavírus por diversos Estados do País, entre eles, a Bahia. A capital, Salvador, só iniciou a imunização dos médicos-veterinários após decisão judicial em maio de 2021, enquanto os demais profissionais da saúde estavam sendo imunizados desde janeiro.

O resultado dessa exclusão, revela o estudo, é que, até o mês de agosto, 10% dos médicos-veterinários ainda não haviam tido acesso à vacina, enquanto outros 24% registram a perda de algum familiar por Covid-19.

Os resultados do estudo reforçam a importância do planejamento e treinamento antecipado para enfrentar situações de crise sanitária (Foto: reprodução)

Renda do médico-veterinário é diretamente comprometida

Embora 70% dos profissionais pesquisados tenham mantido as atividades presenciais durante as fases mais críticas da pandemia e 86% desses profissionais tenham tido alta exposição à doença, o estudo revela uma disparidade na relação trabalho x renda. Enquanto 41% dos entrevistados tiveram a carga de trabalho aumentada no período, 34,3% viram a renda despencar no mesmo período.

Para o coordenador do estudo, “os números mostram que embora tenhamos um mercado aquecido, com profissionais muito dedicados e qualificados, temos ainda uma grande desvalorização do profissional médico-veterinário pelos agentes empregadores e clientes de um modo geral e este é outro fato que precisamos reverter”, pontua.

Os resultados do estudo reforçam a importância do planejamento e treinamento antecipado para enfrentar situações de crise sanitária, corrobora a necessidade de os médicos-veterinários adotarem medidas de biossegurança na sua rotina profissional, serem vacinados no primeiro momento da imunização e os autônomos e empreendedores serem atendidos por políticas públicas de compensação financeira no momento mais agudo da crise.

Realizado entre os meses de julho e agosto de 2021, o levantamento sobre o impacto da Covid-19 na classe veterinária da Bahia ainda apontou que o maior percentual de médicos-veterinários do Estado está em Salvador e Feira de Santana, com atuação na clínica e cirurgia de pequenos animais. Durante o período da pesquisa, cinco mortes de médicos-veterinários foram registradas pelo CRMV-BA, sendo três na capital e duas no interior do Estado.

Fonte: AI, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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