Graças aos avanços da Medicina Veterinária e a relação mais próxima entre pets e tutores de cães, a expectativa de vida dos cachorros está cada vez maior. Porém, isso não os impede de desenvolver algumas doenças comuns do envelhecimento e os cuidados paliativos podem ajudá-los a ter mais qualidade de vida.
A médica-veterinária da clínica Reabilitare Pet, que é pós-graduada em Neurologia Veterinária e Acupuntura e especializada em Fisioterapia de pequenos animais, Karina T. Prado, comenta que a Medicina Integrativa tem o papel fundamental de prevenir problemas futuros e orientar os tutores de cães com relação as adaptações básicas e necessárias para garantir um maior conforto aos animais.
“Por mais que trabalhemos com prevenção, infelizmente também tratamos pets que sofrem com problemas de discopatias, muitos chegando para atendimento paralisados, com dores crônicas, no caso de cães idosos, e que apresentam doenças, como Artrite, Atrose, Osteoartrose e degenerações articulares”, explica.
A profissional ainda esclarece que, uma vez que o pet apresente alguma patologia ou desconforto devido as dores crônicas relacionada a idade, a Medicina Integrativa e os cuidados paliativos surgem para dar conforto, o livrando da dor sem o uso de fármacos. Dessa forma, garante maior qualidade de vida e longevidade.
Técnicas são variadas
Segundo Karina, existem diversas técnicas que podem ser utilizadas para proporcionar conforto aos cães idosos com dores crônicas.

“A mais conhecida e procurada é a acupuntura. Com ela conseguimos trabalhar o paciente como todo, reduzindo dor, inflamação e qualquer outro problema que o pet apresente. A acupuntura pode ser utilizada de forma isolada ou em conjunto com outras técnicas, dependendo do caso”, cita.
Além disso, a médica-veterinária complementa explicando que dentro da acupuntura existe a agulha seca, eletroacupuntura, hemopuntura, farmacopuntura e moxabustão. “Tudo isso abrange a Medicina Tradicional Chinesa”.
Outra técnica da Medicina Integrativa, que pode ser aplicada nos cuidados paliativos, é a fisioterapia.
“A fisioterapia é mais utilizada por mim durante a reabilitação de pós-operatório ou como tratamento conservativo para reabilitar os pets que, geralmente, apresentam problemas ortopédicos”, pontua.
A profissional relata que na fisioterapia existe a cinesioterapia, que nada mais é do que um conjunto de tratamentos manuais, no qual são feitos alongamentos, massagens, fortalecimento e estímulos através de comandos e manipulações.
Há também a ozonioterapia, que tem uma ampla ação nos problemas articulares e de pele, pois atua como antiinflamatório, antifúngico e antimicrobiano.
“Em cães a ozonioterapia é muito utilizada nos tratamentos de Artrite, Artrose e dores crônicas e vem auxiliando bastante nos tratamentos de câncer. Ela possui várias vias de aplicação e tudo irá depender da necessidade do paciente”, afirma.
Para quem os cuidados paliativos são indicados?
De acordo com Prado, existem algumas raças que são mais predispostas a doenças que podem ser manejadas com a Medicina Integrativa. Dentre elas, estão dachshund, bull dog, pug, rottweiler, labrador, golden retriver e pastor alemão. “Porém, atualmente recebo bastante cães sem raça definida para reabilitar ou tratar algum problema, que gera desconforto”, esclarece.
Ela ainda cita que grande parte dos animais costuma ter uma boa receptividade a esse tipo de tratamento.
“A maioria dos animais é fácil de tratar, principalmente quando estão no quadro agudo de dor. Depois que começam a ter uma boa melhora, alguns dão um pouquinho de trabalho, mas muitos deitam e dormem durante as sessões”, comenta.
Além disso, na rotina da profissional são mais comuns cães de meia-idade, com cerca de cinco a sete anos, e idosos com idade entre 12 e 15 anos. “No entanto, estou recebendo muitos animais de dois anos com problemas de coluna”, relata.

Os tratamentos, realmente, funcionam?
Karina não pestaneja ao citar que existem comprovações da eficácia dos tratamentos integrativos.
“Antigamente, os cães tinham a média de vida mais curta, principalmente os de grande porte. Hoje conseguimos dar mais qualidade de vida e aumentar muito mais a sobrevida deles apenas com os tratamentos integrativos”, afirma.
Inclusive, a médica-veterinária relembra um caso que a marcou de uma paciente chamada Milla.
“A Milla chegou para mim com quadro de tetraplegia, no qual só movimentava os olhos e se arrastava devido a uma lesão na coluna cervical. A tutora foi muito rápida em buscar ajuda para o tratamento e eu trabalhei de forma intensa apenas com acupuntura e moxa quatro vezes por semana. Ela voltou a andar com dificuldades na quinta sessão. Passados dois meses de tratamento intenso retornou a normalidade e foi mágico. Milla ficou comigo por cinco anos e era minha melhor atleta, corria por 15 minutos na esteira e em todos esses anos de tratamento a tutora ia toda semana sem falhar”, lembra.
Infelizmente, segundo Karina, a Milla faleceu, mas iniciou o tratamento aos oito anos e veio a óbito faltando uma semana para completar 15 anos.
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