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Entre alergias e inflamação, o desafio do granuloma eosinofílico felino

Doença de pele em gatos envolve resposta imunológica intensa e exige abordagem completa para evitar recidivas

Entre alergias e inflamação, o desafio do granuloma eosinofílico felino
Por Danielle Assis
23 de abril de 2026

Por mais que os cães sejam mais acometidos por afecções dermatológicas, os gatos também podem desenvolver doenças de pele, como o complexo granuloma eosinofílico felino, conhecido popularmente apenas como granuloma eosinofílico felino. 

A doença, que consiste em um padrão de reação inflamatória da pele, é caracterizada por uma intensa infiltração de eosinófilos. Ela pode desencadear três apresentações clássicas: úlcera eosinofílica – ou úlcera indolente -, placa eosinofílica e granuloma eosinofílico linear.

“Embora tenham apresentações clínicas diferentes, todas essas manifestações refletem um mesmo processo inflamatório imunomediado, geralmente, associado a mecanismos de hipersensibilidade”, afirma Erick Elbert Marques, médico-veterinário pósgraduado em Dermatologia Veterinária, mentor, professor e palestrante. 

De acordo com o profissional, a ativação dos eosinófilos leva à liberação de mediadores inflamatórios e proteínas citotóxicas, que contribuem para o dano tecidual e para a manutenção da inflamação cutânea.

Mesmo podendo acometer felinos de qualquer idade, raça ou sexo, é mais comum que a condição seja vista em gatos jovens ou adultos. Erick comenta que algumas linhagens de gatos siameses e outras raças orientais parecem apresentar maior predisposição para determinadas manifestações do complexo.

Com relação ao sexo, não existe uma predisposição claramente estabelecida na literatura. 

“Outro ponto importante é que o complexo granuloma eosinofílico felino não é contagioso. Portanto, não existe risco de transmissão entre animais ou para os seres humanos”, explica Marques.

Doença alérgica de base 

Na grande maioria das vezes, o granuloma eosinofílico felino consiste em uma manifestação cutânea desencadeada por um processo alérgico subjacente.

“Entre os principais fatores desencadeantes destacam-se a dermatite alérgica à picada de pulgas (DAPP), a hipersensibilidade alimentar, a dermatite atópica felina e as reações a picadas de insetos”, pontua.

No entanto, em alguns pacientes a causa primária da doença não é claramente identificada, sendo esses animais classificados como idiopáticos. 

Dessa forma, as manifestações clínicas da enfermidade variam de acordo com a forma do complexo.

  • Úlcera eosinofílica: geralmente ocorre no lábio superior e se apresenta como uma lesão ulcerada bem delimitada e, normalmente, pouco dolorosa;
  • Placa eosinofílica: costuma ser caracterizada como uma lesão eritematosa, elevada e intensamente pruriginosa, frequentemente localizada no abdômen ventral, região inguinal ou face medial das coxas;
  • Granuloma eosinofílico: pode se apresentar como lesões lineares ou nodulares, muitas vezes, observadas em membros posteriores, lábios ou até na cavidade oral.

Além disso, diferente do que muitos pensam, nem sempre a região dos lábios é a única acometida. 

“Embora a úlcera eosinofílica seja frequentemente observada no lábio superior, outras manifestações do complexo podem ocorrer em diferentes regiões do corpo. As placas eosinofílicas, por exemplo, são mais comuns em abdômen ventral e região inguinal, enquanto os granulomas eosinofílicos podem ocorrer em membros posteriores, lábios, queixo ou até na cavidade oral. Logo, a distribuição anatômica pode ser bastante variável”, esclarece o médico-veterinário. 

Diagnóstico clínico 

O diagnóstico da doença envolve a avaliação clínica combinada com o histórico do paciente e a realização de exames. 

De acordo com o profissional, a citologia cutânea é um exame extremamente útil nesses quadros e, frequentemente, revela grande quantidade de eosinófilos. 

Já em casos atípicos, ou quando é necessário descartar diagnósticos diferenciais, a biópsia cutânea com avaliação histopatológica pode ser indicada. O tratamento, por sua vez, visa o controle da inflamação cutânea. 

“Entre as opções terapêuticas mais utilizadas estão corticosteroides sistêmicos e, quando há infecção secundária, antibióticos podem ser necessários. Porém, tratar apenas a lesão sem abordar a causa alérgica de base, normalmente, resulta em recidivas”, destaca.

Prevenção e cura 

Quando se consegue identificar a causa de base e controlar o fator desencadeante, muitas vezes, é possível obter resolução completa das lesões do complexo eosinofílico felino.

Todavia, Marques pontua que em pacientes com doenças alérgicas crônicas, como a dermatite atópica felina, as recidivas podem ocorrer ao longo da vida e, nesses casos, o objetivo do tratamento passa a ser o controle clínico da doença.

Já a prevenção está diretamente relacionada ao manejo dos fatores desencadeantes.

“Isso inclui, principalmente, controle rigoroso de pulgas, investigação adequada de alergias alimentares e manejo ambiental em pacientes atópicos. Em gatos com histórico recorrente, o acompanhamento dermatológico periódico permite identificar recaídas precocemente e ajustar o tratamento conforme necessário”, conclui.

Confira o artigo completo “Entre alergias e inflamação, o desafio do granuloma eosinofílico felino”, na íntegra e sem custo, acessando a página 44 da edição de abril (nº 320) da Revista Cães e Gatos.